Albufeira da Bouçã. Foto: Sofia Carmo

Das três albufeiras que banham o concelho da Sertã, a da Bouçã é a mais desconhecida e aquela que preserva um estado selvagem raro. O vereador António Xavier (PS) abordou recentemente em reunião de executivo a situação deste espelho de água e lamentou que ninguém frua “daquela dádiva da natureza”.

Trata-se de uma albufeira com cerca de 18 km de extensão, da qual pouco se fala, mas que revela características diferentes das de Castelo do Bode, Cabril ou Santa Luzia pelo facto do seu nível de água estar sempre na cota máxima. “Nas suas águas não há vestígios de poluição, nas suas margens sempre frescas com vegetação abundante e variada tornam aquele vale num oásis que merece ser explorado”, defende o autarca.

Nas margens, a flora é constituída por carvalhos, medronheiros, sobreiros, azinhos, amieiros salgueiros, urze azul e vermelha, esteva, giesta e as espécies invasoras acácia e eucalipto que adornam e completam aquele tesouro escondido.

Na margem esquerda desta albufeira, desde o limite da freguesia de Carvalhal com a do Castelo até ao Moinho das Freiras, numa extensão de cerca de 10 km, mais de 90% é inacessível a qualquer pessoa dada a densidade da sua flora o que, aliado ao facto do nível das suas águas estar sempre à cota máxima, transforma aquele “Vale do Zêzere” num verdadeiro tesouro natural, conforme destaca António Xavier.

Na opinião deste vereador “aquele tesouro merece ser olhado com outra atenção”. Ressalva que não defende que se transforme aquele recurso num espaço como a albufeira de Castelo do Bode ou Cabril mas, “é justo pensar que tal como está, ninguém frui daquela dádiva da natureza”.

A sua sugestão vai no sentido de, “num espaço temporal, de uma legislatura se possa iniciar o estudo, para de uma forma prudente, sem agredir a natureza, se habilitar aquela margem com bons acessos e a abertura de pequenas estradas ao longo da albufeira”.

“É imperioso que o façamos ou pelo menos que comecemos a pensar neste projeto, porque os amantes da natureza agradecem”, defende.

O presidente da Câmara, Carlos Mirando (PS), concordou com a “grande riqueza” e o “património ambiental que a albufeira da Bouçã representa. “Se calhar ainda bem que é um segredo bem guardado, até para a maior parte dos munícipes da Sertã”, considerou Carlos Miranda.

“Temos de encarar esta albufeira de uma forma diferente de Castelo do Bode ou Cabril. Temos de valorizar essencialmente os aspetos ligados à conservação e à biodiversidade. Temos de conciliar estes dois aspetos com uma fruição por parte da população”, defendeu o edil, desafiando os restantes elementos do executivo a apresentar propostas de forma a conciliar as duas vertentes.

José Gaio

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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