Tapetes com verduras e pétalas de flores são imagem de marca da Semana Santa de Sardoal. Foto: Paulo Jorge de Sousa/CMS

Milhares de pessoas são esperadas no Sardoal para as celebrações da Semana Santa, uma tradição que une moradores e instituições do concelho na recriação de cenários de fé e cultura.

“É um cenário de fé e tradição que reflete a devoção histórica desta comunidade”, disse à agência Lusa o presidente da Câmara de Sardoal, Miguel Borges, classificando como “peças únicas” os tapetes de flores naturais que enfeitam o chão dos templos no concelho.

Segundo o autarca, “são peças únicas que refletem a devoção” dos habitantes. “Cada templo é decorado por uma equipa, por uma associação ou por um grupo de habitantes que se oferece para o efeito”, acrescentou.

Semana Santa em Sardoal. Créditos: Paulo Jorge de Sousa

Miguel Borges adiantou que as tarefas de ornamentação das igrejas e das capelas “prolongam-se por toda a noite de quarta-feira, dia 16, envolvendo cristãos e não cristãos, jovens e gente de todas as idades”, num período que une as pessoas do concelho, ficando os tapetes de flores expostos entre 17 e 20 de abril.

A Semana Santa de Sardoal, que engloba um programa complementar com exposições, concertos e outros momentos culturais, iniciou com a Procissão dos Passos do Senhor, seguindo-se a dos Ramos, no domingo, dia 13, a dos Fogaréus (dia 17), e a do Enterro do Senhor (dia 18), culminando com a Procissão da Ressurreição, no domingo de Páscoa (dia 20).

A tradição das capelas e igrejas enfeitadas para visitar na Páscoa. Foto arquivo: CMS

ÁUDIO | MIGUEL BORGES, PRESIDENTE CM SARDOAL:

“Os valores da fé e da tradição assumem nesta época características que nos diferenciam de outras comunidades e regiões porque, muito para além do religioso, são pilares da nossa história, da nossa cultura e são também referências muito fortes na população”, disse Miguel Borges, destacando “uma altura de partilha, de grande convívio e de reencontro de fé, para quem é crente, mas também reencontro das famílias e dos amigos”.

Envolta em ambiente de algum misticismo, refletido no silêncio da multidão ao longo de todo o percurso, a Procissão dos Fogaréus, que vai decorrer esta quinta-feira, às 21:30, “é a manifestação religiosa de maior relevo e impacto pela multidão de pessoas que nela participam”, destacou ainda Miguel Borges.

Procissão dos Fogaréus é a mais emblemática da Semana Santa de Sardoal. Foto: Paulo Jorge de Sousa

Durante esta procissão, a eletricidade da rede pública é desligada nas artérias por onde passa o cortejo, apenas iluminadas pela luz de velas, archotes e candeias.

Centenas de lanternas de vidro são colocadas acesas nas janelas das casas, varandas e sacadas ao longo do percurso e milhares de lamparinas de azeite e cera seguem ao compasso das marchas fúnebres da Filarmónica União Sardoalense.

A Irmandade da Santa Casa da Misericórdia do Sardoal conduz o cortejo envergando capas negras e os seus membros seguram painéis com imagens que representam cenas da Paixão de Cristo e grandes archotes a que chamam, pela sua antiguidade, fogaréus.

Procissão dos Fogaréus é a mais emblemática da Semana Santa de Sardoal, Sardoal. Foto: Paulo Jorge de Sousa

Depois da Procissão dos Fogaréus, no dia seguinte, sexta-feira, às 19:30, a vila de Sardoal acolhe a Procissão do Enterro do Senhor.

As Irmandades da Vera Cruz e a do Santíssimo Sacramento participam nesta celebração que termina com o Enterro de Cristo, na Igreja Matriz.

Domingo de Páscoa, às 10:00, inicia-se a Procissão da Ressurreição.

Durante a Semana Santa, as ruas da vila são atapetadas com flores e verduras e nas janelas de muitas casas são penduradas colchas, criando um ambiente solene e festivo.

As celebrações têm início em Sardoal duas semanas antes da data fixada pelo calendário litúrgico para a Páscoa, com a “Procissão dos Passos”, e encerram 50 dias após o Domingo de Páscoa, com a “Festa do Espírito Santo” ou “Festa do Bodo”.

A Semana Santa e Festa do Espírito Santo em Sardoal foi inscrita em 2023 no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.

c/LUSA

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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