Por absoluta coincidência a minha primeira crónica aqui publicada no mediotejo.net foi sobre os benefícios, no meu entender, sobre as vantagens de uma inequívoca aproximação e coerência entre as políticas culturais e as políticas de desenvolvimento turístico.
Dias volvidos o País é agradavelmente surpreendido pela ação do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) ao lançar uma iniciativa de âmbito nacional para angariação de fundos visando a aquisição de uma obra maior da pintura portuguesa. A “Adoração dos Magos” de Diogo António Sequeira, pintor português que viveu entre 1768 e 1837.
Este quadro integra o conjunto de quatro quadros do mesmo autor e que se encontram como espólio de uma coleção particular. Conjunto conhecido por “série Palmela” e que pertencem a descendentes dos Duques de Palmela. A “Adoração dos Magos” custará ao MNAA 600 mil euros. E é por este valor que foi lançado este primeiro apelo à nossa Cidadania.
Se cada um de nós der um simples euro talvez seja para breve a felicidade de termos uma sala neste magnífico museu dedicada à dita “série Palmela”.
Um euro é, na nossa vida, menos um bolo, menos uma cerveja, menos meia dúzia de cigarros. O que significa, que menos este euro na nossa vida é ter mais saúde e ter mais beleza feita orgulho no tornar público o que de excecional há no património artístico português.
O jornal Público, parceiro do dito museu nesta iniciativa, publicou um extenso e elucidativo artigo na sua edição de 28 de outubro, que podemos recuperar no seu acervo on-line.
Um euro a troco de fazer de Portugal o que é português.
Um euro por mim e por portugueses que querendo contribuir não podem.
Um euro como forma de enriquecer a notoriedade artística de Portugal perante os milhares de turistas que todos os anos visitam o Museu Nacional de Arte Antiga.
Um euro, simplesmente, para sermos mais felizes.
Fotografia: Pintor paisagista alemão.
Música: Concerto n.º 5 de Beethoven, conhecido pelo “Concerto do Imperador” já que o compositor o dedicou a Napoleão. Dedicatória que depois retirou, desiludido. O nosso pintor Sequeira também foi um simpatizante das ideias liberais da Revolução Francesa. Para o ouvir, aconselho a versão histórica inesquecível Claudiu Arrau com a orquestra de Dresden, dirigida por Sir Colin Davis. Em alternativa e mais fácil de encontrar: Alfred Brendel ao piano com a Filarmónica de Viena, dirigida por Sir Simon Rattle.
