Celebração de três décadas de atuação da TAGUS no Ribatejo Interior, numa apresentação do trabalho desenvolvido, em Sardoal. Créditos: Tagus

São 30 anos a apoiar, dinamizar e revitalizar o Ribatejo Interior. Em Sardoal, o anfitrião, Miguel Borges, começou mesmo por dizer que a Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior representa “o expoente máximo dos grupos de proximidade. O que seria do nosso território sem a TAGUS”, questionou o presidente de Câmara.

Passando aos números, a coordenadora técnica da TAGUS, Conceição Pereira, mostrou o que foi realizado em 30 anos. Foram “512 projetos aprovados, 24 milhões de euros de investimento total dos quais 14 milhões em comparticipação LEADER ao território”, referiu relembrando igualmente os programas de fundos LEADER II, LEADER +, ProDer, PDR2020, SI2E e +CO3SO.

Deu conta de serem ainda “seis milhões para assistência técnica, cooperação transnacional e nacional e animação territorial. Foram 78 os projetos do setor público (14 de estabelecimentos de ensino e 64 de autarquias; câmaras e juntas de freguesia), 400 projetos do setor privado (245 de empresas e 155 associações e coletividades), 189 postos de trabalho criados, mais de 600 postos de trabalho mantidos, 33 novas empresas, 40 novos produtos e 142 projetos de modernização de empresas (equipamentos, comercio online, novos processos de fabrico, eficiência energética, linhas de embalamento, etc)”.

Em Sardoal, em 30 anos, a TAGUS apoiou num investimento total de 3,92 milhões de euros, 2,37 milhões de euros de comparticipação em 93 projetos.

Designadamente apoiou a plantação e aquisição de equipamentos de olival e medronhal em Valhascos, pelo promotor Fernando Januário, com o objetivo de exploração de olivais e instalação de pomar de medronhos destinado à comercialização, a modernização da adega Vale do Armo em Sardoal, com o objetivo de aumentar a capacidade produtiva para triplicar a resposta e ter uma melhor eficiência energética, bem como conseguir maior eficácia no canal de vendas online, a par da modernização das instalações da Coopoval, Cooperativa Agrícola de Olivicultores de Valhascos, para aumentar a rentabilidade, capacidade de produção, competitividade no mercado e qualidade do azeite produzido.

A Tagus apoiou igualmente no concelho de Sardoal a modernização dos quiosques do Mercado de Santa Clara, da responsabilidade da Junta de Freguesia de Alcaravela, com o objetivo da modernização de infraestruturas existentes de mercados locais para ações de promoção e sensibilização para a comercialização de proximidade, que permitam escoar e valorização a produção local.

A Associação apoiou ainda a criação de emprego e dois postos de trabalho no Alojamento Porto d’Abrigo, em Sardoal. Tratou-se do arranque de uma nova área de negócio, expansão da empresa para alojamento local e ao mesmo tempo promover as sinergias com as atividades já existentes de café e restaurante.

Celebração de três décadas de atuação da TAGUS no Ribatejo Interior, numa apresentação do trabalho desenvolvido, em Sardoal. Créditos: mediotejo.net

Conceição Pereira referiu os “contributos de ação” da TAGUS, nestes 30 anos, designadamente a dimensão socioeconómica com criação de emprego, o desenvolvimento do complexo de atividades do turismo e lazer, o aumento da acessibilidade a serviços básicos, a melhoria da densidade do tecido económico local, e a melhoria da qualidade de vida.

Abordou também a dimensão sociocultural como a valorização do património rural e aumento da atratividade económica e social do território. A dimensão económico-territorial com a fixação da população nos territórios rurais, a transformação dos recursos endógenos em fatores de competitividade, o aumento da atratividade do território e potenciação de fatores de identidade.

A coordenadora da TAGUS referiu a cooperação entre os agentes económicos, com a cooperação e o trabalho em rede entre os poderes públicos e a sociedade civil. E por último o desenvolvimento de competências, com a formação e qualificação de técnicas de desenvolvimento e agentes do território.

Nesse sequência, a responsável indicou também as principais condicionantes de intervenção, como a desvitalização gradual das competências técnicas dos Grupos de Ação Local (GAL), em campos de intervenção específicos nos territórios e do seu protagonismo institucional, a eliminação da gestão autónoma e de proximidade, e o trabalho de dinamização territorial e construção de respostas de proximidade condicionado pela adoção de funções de gestão (burocracias, atos administrativos, auditorias, entre outros).

Falando do futuro, a coordenadora afirmou que o da TAGUS passa por encontrar diversos meios para a sua atuação multissectorial. Na apresentação da estratégia de desenvolvimento local até 2027 apontou as fragilidades e vulnerabilidades do território do Ribatejo Interior, entre os quais destacou os considerados “mais desafiantes e preocupantes” para a ação da Associação.

Foram apontados o abandono e despovoamento das zonas rurais com efeitos na descaracterização da paisagem e no declínio económico e demográfico, a pouca atratividade das atividades ligadas ao mundo rural, o envelhecimento da população, a fixação de comunidades de diferentes nacionalidades, a falta de mão de obra especializada, os efeitos das alterações climáticas, e a marca territorial inexistente ou fraca e vulnerável.

Celebração de três décadas de atuação da TAGUS no Ribatejo Interior, numa apresentação do trabalho desenvolvido, em Sardoal. Créditos: mediotejo.net

Está ainda na Estratégia de Desenvolvimento Local 2023-2027, como elementos âncora para promover o desenvolvimento e a coesão do território: floresta e agricultura; recursos naturais (solo produtivo, rios Tejo e Zêzere, entre outros); produtos endógenos e tradicionais (olival, vinha, cortiça, gastronomia ou artesanato); e cultura e património (património edificado, património imaterial ou artesanato).

O primeiro objetivo estratégico prende-se com desenvolvimento económico do território assente na digitalização, inovação e qualificação. E o segundo com a adaptação às alterações climáticas e sustentabilidade dos recursos. O terceiro com o equilíbrio demográfico, qualidade de vida, e inclusão e inovação social. E o quarto prende-se com um território competitivo externamente e coeso internamente.

ÁUDIO | CONCEIÇÃO PEREIRA, COORDENADORA DA TAGUS

Presente na comemoração dos 30 anos da TAGUS esteve Jorge Graça, da Quinta do Coro (Sardoal), tendo considerado a Associação como “um parceiro próximo e uma grande e crucial alavanca. Sem estes apoios e ajudas, não era possível fazer os grandes investimentos” implementados, disse, tendo exemplificado com os efetuados na adega e também na fábrica, da qual sai designadamente marmelada e figos pingo mel em calda.

Deu conta de existir “vontade” dos produtores de investirem e “criarem valor na sua região” e também da “vontade” da Tagus em apoiar os investidores.

Celebração de três décadas de atuação da TAGUS no Ribatejo Interior, numa apresentação do trabalho desenvolvido, em Sardoal. Créditos: mediotejo.net

As comemorações em Sardoal contaram igualmente com o presidente do Turismo do Centro de Portugal, Raul Almeida, que realçou o papel dos GAL na atividade do turismo, apoiando “os pequenos projetos desde a agricultura ao turismo rural”, havendo uma visão de “grande contributo” para a área do turismo.

Referiu os documentos orientadores europeus e nacional até 2030, onde se dá prioridade à “agregação de vários produtos”, onde entram os GAL: apoiar os empreendedores e produtores com projetos “que podem dar grandes contributos” para os objetivos da região do Centro, nomeadamente combater a sazonalidade.

ÁUDIO | PRESIDENTE DO TURISMO DO CENTRO, RAUL ALMEIDA

Também o presidente da Câmara Municipal de Sardoal, Miguel Borges, afirmou que a TAGUS “tem tido uma importância fundamental no nosso território”. O autarca exemplificou com o Espaço Cá da Terra – que completa 10 anos no próximo dia 6 de dezembro – , uma loja de produtos locais, dos três municípios: Sardoal, Abrantes e Constância, e que conta agora com uma loja online.

Por fim, lembrou alguns dos apoios da TAGUS no concelho como a recuperação dos Moinhos de Entrevinhas, no Centro de Interpretação da Semana Santa, em que a Associação comparticipou com 150 mil euros para os conteúdos e ainda o ‘Cantigas do Recreio’ dos GETAS, “quase no início da Tagus, que tem ainda um trabalho de divulgação e comunicação, “uma oportunidade cultural como forma de dar dinâmica económica à nossa região”.

ÁUDIO | PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE SARDOAL, MIGUEL BORGES

A TAGUS – Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior – é uma entidade de direito privado sem fins lucrativos. Foi constituída em 26 de novembro de 1993, fruto de uma parceria público-privada. Surgiu para dar resposta às necessidades de criação e aplicação de uma estratégia para o Desenvolvimento Local dos concelhos de Abrantes, Constância e Sardoal. É composta por entidades públicas e privadas da região.

A TAGUS tem como objetivo primordial a promoção, apoio e realização de um aproveitamento mais racional das potencialidades dos concelhos de Abrantes, Constância, Sardoal e concelhos limítrofes, tendo em vista o desenvolvimento rural em todas as suas componentes e a melhoria das condições de vida das populações residentes.

As comemorações dos 30 anos da TAGUS iniciaram na manhã de quinta-feira em Sardoal, passando depois por Constância e por Abrantes, onde foram destacados os investimentos ali efetuados, tendo os diversos oradores convidados realçado a importância da Associação na região e brindado ao futuro do mundo rural.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

Deixe um comentário

Leave a Reply