Santa Casa da Misericórdia de Sardoal. Créditos: DR

A Santa Casa da Misericórdia de Sardoal voltou a falhar o pagamento do salário por inteiro aos trabalhadores no mês de dezembro de 2021. Após alguns meses em que a instituição pagou na integra os ordenados aos funcionários, e não em duas tranches como aconteceu até agosto, em dezembro todos os funcionários da Santa Casa receberam 250 euros de salário. Hoje a situação foi regularizada e as transferências, da parte do vencimento em falta, feitas, garantiu ao nosso jornal a vice-provedora, Arminda de Oliveira.

A situação de “dificuldade” financeira da Santa Casa da Misericórdia não é nova. O provedor da instituição, Anacleto Baptista, que renunciou ao seu mandato no final de outubro, já o havia confirmado ao nosso jornal e no que diz respeito ao pagamento dos vencimentos aos trabalhadores, a instituição esteve meses em incumprimento parcial do pagamento dos salários, tendo cumprido de “agosto a novembro” mas voltando a falhar em dezembro, confirmou Teresa Faria, do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e das Regiões Autónomas (STFPSSRA).

No dia 29 de dezembro de 2021 “em comunicado, sem falar com os trabalhadores, a administração informou que iria pagar, a todos, apenas 250 euros do salário, tendo pago também o subsídio de Natal”, disse a sindicalista.

Teresa Faria deu conta da insatisfação dos trabalhadores que “preferiam receber o vencimento por inteiro e apenas metade do subsídio de Natal ou não terem pago mas a administração entendeu assim”, afirmou. A dirigente sindical confirmou que “de agosto até novembro” os funcionários daquela instituição sardoalense receberam os ordenados por inteiro, mas em dezembro o salário foi novamente mais curto.

Contactada a vice-provedora, responsável pela instituição neste momento, uma vez que Anacleto Baptista se encontra doente, Arminda de Oliveira admitiu o pagamento dos salários aos trabalhadores de forma parcelar mas garantiu ao mediotejo.net que a situação salarial “foi hoje [dia 10 de janeiro] regularizada. Foram hoje feitas as transferências e não há salários em atraso”, disse.

Por seu lado, Fernando Moleirinho toma posse no próximo sábado, dia 15 de janeiro, como novo provedor da Santa Casa da Misericórdia de Sardoal, após as eleições realizadas no dia 18 de dezembro de 2021 para os órgãos sociais que renunciaram aos seus mandatos – ou seja, Mesa Administrativa e Conselho Fiscal. A eleição decorreu ainda para o vice-presidente da Mesa da Assembleia Geral.

Ao nosso jornal Fernando Moleirinho disse hoje estar “muito preocupado” com os trabalhadores. “Quem trabalha um mês inteiro e no fim recebe 250 euros não consegue pagar as despesas. Para muitos deles nem sequer dá para pagar a renda da casa”, lamentou.

E lamenta ainda que “até ao momento” em que prestou declarações ao mediotejo.net “não me tenha sido transmitida a situação financeira da instituição. Desconheço! E a esta altura já devia ter consciência” daquilo que vai encontrar e com o que terá de lidar a partir de sábado, criticou.

Com cerca de 80 funcionários e dezenas de utentes a Santa Casa da Misericórdia de Sardoal tem tido problemas de pagamento dos salários dos trabalhadores, tendo sido até identificada a necessidade de se proceder a um saneamento financeiro da instituição.

Recorda-se que a Santa Casa da Misericórdia de Sardoal é uma Instituição com mais de quinhentos anos de existência. Primeiro funcionou como Confraria de Santa Maria da Caridade e, em 1800, foi fundado o Hospital que viria a ser, durante mais de um século, um local de cuidados de Saúde no Sardoal.

Atualmente, a Santa Casa da Misericórdia contempla um Lar de Idosos, Centro de Dia, Unidade de Apartamentos Lúcio Serras Pereira, Apoio Domiciliário e serve refeições nas Cantinas Sociais.

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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