Autarcas preocupados com possibilidade de transvase de água do Cabril para o Tejo. Foto ilustrativa. DR

Os autarcas da Sertã, Oleiros, Pedrógão Grande e Pampilhosa da Serra manifestaram a sua preocupação ao Governo, com a possibilidade de haver um transvase de água da Barragem do Cabril para o rio Tejo.

Num comunicado conjunto enviado à agência Lusa, os quatro autarcas Carlos Miranda e Fernando Marques Jorge (respetivamente Sertã e Oleiros, no distrito de Castelo Branco), António Ferreira Lopes (Pedrógão Grande, Leiria), e Jorge Alves Custódio (Pampilhosa da Serra, Coimbra) manifestam “a sua preocupação” face à possibilidade de se construir um túnel para transvase da albufeira do Cabril para o rio Tejo, “tendo em conta os baixos níveis de água nesta albufeira nos últimos verões e, em especial, neste que decorre”.

Os quatro autarcas estiveram reunidos na segunda-feira, na Sertã, com o Secretário de Estado da Conservação da Natureza e Florestas, João Paulo Catarino.

“A reunião teve como objetivo apresentar as preocupações dos autarcas ao governante face à possibilidade de construção de um túnel de transvase de água do Rio Zêzere (a partir da Barragem do Cabril) para o rio Tejo (Barragem de Belver)”, lê-se no comunicado.

Na nota, os quatro autarcas salientam que “a referida obra constará do estudo de reforço da resiliência nas Zonas do Médio Tejo, elaborado pela Agência Portuguesa do Ambiente e que deverá ser posto a consulta pública em setembro”.

Questionam ainda “o interesse de se construir um transvase da albufeira do Cabril para o rio Tejo, colocando a água apenas a 30 quilómetros a montante do lugar onde a água do Cabril já chega naturalmente ao Tejo”, em Constância.

Os presidentes de Câmara querem que lhes seja dado conhecimento de todo este processo, em detalhe, e das soluções técnicas que vierem a ser propostas.

“Exigem ainda ser ouvidos na elaboração dessas mesmas soluções, e consultados na elaboração dos cadernos de encargos que vierem eventualmente a ser preparados”, refere o comunicado.

Defendem também que qualquer projeto que venha a ser implementado “deverá salvaguardar uma quota mínima para a albufeira do Cabril e outras a jusante”, que permita o uso múltiplo destas albufeiras, nomeadamente, “a captação de água para abastecimento das populações, a defesa contra incêndios e a utilização para fins turísticos, essencial para a economia local”.

Em dezembro de 2021, o então ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, garantiu que estavam a ser avaliadas duas soluções para resolver o problema da regularização do caudal do rio Tejo e que deviam ser construídas em conjunto.

Segundo o governante, uma das soluções para resolver o problema da regularização do caudal do rio Tejo, passava por construir uma ligação em túnel “da barragem do Cabril a Belver, sem qualquer transvase – estamos a falar dentro da mesma bacia hidrográfica – e que é essencial para podermos trazer água de um rio, onde nunca faltou a água, que é o Zêzere”.

A segunda solução era a criação de um reforço de capacidade armazenada, em barragem, no rio Ocreza.

Seca | Todas as bacias hidrográficas registaram em julho descida da água armazenada

A quantidade de água voltou a descer em julho nas bacias do Barlavento algarvio, com 11,4%, e do Lima, com 17,4. Desta forma mantêm-se como as que têm o menor volume armazenado, o que sucede desde o final do ano passado.

No último dia do mês de julho e comparativamente ao último dia do mês anterior verificou-se uma descida no volume armazenado em todas as bacias hidrográficas monitorizadas, indicam os dados do Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos (SNIRH).

Apenas cinco das 60 albufeiras monitorizadas, apresentavam disponibilidades hídricas superiores a 80% do volume total e 26 disponibilidades inferiores a 40% do volume total.

Só a bacia do Ave superava, no fim de julho, a média de armazenamento no período de referência (1990/91 a 2020/21).

No último dia de julho estavam também com menor disponibilidade de água as bacias do Cávado (36,4%), Mira (37,2%) e Sado (41,1%).

Já as bacias do Mondego (77,8%), Guadiana (66,3%) e Ave (59,2%) eram as que tinham os níveis mais elevados. A Bacia do Tejo estava a 51,9% da sua capacidade.

A cada bacia hidrográfica pode corresponder mais do que uma albufeira.

No fim de junho, mais de um quarto do território do continente estava em seca extrema (28,4%) e o restante território estava em seca severa (67,9%) e seca moderada (3,7%).

De acordo com o IPMA, existem quatro tipos de seca: meteorológica, agrícola, hidrológica e socioeconómica.

Agência Lusa

Agência de Notícias de Portugal

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado.