Procissão dos Fogaréus. Foto: Paulo Jorge de Sousa

Está de regresso a Semana Santa antes da Páscoa e após dois anos de interregno devido à pandemia de covid-19, embora em 2021 tenham decorrido cerimónias pascais, em Sardoal, num formato diferente. É nesta época que ganham relevo as tradições religiosas e de fé dos sardoalenses.

A Semana Santa é uma das épocas mais bonitas em Sardoal e está a ser preparada como num “ano normal” antes da pandemia, deu conta o presidente da Câmara Municipal de Sardoal, Miguel Borges, em declarações aos jornalistas à margem da reunião de executivo.

As capelas e igrejas da vila estarão abertas para mostrar os seus tapetes de flores, cuidadosamente elaborados por grupos de sardoalenses que criam tapetes à base de pétalas e verduras naturais, na sua maioria apanhadas no campo, com desenhos alusivos à Semana Santa e à Paixão de Cristo.

“A realização em articulação com a Igreja. É responsabilidade da Igreja e das diferentes paróquias, as procissões vão-se realizar como tradicionalmente as conhecemos. Depois os tapetes de flores, articulando com as entidades e os sardoalenses que normalmente fazem estes tapetes de flores, para que seja também uma realidade este ano”, disse o autarca.

Avançou que, tal como em anos passados, o Getas – Associação Cultural de Sardoal, o Grupo de Teatro sardoalense, apresenta sábado santo a peça de Teatro de Rua – “A Paixão de Cristo”, recriando ao vivo o percurso de Jesus Cristo a caminho do Calvário.

Foto: Paulo Sousa/CMS

Haverá, também, uma exposição com os painéis do século XVIII com cenas da Paixão de Cristo pertencentes à Misericórdia de Sardoal, “que saíam na Procissão dos Fogaréus levados pelos irmãos da Misericórdia. Com o tempo e com o horário das exposições, à noite, nas procissões, começaram a ter algum estado de degradação, foram recuperados, foram feitas cópias e são essas cópias que têm saído nos últimos anos. Mas os painéis originais vão estar expostos no Centro Cultural Gil Vicente”, explicou Miguel Borges.

O Centro Cultural Gil Vicente recebe também o Projeto Capela 2022. No âmbito do programa complementar da Semana Santa de Sardoal, o espaço Cá da Terra vai receber, de 1 a 30 de abril, a exposição “Projeto Capela 2022”.

Realizado há 19 anos, a mostra resulta num conjunto de trabalhos realizados pelos alunos do Agrupamento de Escolas do Concelho, alusivos aos tapetes de flores da Semana Santa. De entre os 64 trabalhos selecionados para a exposição, um será escolhido para ser elaborado no chão da Capela do Senhor dos Remédios.

Na inauguração da exposição, que terá lugar no dia 1 de abril, pelas 18h00, serão entregues os diplomas aos participantes do concurso.

O Projeto Capela é enquadrado pelo Agrupamento de Escolas de Sardoal e tem o objetivo de estimular a criatividade e sensibilizar para a importância de se manterem vivas as tradições no Concelho, envolvendo os alunos na Semana Santa e numa tradição secular.

Assim, a Procissão dos Passos do Senhor, celebração que inclui o Sermão do Encontro, na Praça da República, marcará o arranque das celebrações da Semana Santa, à semelhança das celebrações antes da pandemia de covid-19. A Procissão do Senhor da Misericórdia (ou dos Fogaréus) realiza-se na Quinta-feira Santa, num ambiente de escuridão iluminada pela luz de velas e archotes, no mesmo dia da cerimónia do Lava-pés e Trasladação do Santíssimo Sacramento.

Na Sexta-feira Santa decorre a Procissão do Enterro do Senhor. Esta Procissão sai em cortejo fúnebre, percorrendo as ruas da vila.

No Sábado santo “ao fim do dia, princípio da noite há sempre uma cerimónia que tem o seu interesse; a cerimónia do Lume Novo e do Sábado de Aleluia. Normalmente é uma cerimónia em que só os crentes costumam participar, mas tem rituais de grande beleza”, diz Miguel Borges.

Sardoal, Procissão do Enterro do Senhor, Sexta-feira Santa 2019. Foto: Paulo Jorge de Sousa

No dia de Páscoa, a 17 de abril, decorre a Procissão com o Anúncio Solene da Ressurreição do Senhor. A alegria pelo triunfo de Cristo Ressuscitado é retratada nesta procissão. As ruas da vila por onde a procissão passa ficam repletas de flores e verduras e nas janelas das casas são colocadas as colchas coloridas, criando um ambiente solene, mas de festa e alegria.

“A Procissão da Ressurreição a par da Procissão do Senhor da Misericórdia, são duas procissões que se diferenciam daquilo que normalmente é feito na nossa região e numa região mais alargada”, acrescenta.

ÁUDIO | PRESIDENTE DA CÂMARA DE SARDOAL, MIGUEL BORGES

Segundo o presidente da Câmara, a Filarmónica União Sardoalense acompanhará as cerimónias religiosas.

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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