Sertanense fecha uma brilhante época no Campeonato de Portugal no campo do Olhanense. Foto arquivo: mediotejo.net

SERTANENSE FUTEBOL CLUBE 1 – SPORTING CLUBE OLHANENSE 0
Campeonato de Portugal – Fase de subida – Zona Sul – 5ª jornada
Campo de Jogos Dr. Marques dos Santos – Sertã – 24-04-2022

“Não há Campeões sem uma ponta de sorte!!!” Esta frase da “tribo” do futebol, muitas vezes dita com conhecimento empírico, poder-se-ia aplicar à última jornada do campeonato de Portugal, na fase de subida à Liga 3 e ao Sertanense em particular.

A sorte que tantas vezes tem sido madrasta para a equipa treinada por Natan Costa desta vez não o foi.
Vencendo em casa um aguerrido Olhanense, e vendo os restantes jogos ficarem em branco, a equipa da Sertã foi o grande vencedor do fim de semana. Ganhou pontos em três campos.

Sertanense ganhou em três campos.

Com três empates e uma derrota, nos Açores com o Fontinhas, o Sertanense vinha duma série menos boa de meia dúzia de jogos sem vencer. Mais do que assumir o favoritismo, o grande trabalho da equipa técnica liderada por Natan Costa seria minimizar a ansiedade que bastas vezes tem traído a equipa beirã.

Um bom começo de jogo era importante e a equipa da casa não fez a “coisa” por menos… Ainda se alinhavavam marcações e acertos e já o Sertanense chegava ao golo. Na sequência duma reposição lateral pela direita do seu ataque, Luís Martins cruzou, a defensiva algarvia “meteu água”, e Muacir agradeceu fazendo o único golo da partida logo aos quatro minutos de jogo.

Muacir marcou aos quatro minutos.

Com os olhanenses a tentarem “digerir” este golo a frio, Karamoko foi pela ala direita até à linha de fundo e cruzou para a referência na área, Muacir. O guarda redes italiano dos visitantes, Riccardo Galli, adivinhou o lance e de forma corajosa foi aos pés de Muacir “amarrar” o esférico.

Reagiram os comandados de Jorge Viegas e na resposta imediata Edson Pires ficou isolado na cara de Daniel Azevedo. O lance já estava inviabilizado por posição irregular do guineense.

Aos oito minutos Muacir surgiu em velocidade pela ala esquerda e, sem ângulo de remate, optou pelo cruzamento para a cabeça de Mauro Santos. A bola sobrou para Desailly que rematou de pronto para defesa a dois tempos de Galli.

Sertanense em busca do segundo golo.

O Sertanense, à passagem dos dez minutos, beneficiou dum livre muito perigoso, perto do bico da grande área à direita. O cruzamento foi para a cabeça de Ibouka que do alto do seu metro e noventa e seis cabeceou de forma deficiente, perdendo-se a bola pela lateral.

Na resposta pronta, a bola saiu pela lateral e numa reposição longa para a área da equipa da casa o guarda redes Daniel Azevedo não agarrou permitindo a intervenção de Franck Djoulou. Fê-lo de forma faltosa, entrando de “sola” sobre o guarda redes o que lhe valeu a amostragem do cartão amarelo.

Após um período de alguma acalmia, aos 17 minutos, o Olhanense descobriu o costa-marfinense isolado e endossou-lhe o esférico. Djoulou, no duelo com Daniel Azevedo, tentou marcar usando o braço. A bola subiu e saiu pela linha de fundo. Quem saiu pela linha lateral foi Franck Djoulou, após ver o segundo amarelo e o correspondente vermelho.

Franck Djoulou viu dois amarelos e saiu cedo.

A perder e com menos uma unidade em campo, a vida não se afigurava fácil para o “lanterna vermelha” da Zona Sul. Toda a estratégia de Jorge Viegas para este jogo na Sertã ruiu com a expulsão, com muito tempo para jogar.

