O Centro Cultural Gil Vicente, em Sardoal, recebeu no dia 23 de janeiro o fórum de abertura do projeto Dentes de Leão. Tratou-se de um primeiro encontro entre jovens, artistas, agentes culturais e parceiros. Trata-se de um projeto no âmbito das artes participativas que investe na população jovem do Sardoal e dos distritos de Santarém e Évora bem como nos agentes culturais destes territórios, com vista à sua valorização e sustentabilidade através de processos criativos, colaborativos, formativos e reflexivos.
Dentes de Leão é um projeto no âmbito das artes participativas que investe na população jovem de Sardoal, Évora e Lisboa, e em jovens artistas dos distritos de Santarém e de Évora e da Islândia. Promove a articulação dos recursos culturais, patrimoniais e humanos destes territórios, através de processos criativos colaborativos, formativos e reflexivos, tendo em vista a sua valorização e sustentabilidade.
Os Encontros de Jovens desenvolvem-se semanalmente entre janeiro de 2022 e março de 2023, e contam ainda com encontros mensais com os artistas selecionados, alguns deles agregados a momentos de abertura das Residências Artísticas. Os três grupos encontram-se ainda, entre si, cinco vezes ao longo do projeto.

Trata-se de um projeto concebido pela Materiais Diversos (Lisboa), a Pó de Vir a Ser (Évora) e a Culturgest (Lisboa), em colaboração com a Academy of the Senses (Reykjavik), o Município de Sardoal, o Município de Évora, a OsloMet (Oslo), o Instituto de História da Arte e o Instituto de Comunicação da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, a Universidade de Évora e a Assimagra.
O projeto Dentes de Leão configura um espaço colaborativo de criação entre jovens e artistas, através do desenvolvimento em paralelo de Encontros de Jovens semanais e de dez Residências Artísticas; um espaço formativo para artistas e outros agentes culturais através de três Laboratórios Artísticos e de um Curso de Artes Participativas; um espaço de programação através de apresentações em formato de Atelier Aberto (Évora) e de um Ciclo de Artes Participativas (Sardoal); e um espaço reflexivo, em colaboração com a academia, que contempla a criação de uma metodologia específica de monitorização e avaliação, um Fórum de Encerramento e uma publicação.

O processo de monitorização e avaliação, à semelhança de todo o projeto, é concebido numa lógica participativa entre todos os intervenientes, com a coordenação dos investigadores envolvidos.

JOVENS SELECIONADOS
Os jovens participantes no projeto assumem um papel “essencial” para a sua concretização, consideram os criadores do projeto. Seis desses jovens são do Médio Tejo, nomeadamente de Abrantes, Sardoal e Vila Nova da Barquinha.
Lista completa:
Ana Isabel David Cruz / 17 anos / Abrantes
Arthur da Fonte Maciel Moreira / 18 anos / Lisboa
Beatriz Cóias / 18 anos / Estremoz
Beatriz Oliveira / 17 anos / Vila Nova da Barquinha
Beatriz Silvano Espanca Bacelar / 16 anos / Évora
Carlota Figueiredo / 16 anos / Montemor-o-Novo
Carolina da Silva Esteves Soler Dias / 16 anos / Lisboa
Clara Ferreira / 17 anos / Évora
Diogo Filipe Martins Carboila / 17 anos / Sardoal
Fábio André Picão Pé Leve / 16 anos / Santana do Campo
Francisca Carvalhal / 18 anos / Beja
James Carlo Cruz David / 19 anos / Lisboa
Júlia Duarte Nunes / 15 anos / Lisboa
Julia Lavezzo Rodrigues / 16 anos / Lisboa
Lara Santos Barbosa / 14 anos / Sardoal
Levi Oliveira / 20 anos / Sintra
Lia Paladino Marins / 17 anos / Sintra
Mafalda Fernandes / 16 anos / Lisboa
Maria Beatriz Branco / 16 anos / Arraiolos
Maria Brito / 16 anos / Ervedal
Matilde Pereira Antunes / 15 anos / Lisboa
Murilo Oliveira / 17 anos / Abrantes
Nazaré Sousa / 15 anos / Lisboa
Núria Graça / 15 anos / Ilha da Boavista
Rafael Mateus / 15 anos / Évora
Sancha Paganini / 16 anos / Lisboa
Sara Campos (“Phoenix”) / 15 anos / Sardoal
Sara Soares / 16 anos / Terena
Sofia Grilo / 16 anos / Montemor-o-Novo
Sofia Sércio / 16 anos / Sintra
Os jovens são responsáveis por acompanhar os artistas durante os processos de criação, identificando questões e inquietações, pessoas-chave, lugares notáveis e histórias da comunidade, trazendo valor às propostas artísticas, e colaboram no desenvolvimento e avaliação dos projetos e na organização das apresentações públicas (Évora, Sardoal e Lisboa).
Em todo este processo, a mediação é o elemento central. Os jovens dos três territórios foram selecionados pela equipa de mediação, com base em critérios equiparados aos que estiveram na base da seleção dos artistas.

