Túnel com 50 km entre barragens do Cabril e Belver pode ser solução para regularizar caudais do Tejo Foto: DR

O problema da seca, do baixo nível das albufeiras e a proposta de um transvase entre a Barragem do Cabril e a de Belver, foram temas abordados na sessão da Assembleia Municipal da Sertã do dia 28.

O deputado Municipal Daniel Luís (PSD) começou por referir as três albufeiras que marcam o território da Sertã – Bouçã, Cabril e Castelo do Bode – um Concelho “intimamente ligado às reservas de água” em que a captação de água e a produção de energia, tornaram-se ativos económicos locais onde existem atividades desde a pesca, aos desportos náuticos ou o turismo.

Com a construção daquelas três barragens nos anos 50, parte do concelho da Sertã “passou a viver do rio e com o rio e dele retiram o seu sustento”, referiu o eleito, que se mostrou preocupado com os “níveis de água historicamente baixo”, “as incríveis imagens desoladoras que desenterram memórias passadas”.

Daniel Luís elencou os efeitos negativos que o “problema grave” do baixo nível da água tem na atividade turística, nos desportos náuticos, na qualidade da água. E questiona se foi só a falta de chuva é única causa para a “apelidada seca”, uma vez que se continuou a assistir a descargas de água para produção de energia elétrica.

Alertou para os problemas ambientais associados à baixa quota das albufeiras, que podem comprometer as captações de água se a situação não melhorar.

Após este enquadramento, o deputado social democrata criticou a proposta do Ministro do Ambiente que admite a construção de um túnel de 50 km de comprimento entre a barragem de Cabril e a barragem de Belver para transvase de água para o rio Tejo.

Na sua opinião, tal projeto “compromete severamente a sustentabilidade do concelho”, sendo uma “solução preocupante que pode por em causa o caudal do rio Zêzere”.

Depois de manifestar a sua frontal discordância com essa ideia, questionou “se o município foi consultado e se é conivente com isto”.

Em resposta, o presidente da Câmara concordou com a importância do assunto reconhecendo que o concelho depende em grande medida das águas das albufeiras.

Carlos Miranda (PS) procurou desdramatizar a situação, citando as garantias dadas pelos responsáveis ministeriais segundos os quais o abastecimento de água “está garantido pelo menos por um período de dois anos” porque, por exemplo, no caso do Castelo do Bode, o nível não pode baixar dos 106 metros.

O autarca lembrou as medidas tomadas em fevereiro pelo Governo de proibir a produção de energia elétrica nas barragens, reduzir os caudais ecológicos e proibir a captação de água para outros fins que não seja o de abastecimento público.

Preocupado com a seca, Carlos Miranda deu alguns exemplos de medidas tomadas para minimizar o problema como seja o corte do sistema de rega dos relvados. Ao mesmo tempo, a autarquia e grupos de voluntários estão a aproveitar o baixo nível da água para limpeza e manutenção das margens e dos acessos à albufeira, trabalho que enalteceu.

Quanto ao projeto de transvase do Cabril para o Tejo, o presidente da Câmara considera que é apenas uma proposta “no domínio das hipóteses”, ao mesmo tempo que defende “um sistema coerente de transvases e de armazenamento de água” a nível nacional.

José Gaio

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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