Uma ação de prospeção botânica no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC) identificou no final de abril uma planta até então nunca observada e registada em Portugal. A descoberta é do vigilante da natureza António Flor, que se encontra a explorar uma zona do PNSAC de difícil acesso e que nunca foi devidamente catalogada ao nível da flora. O PNSAC é uma área protegida criada em 1979 e abrange uma área de cerca de 39 mil hectares espalhados pelos concelhos de Alcobaça, Porto de Mós, Alcanena, Santarém, Torres Novas e Ourém.
A nova espécie para a flora de Portugal, cujo nome científico é Arenaria grandiflora L., ocorre no PNSAC quase exclusivamente em fendas de rochas calcárias, adianta informação do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). Contactado pelo mediotejo.net, António Flor esclareceu que será uma planta com uma população pequena, dada esta especificidade de nascer em zonas rochosas calcárias.
O especialista em botânica, que exerce funções na Direção Regional de Conservação da Natureza e Florestas de Lisboa e Vale do Tejo, explicou que estava a realizar uma investigação relacionada com geologia, geomorfologia, pedologia e solos da área do Maciço Calcário Estremenho quando lhe chamou a atenção uma determinada zona do PNSAC que nunca foi devidamente estudada, uma vez que é de difícil acesso. Teve assim a iniciativa de programar uma prospeção ao local.

“Quando vi a planta percebi logo que era uma espécie diferente”, afirmou. António Flor ainda se dedicou alguns dias a investigar a descoberta para confirmar a natureza do achado, tendo só então divulgado à comunidade científica.
“Uma boa parte das plantas com interesse para conservação têm populações significativas naquela área”, adianta o especialista. Esta já não é a sua primeira descoberta, tendo há alguns anos também identificado outra espécie.
“Sinto orgulho”, admitiu, considerando ser um achado importante. Esta zona do PNSAC continua em prospeção, preferindo o especialista não adiantar a localização concreta enquanto todo o trabalho não estiver concluído.
Localizadas no centro de Portugal, a cerca de 100 quilómetros a norte de Lisboa, as serras de Aire e Candeeiros são parte do Maciço Calcário Estremenho e, do sistema montanhoso Montejunto-Estrela.
Geologicamente, este é o local de eleição para encontrar os elementos típicos de uma zona calcária. Ao longo dos milénios os processos geomorfológicos moldaram a superfície macia do calcário, dando origem a grutas, pojes, algares, entre outras formações.
De entre a fauna existente, destacam-se os morcegos, mamífero noctívago que encontra nas grutas e algares um refúgio natural. As gralhas, os bufos e algumas águias, estão entre as aves que se podem avistar no parque.
Para além das muitas oliveiras plantadas pelo Homem ao longo dos séculos, a flora destas serras é rica em espécies selvagens e endémicas. Destacam-se algumas plantas aromáticas cujo cheiro se espalha pelo ar nos meses de Primavera e Verão. Entre elas estão o alecrim, a pimenteira ou o rosmaninho.