ARTISTAS SELECIONADOS
Durante o mês de dezembro, foram abertas candidaturas a artistas com idades até 40 anos, naturais ou residentes nos distritos de Évora e Santarém. A seleção foi feita com base na sua relação com os territórios do projeto, na motivação para desenvolver trabalho no âmbito das artes participativas e, em particular, do Dentes de Leão, na pertinência do projeto para o seu percurso e no potencial dos portfólios apresentados. O artista islandês, selecionado pela Academy of the Senses, foi convidado atendendo aos mesmos pressupostos, informa a organização em nota de imprensa.
Foram assim designadas 12 pessoas, com idades entre os 21 e os 39 anos, de diferentes campos artísticos:
Beatriz Pereira / 21 anos / natural de Torres Novas, vive em Lisboa
Beatriz Banha / 26 anos / natural de Évora, vive em Lisboa
Carlota Jardim / 26 anos / natural de Lisboa, vive no Porto
Eduardo Freitas / 31 anos / natural de Paraná, Brasil, vive em Évora
Filipa Jaques / 23 anos / natural de Évora, vive em Évora
Hugo Lopes / 22 anos / natural de Cabo Verde, vive na Chamusca
Luís Coelho Graça / 28 anos / natural de Santarém, vive em Santarém
Maria Abrantes / 23 anos / natural de Santarém, vive em Lisboa
Micaela Morgado / 26 anos / natural de Santarém, vive em Vila Nova de Gaia
Rodrigo Pereira / 29 anos / natural de Fátima, vive em Caxarias
Sara Anjo / 39 anos / natural do Funchal, vive em Lavre
Sindri Leifsson / 33 anos / Reykjavik
Através do Acordo sobre o Espaço Económico Europeu (EEE), a Islândia, o Liechtenstein e a Noruega são parceiros no mercado interno com os Estados-Membros da União Europeia. Como forma de promover um contínuo e equilibrado reforço das relações económicas e comerciais, as partes do Acordo do EEE estabeleceram um Mecanismo Financeiro plurianual, conhecido como EEA Grants.
Os EEA Grants têm como objetivos reduzir as disparidades sociais e económicas na Europa e reforçar as relações bilaterais entre estes três países e os países beneficiários. Para o período 2014-2021, foi acordada uma contribuição total de 2,8 mil milhões de euros para 15 países beneficiários. Portugal beneficiará de uma verba de 102,7 milhões de euros.

