Raul Schmidt, empresário luso-brasileiro, é acusado de corrupção e branqueamento de capitais no processo Lava Jato, no Brasil Foto: DR

O empresário luso-brasileiro Raul Schmidt, alvo de um mandado de detenção internacional para ser extraditado para o Brasil no âmbito do processo Lava Jato, foi detido este sábado no Sardoal, por volta das 12h30, em casa de uma amiga, na zona do Centro Cultural, confirmou o mediotejo.net. A Polícia Federal brasileira fez esta detenção em conjunto com a polícia judiciária portuguesa e a Interpol, segundo o jornal brasileiro O Globo.

No âmbito do processo Lava Jato – a maior investigação de corrupção e lavagem de dinheiro na história do Brasil, relacionado com desvios de fundos da petrolífera estatal brasileira Petrobras – Raul Schmidt é investigado pelo pagamento de luvas aos ex-diretores da Petrobras Renato de Souza Duque, Nestor Cerveró e Jorge Luiz Zelada – todos acusados por corrupção, branqueamento de capitais e organização criminosa.

Segundo a imprensa brasileira, além de atuar como operador financeiro no pagamento de subornos aos agentes públicos da Petrobras, o empresário luso-brasileiro também surge como intermediário de empresas internacionais na obtenção de contratos de exploração de plataformas da Petrobras.

Na 13.ª Vara Federal da Justiça Federal de Curitiba, no Brasil, há dois processos contra Schmidt por corrupção, organização criminosa e branqueamento de capitais. As duas ações penais aguardam o resultado do processo de extradição.

Schmidt já tinha sido preso em Portugal, em março de 2016, e as autoridades brasileiras emitiram um pedido de extradição, mas a Justiça portuguesa permitiu que respondesse ao processo em liberdade, devido à sua dupla-nacionalidade (obtida em 2011, tendo avós portugueses). Contudo, foi entendimento da Justiça portuguesa que o arguido teria de ser sempre julgado pelos crimes cometidos, e que nos factos ocorridos antes de 2011 ele será considerado cidadão brasileiro.

O juiz titular do processo de extradição de Raul Schmidt no Tribunal da Relação de Lisboa considerou recentemente que estavam esgotados os recursos do arguido e emitiu um mandado de detenção do empresário, quando a polícia não o conseguiu localizar na casa que possuía em Lisboa. Apesar de estar obrigado a apresentações regulares às autoridades, desde outubro de 2015 era o advogado que cumpria essas formalidades, alegando motivos de saúde do seu cliente.

Sardoalenses apanhados de surpresa

Raul Schmidt foi detido numa pacata casa na Av. D. João III, no Sardoal. Foto: mediotejo.net

Eram poucas as pessoas que, nesta manhã de domingo, circulavam pelas ruas da vila de Sardoal. Ainda menos as que sabiam que no dia anterior havia sido detido na Avenida D. João III o empresário luso-brasileiro Raul Schmidt, alvo de um mandato de detenção com o objetivo de ser extraditado para o Brasil, no âmbito do processo Lava-Jato.

Foi o jornal mediotejo.net o mensageiro da detenção internacional e levou a novidade a alguns sardoalenses que, na tranquilidade e pacatez das ruas praticamente desertas, aproveitavam o domingo de sol, o que indicia ter sido discreta a ação da Polícia Judiciária no seu trabalho conjunto com a Polícia Federal Brasileira e a Interpol. Outros populares confirmaram ter acabado de saber pela TV a notícia da detenção.

Mesmo os mais próximos, moradores na mesma rua, desconheciam a detenção. Um dos vizinhos contou ao mediotejo.net já ter “ouvido falar” no assunto, sem no entanto avançar quaisquer detalhes até porque “desconhecia”.

Ainda assim, perto da hora de almoço a notícia espalhava-se. E na vila falava-se à boca pequena que a detenção do empresário luso-brasileiro tinha ocorrido numa casa na Avenida D. João III. Contudo, ninguém arriscou a ligação que Raul Schmidt teria com os moradores daquela habitação, tão pouco o tempo que esteve a viver em Sardoal.

Os sardoalenses com quem o mediotejo.net falou eram até alheios à permanência de Raul Schmidt. Por certo, arriscam, seria “uma pessoa muito recatada”, para não ser notado numa vila tão pequena.

*Com LUSA e reportagem de Paula Mourato, no Sardoal

Sou diretora do jornal mediotejo.net, diretora editorial da Médio Tejo Edições e da chancela de livros Perspectiva. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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