Filme e debate sobre Abril e 'Outra forma de luta' no Cais de Encontro. Foto ilustrativa: DR

A tertúlia Cais de Encontro regressa esta terça-feira, dia 2 de abril, ao Centro Cultural de Sardoal, às 21h00. Nesta edição, será exibido o documentário ‘Outra forma de luta’, um filme de João Pinto Nogueira sobre a amizade entre o escritor Nuno Bragança e Carlos Antunes, fundador das Brigadas Revolucionárias. A sessão, organizada pela associação Palha de Abrantes, engloba uma conversa/debate com o realizador.

No início do ano de 1985, o escritor Nuno Bragança entrega ao amigo Carlos Antunes um questionário de 13 perguntas, em 13 folhas de papel quadriculado, oferecendo o espaço retro-verso de cada folha para as respostas. Essas 13 perguntas constituem um inquérito ao percurso pessoal e político de Carlos Antunes, com especial interesse pelo seu envolvimento na criação das Brigadas Revolucionárias e na luta armada contra a ditadura…

‘Outra forma de luta’ pede a Carlos Antunes que responda a essas 13 perguntas para, a partir delas, reconstituir o percurso de um homem e as conquistas, ilusões e amarguras das Brigadas Revolucionárias, nos anos que rodeiam o 25 de Abril de 1974.

João Pinto Nogueira começou a fazer cinema quando no setor havia apenas meia dúzia de pessoas. Foi assistente de realização de alguns dos mais importantes cineastas portugueses.

Como realizador, o seu trabalho está frequentemente ligado ao momento mais definidor da sua geração: o 25 de Abril, a passagem da ditadura para a democracia. Viu o pai fazer trabalho clandestino de resistência. Fugiu à guerra colonial. Voltou para Portugal, por coincidência, no 25 de Novembro, e ficou espantado por já não encontrar a revolução.

A tertúlia “Cais de Encontro” acontece quinzenalmente em Sardoal (1ª terça feira do mês, no Centro Cultural Gil Vicente) e Abrantes (3ª terça feira do mês no edifício Sr. Chiado, em Abrantes), sendo uma iniciativa da Palha de Abrantes – Associação de Desenvolvimento Cultural com o apoio do Município.

Trata-se de “um espaço de encontro entre pessoas daqui e dali, com preocupações sociais, ambientais, culturais, filosóficas e outras. As sessões pretendem envolver todos os participantes a pensar e refletir questões do indivíduo e, consequentemente, da sociedade, informalmente, na primeira pessoa ou através da voz de um convidado, do texto de um escritor, jornalista, poeta ou outros, da música de um compositor ou executante, da fotografia de um fotógrafo ou apreciador desta arte, de uma tela ou do seu pintor, etc”.

“Porque é um imperativo retomar o lugar de encontro, e que todos os lugares de encontro possam ser cais de chegada ou partida para o mundo”, refere a associação Palha de Abrantes.


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