CALENDÁRIO DE ATIVIDADES
1) Encontros de jovens
2) Residências Artísticas
3) Laboratórios Artísticos
4) Curso de Artes Participativas
5) Ciclo de Artes Participativas
6) Fórum de Encerramento

1) Encontros de jovens
semanalmente, entre janeiro de 2022 e março de 2023
Évora, Sardoal e Lisboa
Os Encontros de Jovens são um dos fios condutores do projeto. Com diferentes fisionomias e intencionalidades sociais e artísticas, têm no seu todo o propósito comum de envolver grupos de jovens dos 15 aos 18 anos em processos artísticos de participação ativa, não instrumentalizada e de coautoria, e o alargamento do seu horizonte de referência e possibilidades (sociais e profissionais), seja por vida do intercâmbio de vivências com jovens da mesma idade, seja por via do contacto direto com artistas em processos de criação artística colaborativa.
2) Residências Artísticas
entre abril e outubro de 2022
Évora e Sardoal
As Residências Artísticas têm lugar, de modo pendular, nos territórios de baixa densidade envolvidos no projeto: Sardoal e Évora. Permitem articular os contributos das comunidades locais no processo criativo dos jovens artistas selecionados, abrindo-se à participação através do envolvimento regular dos grupos de jovens do Sardoal, Évora e Lisboa.
As Residências Artísticas dividem-se em duas fases: a primeira fase contempla duas residências com os artistas portugueses selecionados, durante as quais irão mapear os territórios, constituir um vocabulário comum e desenvolver uma proposta de projeto artístico participado. Estas propostas serão debatidas e selecionadas pelos grupos de jovens, em encontro presencial, em Lisboa. Os projetos escolhidos passam, então, para a segunda fase das Residências Artísticas, desenvolvendo-se, entre Sardoal e Évora, com vista à sua apresentação pública.
O jovem artista islandês, selecionado pela Academy of the Senses, passa a integrar presencialmente esta fase. A apresentação dos resultados tem lugar em três momentos distintos: (1) em regime de atelier aberto, em Évora; (2) no Ciclo de Artes Participativas, no Sardoal; (3) no Fórum de Encerramento, em Lisboa.
3) Laboratórios Artísticos
entre janeiro e julho de 2022
Sardoal e Évora
Os Laboratórios Artísticos são momentos exploratórios, orientados por profissionais com experiência em processos de arte participativa e dedicados aos jovens artistas selecionados nas regiões de Santarém, Évora e Reykjavik. São também momentos de partilha de conhecimentos e de construção de abordagens e ferramentas colaborativas, teóricas e práticas.
Os Laboratórios Artísticos têm como propósito sintonizar os jovens artistas com os valores do projeto e prepará-los para os desafios específicos de criação que as artes participativas convocam nas suas diferentes fases.
4) Curso de Artes Participativas
entre março e maio de 2022
Évora, Sardoal e Lisboa
O Curso de Artes Participativas, concretiza-se em três módulos, um em cada localidade onde o projeto se desenvolve, e responde a necessidades de transmissão e consolidação de conhecimentos específicos e metodologias próprias dos processos colaborativos no campo das artes. O Curso procura facilitar estratégias de trabalho colaborativo e a partilha de conteúdos gerados pelo próprio projeto, contribuindo, desse modo, quer para a qualificação dos agentes envolvidos, quer para a disseminação de boas práticas.
5) Ciclo de Artes Participativas
outubro de 2022
Sardoal
O Ciclo de Artes Participativas é constituído pela apresentação pública no Sardoal dos resultados artísticos dos cinco projetos apoiados: quatro projetos portugueses e um projeto islandês. O Ciclo de Artes Participativas é também um momento de assimilação dos resultados do processo de participação, de encontro entre os intervenientes do projeto e de abertura à comunidade do território.
6) Fórum de Encerramento
janeiro de 2023
Lisboa
O Fórum de Encerramento é uma janela de oportunidade para maximizar a visibilidade do projeto a vários níveis e contrariar hierarquias entre centro e periferia. Conclui o trabalho conjunto das várias propostas artísticas, tornando-as públicas num espaço de referência e comum a todas — a Culturgest, em Lisboa. A par, revela e coloca à disposição de uma comunidade profissional alargada, a reflexão resultante do processo de monitorização e avaliação.

