Maranho. O nome pode parecer estranho mas é uma questão de provar… para aprovar. E que melhor ocasião para o fazer do que no Festival de Gastronomia do Maranho tem início no esta quinta-feira, dia 13, e decorre até ao domingo, 16 de julho, na Sertã?

O maranho – composto por bucho de borrego ou carneiro, carne de borrego,  presunto, chouriço magro, toucinho entremeado, arroz, hortelã, azeite, sal, limão, pimenta e vinho branco – é um dos grandes embaixadores do concelho da Sertã e uma das suas principais marcas identitárias, sendo que o Festival de Gastronomia surge como a “grande montra de afirmação” desta iguaria mas também de toda a economia da região. Deste modo, a autarquia tem vindo a apostar, cada vez mais, neste evento que vai já na sua 7.ª edição, com inauguração marcada para dia 13 de julho, às 18 horas.

Só em 2016, estima-se que terão passado pelo festival mais de trinta mil pessoas. A sétima edição do Festival de Gastronomia apresenta algumas novidades em relação aos anos anteriores. As expectativas são elevadas para esta edição, estando assegurada a presença de 135 expositores, que ocuparão 175 stands. O recinto da feira conta com uma tenda com 900 metros quadrados, que servirá de área de restauração e com sete tasquinhas.

Na Alameda da Carvalha está tudo a postos para a 7.ª edição do Festival do Maranho Foto: mediotejo..net

A vereadora Cláudia André refere que o Festival do Maranho pretende vir a suscitar, no mínimo, a curiosidade às pessoas. “Se ouvem falar num prato gastronómico e não fazem ideia do que é queremos que fiquem curiosas e se dirijam ao nosso concelho para o saborear”, atesta, acrescentando que “o maranho da Sertã tem um sabor distinto dos outros maranhos dos concelhos limítrofes”.

A vereadora da Cultura refere, por isso, que “comer maranho da Sertã não é a mesma coisa que comer maranho” referindo que depois de se provar acaba por se gostar e muito. “Se há alguém que não goste de hortelã e não goste de carne de caprino, provavelmente não irá gostar de maranho mas todos os que gostam de hortelã vão apreciar”, refere. Segundo a própria este prato, como é cozido é dieteticamente aconselhável. “Tem que ter muita hortelã, se não, não é maranho e tem um sabor diferente de qualquer outra coisa”, indica.

Ao contrário do que  muitos possam ser levados pensar, o maranho não é uma entrada. É um prato principal que costumava ser servido apenas em ocasiões importantes, como em casamentos ou nas festas da aldeia. “O que acontece é que muitas vezes, para se dar a provar a quem vem de fora, oferece-se como entrada e não como prato principal. Mas é um prato principal, servido com batatas fritas ou com legumes cozidos”, indica.

A autarquia tem vindo a trabalhar na preparação do Festival de Gastronomia desde novembro e, de uma forma mais intensa, desde março. “Há uma logística bastante grande a tratar”, explica e considerando que tendo em conta que são 135 expositores em 175 stands tudo isto requer uma organização no espaço e distribuição dos setores de atividade. “A maioria dos Festivais de Gastronomia do país decorrem nos restaurantes. Isso, no nosso caso, é garantido todo o ano porque os restaurantes têm sempre maranho na ementa. No nosso recinto vamos ter uma tenda com ar condicionado e todas as condições para se usufruir de uma refeição calma mas isso não invalida que as pessoas visitem os restaurantes”, indica.

A gastronomia aliada a uma vasta programação musical, cultural e desportiva

A música não vai faltar sendo que, para os três palcos do festival, está previsto um conjunto de espectáculos, onde se inclui a atuação dos UHF (sábado, 15 de julho), ÀTOA (sexta-feira, 14 de julho), Orquestra Big Band (16 de julho, domingo), Capicua e Pedro Geraldes (15 de julho, sábado), Popxula (sábado, 15 de julho), bem como da Filarmónica União Sertaginense, Filarmónica Aurora Pedroguense, Grupo de Música Popular de Cernache do Bonjardim, Grupo de Concertinas da Sertã, Grupo de Animação Seca Adegas, Grupo Instrumental do CCD da Sertã e de vários ranchos folclóricos do concelho sertaginense.

