Visita à empreitada de requalificação da Escola Básica e secundária de Sardoal, em setembro de 2019. (foto de arquivo) Créditos: mediotejo.net

A empresa responsável pela obra da Escola de Sardoal volta a pedir uma prorrogação de prazo graciosa, para conclusão da empreitada, sendo já a terceira, que acabou aprovada pela maioria PSD na última reunião de Câmara, com o PS a votar contra. A segunda prorrogação de prazo de conclusão da empreitada da Escola Básica 1, 2, 3 e Secundária de Sardoal havia sido aprovada pelo executivo em setembro do ano passado. Nessa altura a Escola já contava com 512 dias de atraso em relação ao prazo de conclusão inicialmente estabelecido, número ao qual se soma mais 91, a contar desde o dia 15 de abril de 2022.

O terceiro pedido de prorrogação de prazo de conclusão da empreitada da Escola Básica 1, 2, 3 e Secundária de Sardoal “não tem a ver só com o ginásio mas com a envolvente também”, começou por explicar o presidente da Câmara Municipal, Miguel Borges (PSD).

A justificação para este pedido por parte da empresa prende-se com “dificuldade nas aquisições de materiais sem garantias dos prazos de entrega por parte dos fornecedores, dificuldades na correta execução dos trabalhos devido à situação provocada pela pandemia covid-19 a qual obrigou a frequentes paragens das equipas e no fornecimento de material, dificuldades de contratação de mão-de-obra especializada”, indica o autarca.

A primeira prorrogação de prazo da empreitada de requalificação da Escola Básica e Secundária Drª Maria Judite Serrão Andrade, em Sardoal, ou seja o plano de trabalhos ajustado, foi aprovada pelo Partido Social Democrata (PSD) com os vereadores eleitos pelo Partido Socialista a votar conta, em dezembro de 2020. Na altura, a inauguração estava prevista para agosto de 2021 o que motivou criticas por parte dos vereadores do PS uma vez que cairia em cima das eleições autárquicas.

Tal não aconteceu. A empresa volta a pedir uma segunda prorrogação de prazo de conclusão da empreitada da Escola Básica 1, 2, 3 e Secundária de Sardoal. A primeira prorrogação foi de 285 dias sendo a segunda de 227, ou seja até abril de 2022. E agora uma terceira de 91 dias.

Presidente da Câmara de Sardoal, Miguel Borges

Miguel Borges salienta que situações semelhantes acontecem “por todo o País. É um drama que todos os municípios estão a passar. Começa por ser uma inevitabilidade… e estamos no final. Não vejo outra forma de concluir a obra senão aprovar esta prorrogação de prazo”, disse admitindo que “os constrangimentos têm sido grandes” esperando que seja a última.

Mas as justificações não convencem os vereadores do Partido Socialista, com Pedro Duque a fazer as contas e avançar com 45 meses de obra, quando estava pensada para 24 meses. “Quase o dobro. […] um bocado inaceitável”, disse embora aceitando a provação da prorrogação do prazo pela maioria PSD pois o contrário “poderia colocar em causa a conclusão na obra”, no entanto, o PS assume o voto contra como “um cartão amarelo”, usando a linguagem futebolística.

Vereador do PS, Pedro Duque

A obra tinha uma previsão de construção de dois anos, concretamente 730 dias. A primeira fase da obra, com todos os edifícios escolares, deveria estar concluída no verão de 2020 para que a segunda fosse entregue no final desse ano (o pavilhão gimnodesportivo), já com a primeira fase em funcionamento. Mas assim não aconteceu, tal como a segunda data de conclusão, apontada para agosto último, contabilizando, após mais esta dilação do prazo, 603 dias de atraso na empreitada da Escola.

Em Sardoal, o investimento total na nova escola, que com equipamentos ronda os 5 milhões de euros, é financiado a 85% por fundos comunitários, havendo uma componente suportada pelo Ministério da Educação de 7,5% (200 mil euros) e outra de 7,5% suportada pelo Município, cerca de 400 mil euros.

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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