Foto: mediotejo.net

O Primeiro Ministro António Costa visitou esta sexta-feira o SerQ – Centro de Inovação e Competências da Floresta, na Sertã, no âmbito do Roteiro de Inovação. Após uma visita às instalações, o governante referiu na sua intervenção que a inovação é “o motor do desenvolvimento do nosso país” e “algo que existe e ajuda a valorizar todos os territórios. Pode e deve ser um fator de coesão”, mencionando o SerQ como exemplo-chave dos projetos que ajudam a criar riqueza e emprego, devolvendo vitalidade ao Interior do país.

Focando a prioridade do país no que toca à prevenção dos incêndios florestais, António Costa voltou a lembrar que “os incêndios de verão combatem-se no inverno, e combatem-se designadamente ordenando a floresta e limpando as matas”, mas para que este ciclo seja feito com sucesso é necessário que “as matas gerem o rendimento, pelo menos o necessário para que essa limpeza seja possível”.

Citando o Presidente da República, António Costa frisou que “nunca como este ano tem sido feito um esforço tão grande e uma mobilização tão grande de todo o pais para se fazer aquilo que há muitos anos já se devia ter começado a fazer”.

“É essencial que a floresta deixe de ser fator de ameaça à segurança dos territórios, à segurança das povoações e populações e à vida humana como foi no verão passado, e passe a ser uma fonte de rendimento que permita criar mais riqueza e mais postos de trabalho neste interior desvitalizado, que permita fixar postos de trabalho, fixar e criar emprego qualificado nestas regiões”, acrescentou, notando que o SerQ é exemplo de que tudo isto é possível.

Neste aspecto, o governante crê que tudo isto demonstra a capacidade da região do Interior do país em ultrapassar a “fatalidade de vivermos num círculo vicioso de despovoamento por empobrecimento, empobrecimento por despovoamento e desordenamento florestal por via do despovoamento e do empobrecimento”, considerando que “é possível devolver vitalidade a este território, é possível criar riqueza, emprego e vitalidade neste território, temos uma floresta que não é ameaça, mas uma das bases fundamentais da economia de toda a região”.

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Dando os parabéns ao autarca José Farinha Nunes, mencionou o papel da autarquia como exemplo de que atualmente as autarquias locais “não servem só as necessidades básicas das suas populações, sendo também os catalisadores, os líderes, da estratégia de desenvolvimento dos seus territórios”, e os principais responsáveis em “fazer as pontes, mobilizar instituições nacionais como o LNEC e a Universidade de Coimbra [associados ao SerQ], que têm por função produzir conhecimento, mas pôr também esse conhecimento à disposição da comunidade e ajudá-lo à sua aplicação no território”.

“Fazer a ponte entre as universidades que são centros de formação, investigação e produção de conhecimento que devem casar com agentes económicos locais de forma a que possamos dar um novo valor aos produtos endógenos deste território“, afirmou o Primeiro Ministro.

A comitiva, dirigida pelo diretor do SerQ, Paulo Farinha Luís, visitou as diversas valências do centro: fablab, sala de formação onde decorria uma formação de Sapadores Florestais, e a nave de investigação, na qual foi possível assistir a um dos muitos teste de elasticidade de madeira de pinheiro bravo, um dos testes possíveis de realizar naquele centro.

Por seu turno, José Farinha Nunes, presidente da Câmara Municipal da Sertã, começou a sua intervenção por focar os incêndios de 2017 referindo que com as atuais medidas tomadas no âmbito da limpeza e ordenamento florestal “permitam começar a minimizar os danos e a potenciar o rendimento da nossa fileira florestal. É urgente que isto aconteça”.

Referindo-se aos incêndios florestais como “calamidades” disse que estes se combatem “acima de tudo com organização territorial e com uma drástica redução da carga de combustível desnecessária e perigosa, isto é, com a disciplina do meio ambiente e da própria natureza” e reforçando a ideia de “combater os incêndios da forma mais eficaz – evitando-os!”.

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Relativamente ao SerQ, José Farinha Nunes referiu que aquele centro “está ao dispor para acolher novas responsabilidades e competências, disponibilizando-se sempre para contribuir para o progresso do País nas vertentes para o qual foi criado”.

Presidente da CM Sertã alerta para falta de recursos humanos para sucesso do projeto-piloto (BUPi)

José Farinha Nunes alertou durante o seu discurso para a falta recursos humanos para o projeto-piloto do cadastro dos prédios rústicos, referindo que já não é possível fazer marcações.

“O BUPi [balcão único do prédio, criado no âmbito do projeto-piloto] está a trabalhar, mas com uma dinâmica muito demorada porque os funcionários são insuficientes”, disse José Farinha Nunes, que falava não só na presença do primeiro-ministro, António Costa, mas também do ministro da Agricultura, Capoulas Santos. Segundo o presidente da Câmara daquele concelho, a marcação para a georreferenciação de prédios rústicos já está “completa até outubro”.

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Farinha Nunes defendeu a “contratação de mais pessoas para tornar o processo mais rápido e eficaz”, posição igual à do coordenador da Unidade de Missão para a Valorização do Interior, João Paulo Catarino, também presente nesta visita, que alertara no início da semana para o mesmo problema.

O projeto-piloto, que contou com a instalação de balcões únicos do prédio (BUPi), está a ser desenvolvido em dez concelhos: Alfândega da Fé, Caminha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Góis, Pampilhosa da Serra, Pedrógão Grande, Penela, Sertã e Proença-a-Nova.

Durante o discurso, José Farinha Nunes apontou também para outras situações que mereciam ser solucionadas, tais como a dificuldade de candidaturas a agricultores afetados por fogos que não os de 17 de junho e 15 de outubro e a falta de mão de obra para a limpeza das matas, recordando que a Sertã foi um dos concelhos afetados pelos grandes incêndios de Pedrógão Grande, em 17 de junho, e o de 15 de outubro de 2017.

 

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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