Reunião da Câmara Municipal de Sertã

Em jeito de balanço governativo, um ano depois das eleições autárquicas, o Partido Socialista (PS), pela voz do vereador Carlos Miranda, acusou o Executivo social democrata de ser responsável pela “falta de criação de emprego” e que o “imenso arraial” em que a Sertã se transformou, com o povo a viver “um pouco alheado da realidade”, nada resolve pois “as famílias” da terra continuam a emigrar. Na afirmação recorreu a informação do Agrupamento de Escolas da Sertã, que dá conta que nos últimos oito anos perdeu 600 alunos. Em resposta, o presidente José Farinha Nunes (PSD) disse que o problema da natalidade em Portugal só se resolve com medidas do Governo central, nomeadamente com políticas que incentivem a produção e o aumento do salário mínimo “para 1000 ou 1500 euros”.

Um ano depois das eleições autárquicas, que voltaram a colocar o Partido Social Democrata (PSD) a comandar politicamente o concelho da Sertã, o vereador eleito pelo PS, Carlos Miranda, analisou a ação do executivo no primeiro ano deste mandato (e dos últimos 9 anos) para tecer críticas ao executivo camarário, considerando “haver muito que fazer” no que concerne à perda de população, tendo em conta uma informação do Agrupamento de Escolas da Sertã, que refere que nos últimos oito anos perdeu 600 alunos, ou seja, cerca de 30% da população escolar.

“No discurso da Câmara parece que está tudo bem, por vezes lembra o patético ministro da Propaganda de Saddam Hussein na primeira invasão do Iraque […] as obras são mais do que muitas, os eventos um sucesso, a Sertã atrai milhares de visitantes e parece ser o centro das atenções”, disse Carlos Miranda durante a reunião de câmara de 11 de outubro.

O vereador socialista referiu também “as muitas festas” de verão, considerando transformar a Sertã “num imenso arraial” onde “o povo vive um pouco alheado da realidade, e tem a ilusão de que tudo vai bem, que vive no melhor dos mundos. Enquanto isso as famílias continuam a ver os filhos e os netos a ter de emigrar. Como o ministro de Saddam, vamos de festa em festa até à derrota final”, afirmou.

Não obstante, Carlos Miranda lembrou que os vereadores do PS “têm votado favoravelmente a maioria das propostas” em reunião de Câmara uma vez que “a política atual resume-se a pouco mais do que a gestão do dia a dia” considerando que o problema reside “no que não é feito, e não no que está a ser feito” porque “o que está a ser feito, não chega”, defende.

Isto porque segundo os socialistas, “distribuir dinheiro pelas coletividades, organizar festas ou eventos pontuais e a vinda da televisão à Sertã, não cria emprego”. Advogam ter que “fazer diferente e fazer melhor” que os restantes concelhos do País, na tentativa de fixar e atrair população.

Reunião da Câmara Municipal de Sertã

Carlos Miranda abordou ainda os dois milhões de euros que chegaram ao concelho da Sertã para fazer face aos prejuízos causados pelos incêndios de 2017, “gastos em alcatrão. E assim se resolve o problema dos incêndios e do ordenamento florestal”, criticou.

O eleito sugeriria que essa verba fosse aplicada no “apoio ao emparcelamento ou associativismo dos empresários e dos proprietários para resolver, de uma vez por todas, esse problema crónico na estrutura da propriedade na Sertã”, ou também “no apoio à plantação de espécies autóctones para que os proprietários pudessem libertar-se da tirania do eucalipto e plantar outras espécies”.

Defendeu ainda “apoiar os proprietários para que pudessem fazer uma efetiva limpeza da floresta”, notando que também “as zonas industriais agonizam […] os preços praticados são um obstáculo para muitos”.

Quanto ao turismo, o vereador lembrou que “o castelo está fechado e não tem um centro de interpretação. Cernache não tem um parque de campismo, a Sertã não tem um parque de campismo, o Trízio poderia ser a melhor praia fluvial da região se houvesse visão e audácia”. Carlos Miranda fez ainda as contas por mandato na ordem dos “80 milhões de euros” para dizer que “todos os municípios fazem alguma coisa” mas a questão “é fazer bem com ambição e estratégia”.

Discordando com a análise apresentada pelo PS, o presidente da Câmara Municipal, José Farinha Nunes, respondeu com “a estatística” de 2018 garantindo “mostrar o contrário” do declarado. “A Sertã, a nível nacional, subiu 16 lugares em 308 municípios, estamos em 118, subimos todos os anos, de uma maneira geral” isto é, nos negócios e em concelho para visitar e viver. Na região Centro em 100 municípios “subimos sete lugares”, acrescentou.

José Farinha Nunes referiu também a taxa de desemprego, onde a Sertã se situa “no lugar 85 em 308 municípios”, considerando o vereador do PS ser “irrelevante” uma vez que “as pessoas emigram e é normal não haver taxa de desemprego”.

Quanto à perda de 600 alunos no Agrupamento de Escolas da Sertã em oito anos, o presidente justifica com a taxa de natalidade. “Não pode ser contrariada pelos municípios” mas ”com políticas sérias a nível nacional” pelo Governo da nação.

Defende José Farinha Nunes que a taxa de natalidade aumentará se “Portugal produzir, e tem condições para o fazer, de forma a que o salário mínimo nacional seja 1000 ou 1500 euros, a partir daí todos têm capacidade e poder de compra para poder ter mais filhos”, entendendo ser a “única forma de contrariar a taxa de natalidade”.

O autarca lembrou ainda que, da União Europeia, Portugal “é o país que paga menor ordenado mínimo praticamente, sem necessidade nenhuma porque há condições para produzir muito mais, sem fazer grande esforço. As políticas dos últimos 40 anos não têm sido para incentivar a produção e a criação de riqueza, por isso somos pobres”, finalizou.

A resposta ao PS, com mais detalhes e números estatísticos, chegará, de acordo com o presidente da Câmara, na próxima reunião de Executivo.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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