O calor abrandou e a chuva ainda ameaçou cair, mas São Pedro deu tréguas na sexta-feira, 13 de outubro, e assim arrancou mais uma edição da tradicional Feira de Santa Iria, no concelho de Tomar.
À semelhança da edição anterior, a feira que se realiza já há mais de quatro séculos estende-se por toda a cidade de Tomar. Das margens do rio Nabão, à rua dos Arcos que, por estes dias deu lugar à rua do Comércio e culminando na Várzea Grande, os visitantes têm à sua disposição o habitual parque de diversões, tasquinhas, artesanato, feira das passas, exposição de máquinas agrícolas, produtos locais e uma mostra associativa.
Marcavam as 18h00 de sexta-feira, 13 de outubro, quando a Feira abriu oficialmente as suas portas aos visitantes. A inauguração decorreu nas instalações do Mercado Municipal, onde a comitiva composta por elementos do executivo municipal e da Assembleia Municipal iniciaram uma visita pelos vários setores.
O percurso iniciou-se com uma prova gastronómica realizada no âmbito da 22ª edição da mostra “Feijão com Todos”, que decorre até ao final do presente mês nos 20 restaurantes aderentes no concelho de Tomar.
Na ocasião, o autarca tomarense, Hugo Cristóvão, começou por lembrar uma feira que “se vem realizando há cerca de 400 anos” e sublinhou um “cumprir da tradição, tradição essa que vai naturalmente evoluindo e acompanhando os tempos conforme as possibilidades e as vontades”.
ÁUDIO | Hugo Cristóvão, presidente da Câmara Municipal de Tomar
Relativamente ao espaço em que iniciaram o percurso, o edil explica que para a edição deste ano do certame se procurou associar à iniciativa “Feijão com Todos” e mostrar “um pouco daquilo que os restaurantes aderentes do nosso concelho têm para degustar e oferecer os tomarenses e a todos aqueles que nos visitam”.
De seguida, a comitiva visitou o trabalho dos alunos do Jardim de Infância e do 1º Ciclo de ambos os agrupamentos de escolas do concelho. Para a edição deste ano, os mais novos pintaram um mural que poderá ser visitado nas paredes edifício do Mercado Municipal, alusivo à Feira de Santa Iria.







“Mostra a evolução que fizemos acerca da participação das crianças. Se se recordam, a participação das crianças das nossas escolas relacionava-se com a produção de trabalhos escolares. Este ano inovou-se também um bocadinho e pretendeu-se deixar uma marca mais perene no Mercado Municipal com a elaboração coletiva do mural”, explicou Hugo Cristóvão
Para a vereadora Filipa Fernandes tem a representatividade daquilo que é a alma e a história da Feira de Santa Iria. “Desde a procissão onde temos o lançar das pétalas ao rio, a representação das castanhas, das farturas, da feira das passas, depois passamos para o algodão doce e para aquilo que são os divertimentos da feira. Portanto, neste moral, está a essência da Feira de Santa Iria aos olhos de quem a vive: os mais novos”.
Abertas as “portas da Feira”, a comitiva partiu numa visita pelos setores do certame, dando as boas-vindas àqueles que participam pela primeira vez e saudando aqueles que são presença habitual no evento.
Quem passa pela cidade nestes dias não fica indiferente ao mar de cor que se encontra estacionado nas imediações do Mercado Municipal, junto à ponte do Flecheiro. A animação musical e os gritos de divertimento que se fazem ouvir antecipam um vasto conjunto de carrosséis e diversões que prometem agradar a miúdos e graúdos.
A rua dos Arcos que, até dia 22 de outubro adotou a designação de rua do Comércio, tem artigos para agradar a toda a procura. Dos têxteis, às malas, passando pelo calçado, acessórios e comércio indiano, são dezenas os stands presentes no certame.
É junto à Várzea Grande que os visitantes encontram o mais variado artesanato. Do nacional ao africano, artigos produzidos localmente e de forma manual pelos artesãos que por estes dias terão os resultados das suas produções em destaque.
Sinónimo da Feira de Santa Iria é também a tradicional feira de frutos secos que dá a conhecer o que de melhor se produz pela região e no país. É na “Feira das Passas” que, para além dos figos secos, se podem comprar as castanhas, nozes, amêndoas, cajus, avelãs, etc. Além disso, comercializam-se ainda artigos de produção local e regional, como o mel e os licores.
Em frente ao Tribunal, no centro da grande praça, para além da exposição de viaturas e máquinas agrícolas, os visitantes podem ainda degustar todo o tipo de doces tradicionais e regionais. Este é também o ponto de encontro para as artes e ofícios, produtores locais e produtos de gastronomia como o queijo, os enchidos e o presunto. O aroma que se ente no ar não engana e para dar a conhecer as iguarias são também várias as tasquinhas espalhadas pelo recinto.
Para Filipa Fernandes, vereadora na CMT, o regresso da feira a todos entusiasma “porque a todos nós diz respeito enquanto tomarenses”.
“O que eu desejo é que usufruam de todos os espaços que a feira tem para oferecer, seja de convívio, gastronómico ou cultural. A nível cultural, como já foi referido, apresentamos uma programação bastante eclética para todos os gostos e idades. Apresentamos projetos locais e projetos nacionais, dando assim a oportunidade de tornar a feira mais jovem, mais próxima e que agrade a todas as faixas etárias”.
ÁUDIO | Filipa Fernandes, vereadora na CMT
Ao final da noite a animação musical é assegurado no palco da Várzea Grande por Pedro Mafama, D.A.M.A, Sons do Minho e Sai do Chão – Tributo a Ivette Sangalo (seguidos dos djs Bombatuke, Sara Santini, Dupla Mete Cá Sets e I Love 90’s). Os concertos são de entrada livre.
Na noite de sexta-feira, dia 13, teve lugar o tributo a Ivette Sangalo com o grupo Sai do Chão e I Love the 90’s. No sábado, dia 14, subiram ao palco Pedro Mafama e Bombatuke. O domingo, 15, ficou reservado para o espetáculo dos Drama & Beiço.

