Obras no Convento de Cristo, em Tomar. Foto: Rafael Ascensão/mediotejo.net

A Janela Manuelina do Convento de Cristo, em Tomar, encontra-se em processo de restauro no âmbito de uma empreitada de um milhão de euros, a concluir no prazo de um ano, que vai retirar a “biocolonização” excessiva de forma a permitir devolver “a plena leitura, iconográfica e decorativa”, disse a secretária de Estado da Cultura, Isabel Cordeiro, durante uma visita às obras.

O Convento de Cristo, classificado como Património Mundial pela Unesco em 1983, vai ainda beneficiar de um investimento de 4.4 milhões de euros no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), a executar até 2025, que permitirá reabilitar o Paço Henriquino e Alcáçova / Castelo, o Jardim, os Claustros, a Torre da Condessa e o corpo das Necessárias.

A primeira fase desta ação de conservação e restauro – que vai abranger as fachadas e coberturas da igreja do Convento de Cristo, o que engloba a Charola Templária (séc. XII) e a Nave Manuelina (séc. XVI), e onde se encontra a “mundialmente famosa” Janela do Capítulo – é, no entendimento de Isabel Cordeiro, de uma relevância “tremenda”, uma vez que vai permitir restaurar e conservar “elementos escultóricos de extraordinária importância para o entendimento deste momento absolutamente único em Portugal, que preserva características de autenticidade e de excecionalidade”. 

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A “delicada” intervenção já iniciada vai permitir retirar “a biocolonização excessiva que ao longo de séculos se acumulou nestes extremamente intrincados elementos pétreos e escultórios, devolvendo-lhes a plena leitura, iconográfica, decorativa, e portanto permitindo uma fruição e um entendimento muito mais imediato do monumento”, explicou a Secretária de Estado da Cultura.

Em conferência de imprensa, no dia 18 de julho, João Carlos Santos, por parte da Direção Geral do Património Cultural (DGPC), referiu que o objetivo “é não só a conservação e restauro de elementos pétreos, repondo índices de competência estética dos diversos elementos construtivos em causa, como corrigir situações anómalas que têm provocado perdas de leitura e danos materiais em áreas adjacentes”.

A Secretária de Estado da Cultura com a presidente da Câmara de Tomar, no Convento de Cristo. Fotografia: mediotejo.net

A intervenção, que surge na sequência de uma ampla e continuada programação de investimentos no restauro e reabilitação dos imóveis afetos à DGPC, nomeadamente daqueles que integram a lista do Património Mundial da UNESCO, representa um investimento total na ordem de um milhão de euros (IVA incluído), sendo suportado em 85% por fundos comunitários do Centro 2020 e em 15% de verbas nacionais, através da Direção Geral do Património Cultural (DGPC).

Tendo sido consignada a 6 de junho 2022, a obra tem um prazo de execução de 365 dias, sendo os trabalhos realizados pela firma STB – Reabilitação do Património Edificado, Lda., fiscalizados pela firma 44 Engenharia.

Janela do Capítulo, no Convento de Cristo, em Tomar. Fotografia: mediotejo.net

Isabel Cordeiro sublinhou ainda o facto de ser possível ao público acompanhar o decorrer da intervenção, num género de obra aberta – graças à junção de esforços de várias equipas de especialistas, do Instituto Politécnico de Tomar (IPT) e dos especialistas da DGPC. “Vai ser possível assistir em determinados momentos a alteração que se vai processando”, algo que considera ser de “extraordinária apetência para o público”.

“Esta é uma intervenção bastante abrangente, bastante grande, bastante complexa também, de tal forma que acaba por ter um contributo para a história da conservação e restauro em Portugal”, defendeu ainda a Secretária de Estado da Cultura.

João Carlos Santos deu ainda a conhecer que, do montante global de 150.490.000,00€ oriundo do PRR, foi atribuído à Direção Geral do Património Cultural um valor de 89.771.250,00€ com vista à requalificação e conservação de 28 equipamentos que incluem os Museus, Monumentos Palácios (MMP) e Laboratórios de que lhe estão afetos.

A taxa de financiamento do investimento é de 100%, sendo que o Convento de Cristo vai beneficiar de um investimento total de 4.445.000,00€, que tem de ser executado até ao final de 2025.

Neste sentido, vai ser feita a reabilitação do Paço Henriquino e Alcáçova / Castelo e a requalificação do Jardim (€2,25 milhões de euros), a conservação e restauro dos Claustros (1,25 milhões de euros) e a conservação e restauro da Torre da Condessa e do corpo das Necessárias (150 mil euros).

A intervenção de reabilitação do Paço Henriquino e Alcáçova / Castelo e requalificação do Jardim, conforme foi frisado pelo representante da DGPC, vai permitir uma “nova acessibilidade universal ao convento e ao castelo templário”, podendo assim ser feitas visitas separadas.

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Andreia Galvão, diretora do Convento de Cristo, começando por frisar que não tem conhecimento de já ter sido feita “uma intervenção destas” de restauro e conservação, afirmou que já foram feitas experiências que permitiram obter informação “muito importante e relevante sobre a camada pétrea, sobre a parte orgânica” que cobre o monumento, o qual “sofre” com a rocha com que é composto, de calcário.

“Às vezes digo que é um grande gigante com pés de barro, no sentido em que de facto é uma coisa monumental, extraordinária, mas de facto o tipo de pedra das pedreiras aqui à volta que foi utilizado é ele próprio uma fragilidade”, disse Andreia Galvão, defendendo que por esse facto estes monumentos precisam de uma manutenção e conservação “continuada”, para que nunca se chegue “a este ponto”. 

O Convento de Cristo recebe cerca de 400 mil visitantes por ano, salientando a sua diretora que, até agora, o número de visitantes é superior ao período pré-pandemia, algo que “é muito interessante e relevante para este monumento”.

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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