O Centro Cultural Gil Vicente voltou a ser ponto de encontro entre a música que passa da ponta dos dedos de quem sabe tocar para as memórias de quem gosta de ouvir. O palco recebeu seis concertos num programa de três dias, entre 10 e 12 de dezembro, com músicos de Portugal, Hungria, Noruega, Rússia e República da Coreia. Estivemos presentes na última data e partilhamos os sons que se ouviram no Sardoal, mas que podiam ter ecoado em qualquer parte do mundo.
O Sardoal voltou a afirmar-se enquanto concelho ligado à mestria internacional no “Sardoal ao Piano”, que decorreu no Centro Cultural Gil Vicente entre os dias 10 e 12 de dezembro. Ao longo de três dias o piano conheceu as pontas dos dedos da norueguesa Marina Kan, da russa Evgenya Antonova, da coreana Yeon-Min Park e do italiano Ruben Micieli e reencontrou a húngara Monika Ruth Vida e o português Diogo Simões.
Ambos regressaram ao concelho depois de ali terem conquistado, em setembro, o Prémio Sardoal Novo Talento 2016 na primeira edição do Encontro Internacional de Piano, igualmente realizado no âmbito do protocolo assinado entre o município e a Academia Internacional de Música Aquiles Delle Vigne a 26 de janeiro. Foi o concerto desta pianista húngara que deu início ao programa com a interpretação de obras de Schumann, Ravel, Chopin e Prokofiev, tendo o palco sido partilhado nessa noite com Marina Kan e os sons de Franck, Delle Vigne, Scriabin, Paganini e Liszt.

O piano voltou a ser tocado por músicos premiados internacionalmente no domingo durante as atuações de Evgenya Antonova e Yeon-Min Park, tendo as escolhas recaído em Ravel e Liszt no primeiro momento musical da tarde e Medtner, Saint-Saëns, Liszt, Horowitz, Chopin e Barber no segundo. Os concertos noturnos regressaram no último dia com Bach e Ginastera a marcar presença no Centro Cultural Gil Vicente pelas mãos de Diogo Simões e Chopin pelas de Ruben Micieli.
Poucos minutos depois de testemunharmos o encontro ao piano entre os compositores alemão, argentino e franco-polaco e os pianistas português e italiano, falámos com Miguel Borges, presidente da Câmara Municipal do Sardoal, que destacou o “misto de gostar que as coisas se façam e de alguma ambição” que leva a “uma vila no centro de Portugal com quatro mil habitantes” aquilo que “acontece nos grandes centros”.

O autarca salientou as condições oferecidas pelo Centro Cultural Gil Vicente, obra que custou “milhões de euros”, que recentemente foram reforçadas com a aquisição de equipamento de cinema novo. A responsabilidade da autarquia ao contribuir para o papel da cultura “no desenvolvimento das sociedades” foi igualmente destacada e, neste momento, já se encontra a organizar o segundo Encontro Internacional de Piano, que se realizará na primeira semana de julho de 2017.
A qualidade internacional dos músicos que tocaram no Sardoal nos últimos dias levou Miguel Borges a referir que “podíamos fechar os olhos e estar em Sidney, Nova Iorque, Tóquio, Londres ou outra qualquer grande cidade do mundo e ouvir aquilo que de melhor se faz, ouve e toca ao piano”. Deixamos esse desafio aos leitores e partilhamos um excerto dos concertos da última noite do “Sardoal ao Piano”.
Para ouvir, claro, de olhos fechados. Boa viagem.