Seguiram-se, na segunda-feira, dia 16, uma noite de fados (às 21h30) e na terça, à mesma hora, noite de ranchos folclóricos. Na quarta, foi a vez da Banda T e dos Pão de Ló Gijéis Sete. Na quinta será a vez de ‘Kontra Relógio’ (às 21h30) e dos ‘Sede’ (23h15).
Dia 20, sexta-feira, é dedicado à padroeira e dele faz parte o momento mais emblemático das festividades, com a procissão de Santa Iria, nessa manhã, que culminará com o lançamento de pétalas ao rio, na Ponte Velha, por parte das crianças. À noite, haverá atuação de Sons do Minho (22h30) e da Dupla Mete Cá Sets (00h15).
A noite de sábado, dia 21, trará o concerto dos D.A.M.A (às 22h30) e a atuação de Sara Santini (00h15); fechando o programa musical com o aniversário da Rádio Cidade de Tomar, no domingo, às 15h00.
O autarca de Tomar lembrou ainda os habituais constrangimentos que considerou necessários à realização do certame. “Como qualquer evento que acontece numa cidade e no interior de uma cidade, há sempre constrangimentos, sejam da circulação de trânsito, no estacionamento, no ruído, há sempre constrangimentos como sempre houve. A alternativa seria não fazer e isso com certeza nenhum de nós queria”.
Aos tomarenses deixou um pedido de “paciência e a tolerância habitual” para com os dias de “festa, de feira e de negócio, porque no fundo é tudo isso que se deseja: a complementaridade entre os que vivem destas coisas e os que usufruem enquanto animação e convívio”, concluiu Hugo Cristóvão.








Secular evento no concelho templário, a Feira de Santa Iria é uma das mais antigas da região e teve um papel preponderante, no passado, para garantir o abastecimento da população de produtos e materiais a que não conseguia aceder de outra forma. Hoje é completamente diferente o seu peso comercial, mas continua a ser um marco no calendário dos tomarenses.
A autarquia, nos últimos anos, tem vindo a adaptar o certame, quer na programação, quer na localização das diversas valências. Com um site próprio, em www.feirasantairia.pt é possível ver em detalhe toda a programação cultural, com muitas atividades a decorrerem em todos os dias da feira.
No que se refere às localizações, o recinto do Mercado acolhe o parque de diversões e as tasquinhas; no passadiço junto à Casa dos Cubos estarão os espaços de gastronomia e associativismo; na Rua dos Arcos, o comércio em geral; no estacionamento lateral do Palácio da Justiça, a nascente, a Feira das Passas; por trás do Tribunal, artesanato; em frente, automóveis e máquinas agrícolas; e na ampla praça da Várzea, além do palco principal, os produtos locais e regionais, street food e bares das coletividades.










































































