A Quinta da Rocha, datada de 1875, vendo-se ao fundo a ETAR. Foto: mediotejo.net

Os atrasos sucessivos nas obras previstas para a ETAR (Estação de Tratamento de Águas Residuais) de Pedrogão Pequeno, no concelho da Sertã, está a atrasar a abertura da Quinta da Rocha, um empreendimento turístico que se desenvolveu a partir de um imponente Solar de 1875, com a distintiva arquitetura dos “brasileiros torna-viagem”.

A lutar desde 2018 para que se encontre uma solução para o problema dos maus cheiros causados por esta ETAR, Ana Maria Ferreira da Costa é uma empresária desesperada. É que o projeto onde investiu mais de um milhão de euros situa-se a escassas dezenas de metros daquele infra-estrutura, que não é mais do que um tanque de esgotos a drenar para a ribeira. Em ano de seca como é este, o problema agravou-se, com os maus cheiros a tornarem-se ainda mais intensos.

“Isto é horrível”, lamenta a empresária que comprou em 2015 aquele Solar do século XIX, com o objetivo de ali criar uma unidade de alojamento turístico com 15 quartos, piscina, adega, entre outros espaços de lazer.

O mediotejo.net esteve no local e confirmou o problema dos maus cheiros e dos esgotos a drenarem para a ribeira.

A empresária Ana Maria Ferreira da Costa junto à ETAR. Foto: mediotejo.net

Da varanda da Quinta da Rocha, com vista para a ETAR e para a ribeira, Ana Maria Ferreira da Costa questiona: “O que é que eu vou mostrar às pessoas? Quem é que pode estar aqui com este cheiro horrível?”

Critica também um alpendre de grandes dimensões, que serve de armazém, construído na margem da ribeira, e que destoa na paisagem. A juntar a isto, aponta a falta de limpeza daquele curso de água e dos terrenos na zona envolvente do seu Solar, com o perigo de incêndio ali ao lado.

A empresária refere que os maus cheiros se tornam mais intensos de manhã e ao fim do dia, conforme tem denunciado periodicamente nas reuniões da Câmara da Sertã. Os terrenos na zona envolvente da ETAR são sua propriedade, mas não colhe a fruta das árvores com receio de estar contaminada. Conta também que nesses terrenos apanhou uma carraça de água que a obrigou a uma deslocação às urgências do hospital.

Foi em 2018 que avançou com as obras de requalificação e restauro da Quinta, com base na palavra dos autarcas em exercício na Câmara na altura, que assumiram o compromisso de uma célere resolução do problema da ETAR. Desde então, diz, tem ouvido sucessivas promessas de que o equipamento seria deslocalizado.

A empresária mostra as fotos de 2018, lamentando que quatro anos depois esteja tudo na mesma: “Isto é revoltante.”

A sua preocupação é que se passe mais um verão, época alta por excelência na área do turismo, sem que tenha condições para abrir a sua unidade hoteleira.

A Quinta da Rocha continua fechada até à resolução do problema da ETAR. Foto: mediotejo.net

Problema em vias de resolução, diz Águas do Vale do Tejo

Mas há uma luz ao fundo do túnel, o que deixa a empresária com alguma esperança. A empresa Águas do Vale do Tejo / EPAL já adjudicou a construção de uma Estação Elevatória de Águas Residuais (EEAR) “que permitirá juntar as águas residuais de duas bacias distintas da rede municipal”. Esta EEAR, refere a empresa, “vai elevar os afluentes para a ETAR Pedrogão Grande (ETAR já existente), aonde será efetuado o devido tratamento das águas residuais afluentes”.

A informação foi avançada pelas Águas do Vale do Tejo ao mediotejo.net. O prazo para a empreitada é de 210 dias, contados a partir deste mês. “Com a entrada em exploração da nova Estação Elevatória de Águas Residuais Pedrogão Pequeno será possível desativar a ETAR Pedrogão Pequeno no início de 2023, previsivelmente”, esclarece.

Segundo a empresa, “a ETAR está a funcionar dentro da normalidade e o efluente tratado cumpre os requisitos de qualidade legalmente impostos”. Diariamente, refere ainda, “são efetuadas as tarefas operacionais e de limpeza, incluindo o acondicionamento e recolha dos resíduos da ETAR”, informação que é desmentida por Ana Maria.

Sobre a libertação de maus odores, a empresa diz “não ter registo”.

A ETAR de Pedrógão Pequeno encontra-se em exploração desde 1983 e apresenta uma capacidade de tratamento de 27 m3/dia e 400 equivalentes populacionais, especifica a Águas do Vale do Tejo.

O mediotejo.net apurou que a empreitada de construção da nova Estação Elevatória foi adjudicada à empresa Sotcnisol.

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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