Festa do Espírito Santo (ou do Bodo) em Sardoal. Créditos: CMS

A Vila de Sardoal recebeu no domingo, 19 de maio, a Festa do Divino Espírito Santo (ou do Bodo), uma das mais antigas manifestações religiosas do concelho, num culto secular que promove valores humanistas e solidários, como a distribuição de uma refeição a todas as pessoas e o convívio comunitário. A população mantém viva uma tradição com mais de 500 anos, partilhando pão em honra do Divino Espírito Santo.

A Festa do Bodo, celebrada 50 dias após a Páscoa, é uma das mais antigas e difundidas práticas do catolicismo popular. Apresenta hoje diferentes variações em Portugal, nomeadamente nos Açores atravessando o Atlântico até às Américas, mas partilha outras, como a solidariedade e o convívio social. A realização da Festa do Espírito Santo remonta a um passado longínquo, sabendo-se que já se realizava antes de 1470 no Sardoal. Em 2024 voltou a celebrar-se na vila, num misto de cor, tradição e fé.

O dia começou com uma missa em Louvor do Espírito Santo, na Praça da República, seguindo-se a Procissão até ao Convento de Santa Maria da Caridade, que integrou o desfile de diversos figurantes trajados ao rigor de épocas passadas, assim como de vinte jovens vestidas de branco, enquanto símbolo de pureza, que transportaram à cabeça os tabuleiros com o pão benzido na Eucaristia. A Procissão culminou com um almoço convívio oferecido pelo Município, que juntou cerca de 500 pessoas.

O retomar da Festa do Bodo com carácter bienal, em 2015, enquadra-se na estratégia deste Município em preservar as tradições concelhias enquanto património intrínseco da personalidade coletiva, que é assumida pelo atual Executivo como importante pilar na estratégia de desenvolvimento do Turismo, em particular do Turismo Religioso e, subsequente, desenvolvimento socioeconómico do Concelho.

Resultado desta aposta por parte do Município foi a inclusão da Festa do Espírito Santo, a par da Semana Santa, no final do ano passado, no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial pela Direção Geral do Património Cultural, com publicação em Diário da República em 29 de dezembro de 2023, o que veio realçar e dignificar ainda mais a importância e beleza desta manifestação.

Estudos apontam para o início dos bodos entre os anos 936 e 1218 nos estados alemães, como resposta a crises da fome, e certo é que uma confraria em Benavente anterior a 1227, anterior ao reinado de D. Diniz, realizava um bodo para os pobres no dia do Espírito Santo. Por fim, outra hipótese que também carece de documentos para a comprovar: a de terem sido os Templários a criarem o culto em Tomar e na Beira Baixa, lugares onde não havia presença franciscana.

Em Sardoal, e porque a rainha Santa Isabel foi donatária daquele lugar, “a sua instituição, a do culto, pode ter acontecido no mesmo período por sua iniciativa ou pode ter resultado da influência da Ordem dos Templários, que impunham a comemoração do Espírito Santo na sua área de ação”, afirmou Ilda Januário, investigadora da Universidade de Toronto, que esteve, em Sardoal, para a conferência ‘Festas do Espírito Santo: Origens e Viagens’, em 2019 .

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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