No local foi montada uma tenda gigante onde sete tasquinhas, dinamizadas pelas associações, vão servir esta iguaria Foto: mediotejo.net

Ao longo  dos quatro dias deste evento têm ainda lugar diversos ateliês como, por exemplo, de tecelagem, filhós, enchidos, cartuchos de amêndoa) e um ShowCooking, com Justa Nobre. O programa compreende também a realização do percurso pedestre «Rota do Maranho» (no sábado, 15 de julho) e do Grande Prémio de Atletismo do Maranho (domingo, 16 de julho).

A história da gastronomia não foi esquecida sendo que outra das novidades desta sétima edição é a instalação de uma pequena tenda, à entrada da feira, onde os visitantes podem ficar a conhecer melhor a história do Maranho e de como esta iguaria evoluiu ao longo das últimas décadas. “É um levantamento que tem vindo a ser feito porque estamos a tratar do processo de certificação do Maranho da Sertã de há dois anos a esta parte”, explica, acrescentando que o caderno de especificações foi pedido pela APROSER. Serão também expostos diversos materiais históricos alusivos ao maranho e exibidos vários filmes sobre este prato gastronómico.

O Festival de Gastronomia do Maranho da Sertã decorre ininterruptamente desde 2011, tendo a autarquia participado em diversos eventos nacionais para dar a conhecer esta iguaria. Desenvolveu igualmente acções de sensibilização junto dos produtores locais, apoiando-os em distintas áreas de acção. Em 2014, existiam no concelho 17 empresas a produzir maranho, sendo que as sete maiores venderam 57 mil quilos de maranho durante todo esse ano, numa média de 157 quilos por dia numa indústria que engloba 101 postos de trabalho.

Durante o Festival Gastronómico do Maranho, são servidos muitos quilos desta iguaria por dia Foto: mediotejo.net

Porque é que a Sertã não é a Capital do Maranho?

A Câmara da Sertã não é ainda Capital do Maranho porque, segundo a vereadora Cláudia André, os concelhos vizinhos ( nomeadamente Oleiros e Proença-a-Nova) também têm maranho e não querem contribuir para uma política de má vizinhança. “A marca que registámos é Maranho da Sertã. A qualificação que estamos a fazer é Maranho da Sertã. Quem somos nós para dizer que o maranho é só nosso?”, explica. A vereadora acredita, no entanto, que o Maranho da Sertã é diferente de todos os outros, para melhor, claro. “Não há nada como as pessoas virem provar e decidir qual é o melhor”, atesta, considerando que o maranho contribui para movimentar não só a economia do concelho como de toda a região.

Prova disto são os dados recolhidos em 2014 junto das empresas produtoras de maranho (números aproximados) sendo que foram consumidos neste ano: 4115 quilos de presunto, 5136 litros de vinho, 4140 litros de azeite, 150 quilos de hortelã, 25.780 quilos de carne de cabra, 10494 quilos de arroz num total de 53 mil quilos de maranhos. “Números que mostram bem a importância que esta iguaria tem na economia da região”, sustenta.

Aos 12 anos já queria ser jornalista e todo o seu percurso académico foi percorrido com esse objetivo no horizonte. Licenciada em Jornalismo, exerce desde 2005, sempre no jornalismo de proximidade. Mãe de uma menina, assume que tem nas viagens a sua grande paixão. Gosta de aventura e de superar um bom desafio. Em maio de 2018, lançou o seu primeiro livro de ficção intitulado "Singularidades de uma mulher de 40", que marca a sua estreia na escrita literária, sob a chancela da Origami Livros.

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1 Comment

  1. Vão provar o maranho da Sertã, que é o melhor que há, e não se confunde com mais nada! :-)

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