Foto: CMO

A Semana da Saúde Mental, iniciativa promovida pela Câmara de Ourém, iniciou na quinta-feira no teatro municipal, espaço que acolheu diversos profissionais da área e representantes da comunidade para assistir a um conjunto de comunicações integradas no Fórum da Saúde Mental.

Até 28 de maio, são várias as atividades dirigidas aos profissionais de saúde e da área social, assim como à comunidade educativa, que com o envolvimento da comunidade pretendem fomentar e incentivar práticas que promovam a saúde mental.

Com a premissa base de discutir e construir soluções para as problemáticas identificadas, abordando temas atuais e sensibilizando a comunidade para a importância da saúde mental, a sessão principiou com as intervenções das entidades oficiais.

Casimiro Ramos, presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo, identificou a saúde mental como uma área prioritária não só a nível nacional, mas também internacional, dando como exemplo a constituição da Equipa de Saúde Mental do Médio Tejo, equipa comunitária que com três anos de existência tem “reconhecidamente tido um impacto relevante junto da comunidade”.

Durante a sua intervenção, alertou ainda para o “aumento exponencial de consultas que se tem verificado e para as limitações de intervenção inerentes a uma equipa com recursos limitados”, mas assegurou a “continuidade deste serviço no nosso território”.

Enquanto presidente do Conselho de Administração da ULS da Região de Leiria, Licínio Carvalho realçou a recente constituição de uma equipa comunitária de saúde mental para a infância e para a adolescência, enquanto “contributo para um trabalho mais direcionado e capaz de responder às necessidades efetivas de todas as faixas etárias”.

Com estas iniciativas, Licínio Carvalho acredita que se está a “contribuir para o cumprimento da reforma dos serviços de saúde, onde a intervenção comunitária e descentralizada é decisiva para uma resposta eficaz às populações”.

Luís Miguel Albuquerque finalizou as intervenções oficiais com um agradecimento a todos os funcionários que possibilitaram a realização da Semana da Saúde Mental, assim como ao trabalho desenvolvido pela Equipa de Saúde Mental do Médio Tejo que, reiterou o presidente, “deverá continuar a proporcionar o acompanhamento necessário aos oureenses, porque os dados apurados comprovam a sua relevância e pertinência”.

O autarca recordou ainda as recentes competências assumidas pelo município na área da saúde e da ação social, procedimento de descentralização que, “apesar das suas especificidades, traz benefícios para todos e resultará na melhoria da prestação de cuidados de saúde e na definição de respostas sociais mais ágeis e eficazes”.

A primeira comunicação do dia foi dedicada à temática “Ansiedades Parentais”, dinamizada pela assistente social e terapeuta familiar, Patrícia Calado. Durante a sua intervenção foram abordadas as diferentes abordagens à parentalidade, “com reflexos na saúde mental dos pais e das crianças, muitas vezes influenciadas pelas representações “fictícias” com que interagimos diariamente”.

Ainda no período da manhã, foi apresentada a dissertação “Como ajudar as crianças a lidar com o luto?”. A psicóloga clínica Patrícia Ruivo apresentou um conjunto de conceitos que contribuem para o esclarecimento e desmistificação de temas invariavelmente complexos como a morte, reconhecendo a pertinência e consequências do luto infantil.

As abordagens possíveis para um eficaz acompanhamento de uma criança em processo de luto, as diferentes formas de luto e processos de perda, foram algumas das temáticas discutidas, complementadas com uma salutar troca de ideias com a plateia.

O período da tarde teve continuidade com a comunicação “Amor e Sexualidade no Envelhecimento”, dirigida pela psicóloga clínica Ana Gomes. A oradora procedeu ao “extermínio de alguns dogmas que subsistem relativamente à atividade sexual na terceira idade”, com o enfoque centrado num envelhecimento saudável onde a individualidade e as necessidades afetivas das pessoas são respeitadas e valorizadas.

O Fórum da Saúde Mental encerrou com a intervenção da pedopsiquiatra e psicoterapeuta Manuela Soares, que teve como tema “Por detrás dos comportamentos autolesivos”. A comunicação versou sobre os tipos, as causas e as abordagens possíveis, para quem acompanha pessoas com tendência para comportamentos autolesivos, “realidade que tem verificado um crescimento exponencial nas gerações mais novas e que pode conduzir, em última instância, ao suicídio”.

Dando continuidade à programação definida para a Semana da Saúde Mental, o Parque da Cidade António Teixeira recebe esta sexta-feira a Caminhada pela Saúde Mental, iniciativa que vai contemplar atividades desportivas como jogos tradicionais, boccia, tiro com arco, musicoterapia, yoga, karaté, defesa pessoal e zumba.

A Semana da Saúde Mental encerra no dia 28 de maio, com a realização de entrevistas a profissionais da área que serão transmitidas em direto na rádio ABC Portugal.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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