Semana Santa em Sardoal recria cenários de fé e tradição de grande envolvência popular. Foto: CMS

“É sempre um momento muito alto para a nossa comunidade, de grande fé e religiosidade, para quem é crente, e também momento de afirmação cultural do nosso património material e imaterial, de grande beleza, e que importa preservar”, disse Miguel Borges , presidente da Câmara Municipal de Sardoal.

A Semana Santa do Sardoal, que deu início às cerimónias religiosas no dia 26 de março com a procissão dos Passos do Senhor, apresenta até domingo de Páscoa as igrejas e capelas enfeitadas com pétalas de flores, recreações teatrais, música e exposições alusivas à época, ao mesmo tempo que decorrem várias procissões, com a dos Fogaréus, na noite de quinta-feira, a 6 de abril, a ser a mais participada.

“É um cenário de fé e tradição que reflete a devoção histórica desta comunidade”, disse Miguel Borges, classificando como “peças únicas” os tapetes de flores naturais que enfeitam o chão dos templos no concelho, decorados por uma equipa, por uma associação ou por um grupo de habitantes que se oferece para o efeito.

ÁUDIO | MIGUEL BORGES, PRESIDENTE CM SARDOAL:

Miguel Borges adiantou que as tarefas de ornamentação das igrejas e das capelas “prolongam-se por toda a noite de quarta-feira, envolvendo cristãos e não cristãos, agnósticos, não praticantes, jovens e gente de todas as idades”, num período que une as pessoas do concelho e atrai milhares de visitantes.

Capela de Nossa Senhora do Carmo, em Sardoal, com os tradicionais tapetes de flores da Semana Santa. Foto arquivo: mediotejo.net

“Os valores da fé e da tradição assumem nesta época características que nos diferenciam de outras comunidades e regiões porque, muito para além do religioso, são pilares da nossa história, da nossa cultura, e são também referências muito fortes na população do nosso concelho”, enfatizou.

Envolta em ambiente de algum misticismo, refletido no silêncio da multidão ao longo de todo o percurso, a Procissão do Senhor da Misericórdia (ou Fogaréus), que decorreu na noite de quinta-feira, 6 de abril, “é a manifestação religiosa de maior relevo e impacto pela multidão de pessoas que nela participam”, destacou ainda Miguel Borges, para quem “vivenciar esta experiência” é um “momento inesquecível”.

Durante esta procissão, a eletricidade da rede pública é desligada nas artérias por onde passa o cortejo, apenas iluminadas pela luz de velas, archotes e candeias.

Procissão dos fogaréus, no Sardoal. Foto: Paulo Jorge de Sousa

Centenas de lanternas de vidro são colocadas acesas nas janelas das casas, varandas e sacadas ao longo do percurso e milhares de lamparinas de azeite e cera seguem ao compasso das marchas fúnebres da Filarmónica União Sardoalense.

A Irmandade da Santa Casa da Misericórdia do Sardoal conduz o cortejo envergando capas negras e os seus membros seguram painéis com imagens que representam cenas da Paixão de Cristo e grandes archotes a que chamam, pela sua antiguidade, fogaréus.

Depois da Procissão do Senhor da Misericórdia ou Fogaréus, na sexta-feira, às 19:00, a vila de Sardoal acolhe a Procissão do Enterro do Senhor.

As Irmandades da Vera Cruz, da Santa Casa da Misericórida e a do Santíssimo Sacramento participam nesta celebração que termina com o Enterro de Cristo, na Igreja Matriz.

Domingo de Páscoa, às 09:30, inicia-se a Procissão da Ressurreição.

Durante a Semana Santa, as ruas da vila são atapetadas com flores e verduras e nas janelas de muitas casas são penduradas colchas, criando um ambiente solene e festivo. No âmbito do programa complementar estão patentes ao público duas exposições no Centro Cultural.

Uma do fotógrafo sardoalense Paulo Jorge de Sousa, com imagens a preto e branco da Semana Santa, e outra no âmbito do projeto Capela, direcionado para a comunidade escolar.

Procissão dos Passos do Senhor integra Semana Santa. Foto arquivo: Paulo Jorge de Sousa
Programa religioso
Paixão de Cristo pelo GETAS integra a programação complementar da Semana Santa de Sardoal. Foto arquivo: Paulo Jorge de Sousa
Programa complementar da Semana Santa

C/LUSA

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Agência de Notícias de Portugal

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