Entretanto os níveis de confiança dos sertaginenses parecia estar em alta e aos 21 minutos Desailly foi até ao fim, pela direita, cruzou para a cabeçada de Mauro Santos. Passou perto do alvo mas por cima. Quatro minutos passados o Olhanense ensaiou um “venenoso” contra golpe e o capitão Sérgio Semedo, experiente, posicionou-se de forma a alvejar a baliza de Azevedo. Passou por cima.

Já para lá da meia hora Edson Pires arriscou em demasia. A “tesoura” por detrás a um adversário mereceu da parte do árbitro uma análise benevolente. Viu a cartolina amarela e permaneceu em campo!

Árbitro foi benevolente nalguns lances.

Com o jogo a prosseguir bem controlado pelos donos da casa, o Olhanense ia fazendo pela vida. Aos 39 minutos Leandro Ferreira tentou surpreender Daniel Azevedo mas este resolveu sem dificuldade.
Com a partida a avançar rapidamente para o descanso o resultado teimava em manter-se na vantagem mínima. De bola parada a equipa beirã esteve quase a ampliar a vantagem.

Aos 42 minutos, de canto, com o árbitro a descortinar uma falta atacante, e no minuto seguinte num livre em zona frontal. Superiormente cobrado por Bernardo Fortunato, obrigou Riccardo Galli a voar para a defesa da tarde. Enorme momento de futebol. Na cobrança do canto Ibouka cabeceou ao lado.

Carlos Teixeira decretou a ida para o descanso e no Dr. Marques dos Santos pairava a sensação que o Sertanense poderia ter ido para intervalo com uma confortável margem no marcador.

Pelo que fez o Sertanense poderia ter ampliado a vantagem.

No regresso ao relvado verificou-se que os treinadores foram conservadores, fazendo regressar as respetivas equipas, sem alterações. Apesar da tarefa não se afigurar fácil para os algarvios, a perder e com menos um jogador, na equipa rubro-negra acreditava-se num volte face.

Tudo poderia ter mudado no segundo minuto do complemento. Ibouka impôs o físico sobre o internacional cabo-verdeano Sérgio Semedo e este acabou caído na área. Reclamou-se grande penalidade mas o árbitro que viajou desde Vila Real nada assinalou e mandou jogar.

Capitão Sérgio Semedo no comando dos algarvios.

Aos 54 minutos a equipa da casa desenhou uma jogada de envolvimento que culminou com um remate cruzado de Muacir, já no coração da área. Ricardo Galli, com uma enorme defesa, desviou para canto. Pouco passava da hora de jogo quando Karamoko, isolado, no duelo com Galli, perdeu o ensejo de aumentar a contagem. O melhor que conseguiu foi um pontapé do quarto de círculo.

Os sertaginenses eram a melhor equipa no relvado apesar da réplica dos “leões” de Olhão. Aos 68 minutos um cruzamento bem medido assistiu Rafa Pinto. Este enquadrou-se com a baliza e rematou para nova defesa de Galli que se revelava um guarda redes de grande nível.

Rafa Pinto testou a forma de Riccardo Galli.

O Olhanense espreitava uma ocasião, num contra ataque, de empatar a contenda, e no minuto seguinte uma bola nas costas da defesa da casa obrigou Daniel Azevedo a arrojar-se ao solo para desarmar Pedro Paz.
O jogo estava agora numa toada de parada e resposta e logo na jogada seguinte Muacir chegou um nadinha atrasado a um cruzamento vindo da ala direita.

Aos 73 minutos um livre para o Sertanense, quase no meio campo, permitiu a cabeçada de Mauro Santos. Fácil a defesa de Riccardo Galli. Voltou a brilhar a grande altura quando parou o remate de meia distância, muito bem colocado, de Desailly.

Sertanense sempre mais ofensivo.

A faltarem apenas dez minutos no tempo regulamentar os donos da casa sofreram enorme susto. O guarda redes Daniel Azevedo mediu mal o tempo de salto e acabou por largar uma bola aparentemente fácil. Antes que os olhanenses causassem danos maiores a defesa conseguiu resolver a contento.

Aos 85 minutos uma bola longa para Fábio Lopes levou João Silva a oferecer o corpo ao adversário, em proteção da bola que chegou ao guarda redes Galli. Fábio Lopes levou longe demais o esforço e viu o cartão amarelo. Entretanto subiu a placa a anunciar quatro minutos de compensação.

Fábio Lopes cometeu falta e viu o amarelo.

Com o Sertanense a acabar encostado atrás, o Olhanense subiu no terreno e ganhou um canto. Galli subiu à área contrária aumentando a capacidade ofensiva. Foi um esforço inglório porquanto o juíz da partida descortinou uma falta atacante.

Seguiu-se um “pressing” dos visitantes, numa sucessão de cantos, com todos os 21 jogadores na área do Sertanense. Com o tempo esgotado, João Silva cabeceou por cima do travessão e Carlos Teixeira deu o jogo por terminado, selando a primeira vitória dos sertaginenses nesta fase da prova.

Sertanense venceu com toda a justiça.

Triunfo justo do Sertanense que peca por escasso. Riccardo Galli foi um baluarte na defensiva olhanense e não permitiu o aumentar do “score” que daria maior verdade ao resultado. Os algarvios jogaram muito tempo em inferioridade numérica mas deram boa réplica. Boa arbitragem.

Com este resultado, no final da primeira volta, o Sertanense ficou com seis pontos, a quatro do líder Fontinhas e a depender de si para alcançar o Belenenses, com nove pontos, em lugar de subida. Desloca-se a Pêro Pinheiro na próxima jornada, no primeiro dia de maio, Dia do Trabalhador.

Festa nas bancadas do Dr. Marques dos Santos.

Ficha do Jogo:

SERTANENSE FUTEBOL CLUBE:

Daniel Azevedo, Desailly, Marco Fernandes, Luís Martins, Kevin Ibouka (Rafa Pinto), Kevin Lopez, Mauro Santos, Fábio Lopes, Bernardo Fortunato, Muacir (Rodrigo Rosas) e Karamoko (Matheus Barbosa).
Suplentes não utilizados: Pedro Simões, Diogo Pimenta, David Branco e Rick.
Treinador: Natan Costa.

Sertanense Futebol Clube.

SPORTING CLUBE OLHANENSE:

Riccardo Galli, Andrea Magrini (Jair Brito), Carlitos, João Silva, Tiago Cavadas, Sérgio Semedo, João Nóbrega (Ernesto Walker), Edson Pires, Xavier Venâncio (Cláudio Major), Frank Djoulou e Leandro Ferreira (Pedro Paz).
Suplentes não utilizados: Lucas Teixeira, Rodrigo Dantas e Ricky Duarte.
Treinador: Jorge Dias Viegas.

Sporting Clube Olhanense.

GOLO: Muacir (Sertanense)

EQUIPA DE ARBITRAGEM:
Carlos Teixeira, Vítor Silva e André Gomes (AF Vila Real).

Equipa de Arbitragem, Carlos Teixeira, Vítor Silva e André Gomes, com os capitães.

No final fomos ouvir ambos os técnicos:

NATAN COSTA (Sertanense)

Natan Costa-Treinador do Sertanense. Foto: Arquivo mediotejo.net

JORGE DIAS VIEGAS (Olhanense)

Jorge Dias Viegas, treinador do Olhanense.

*Com David Belém Pereira (multimédia)

Jorge Santiago

Nasceu a 30 de Janeiro de 1961 em Lisboa e cresceu no Alentejo, em Santiago do Cacém. Dali partiu em 1980 para ingressar no Exército e no Curso de Enfermagem. Foi colocado em Santa Margarida e por aqui fez carreira acabando por fixar-se no Tramagal em 2000. A sua primeira ligação à Vila "metalúrgica" surge em 1988 como Enfermeiro do TSU. Munido da sua primeira câmera digital, em 2009 e com a passagem à situação de reserva, começou a registar a fauna do Vale do Tejo, a natureza e o património edificado da região, as ruas, as pessoas... Com colaborações regulares em jornais da região e nacionais este autodidata acaba por conseguir o reconhecimento público, materializado em alguns prémios. Foi galardoado na 8ª Gala de Cultura e Desporto de Tramagal na categoria de Artes Plásticas (Fotografia) em 2013.

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