Conta-se que antes do 25 de abril, a Festa de S. Sebastião, tinha grande importância e fulgor na Vila de Sardoal.
As imagens de S. Sebastião, acompanhado pelas imagens de Santa Bárbara e Santo Amaro, eram transportadas, em procissão, por jovens que tinham cumprido o serviço militar nas então províncias ultramarinas, num percurso entre a capela com o mesmo nome, que se situa à entrada da Vila, e a Igreja Matriz.
Esta festa contava com muitas oferendas, talvez pela relação, na altura, com as nossas tropas no ultramar e com a situação política que se vivia.
Segundo relatos atuais de pessoas que vivem esta festa há mais de 50 anos, a Festa de S. Sebastião constituía na altura, uma das manifestações religiosas mais significativas e participadas na Vila, contando já com a presença da Filarmónica União Sardoalense.
Atualmente e em menor dimensão, esta festa continua a realizar-se todos os anos entre o ultimo fim-de-semana de janeiro e o primeiro fim-de-semana de fevereiro, contando agora com a colaboração dos Bombeiros Municipais de Sardoal que foram substituindo os militares de então.
A Festa de S. Sebastião, realizou-se, este ano, no passado domingo, 4 de fevereiro, e terminou com uma missa na Matriz e com o leilão das oferendas no adro daquela igreja.
Sobre S. Sebastião
A imagem de São Sebastião, tão conhecida de todos nós, revela um momento importante do martírio deste grande santo. Francês de nascimento, nascido em 256, Sebastião ingressou no exército romano e tornou-se capitão da guarda pretoriana, cargo de confiança do imperador. Sebastião, porém, era cristão e, sempre que podia, visitava os irmãos na fé que estavam presos, levando-lhes conforto espiritual e consolo. Posicionava-se contra as perseguições e torturas infringidas aos cristãos. Por isso, descoberto pelo Imperador Maximiano, foi preso, torturado e obrigado a renunciar a sua fé cristã. Negando-se a obedecer, o imperador o condenou a uma morte lenta e exemplar.
As flechas de São Sebastião
As flechas de São Sebastião revelam-nos a primeira fase das torturas que o santo enfrentou. Tendo como algozes seus companheiros de exército, São Sebastião suportou várias flechadas em seu corpo sem renegar a fé. Quando todos pensaram que ele estivesse morto, deixaram-no amarrado para ser devorado pelos animais e aves de rapina.
A árvore de São Sebastião
São Sebastião é representado amarrado numa árvore em especial: o carvalho. No cristianismo primitivo, o carvalho era o símbolo da perseverança, da tenacidade e da persistência, por causa da dureza desta madeira nobre. Assim, este símbolo nos fala da firmeza, da tenacidade e da perseverança de São Sebastião. E a força que ele recebeu do céu foi tão grande, que ele não morreu em decorrência das flechadas. Ele foi recolhido por outros cristãos e cuidado por Santa Irene até se recuperar totalmente. O carvalho simboliza toda essa força de São Sebastião.
O corpo seminu de São Sebastião
O corpo seminu de São Sebastião simboliza a humilhação que ele sofreu por parte do império romano. Simboliza também o ‘despir-se do homem velho, fraco e pecador, para vestir-se de Cristo, forte e vencedor.’
O pano vermelho de São Sebastião
O pano vermelho de São Sebastião cobrindo suas partes íntimas, simboliza o duplo martírio. O primeiro é este retratado na imagem. O segundo foi aquele que causou sua morte física e teve causa mais nobre ainda. Depois de recuperado, Sebastião voltou a se apresentar ao imperador, para lhe pedir que parasse com as perseguições contra os cristãos, alegando que o imperador estava perseguindo o próprio Jesus Cristo na pessoa de seus seguidores. O imperador, porém, não cedeu e mandou que Sebastião fosse açoitado e decapitado. Assim aconteceu. Por isso, o pano vermelho em São Sebastião representa seu duplo martírio.
A aura de São Sebastião
A aura de São Sebastião representa sua santidade, testemunhada por vários cristãos da época. Esta santidade aparece desde o seu amor dedicado aos cristãos presos e necessitados, até à sua disposição de morrer por Jesus Cristo sem renegar sua fé. Trata-se de um grande testemunho, que serviu de exemplo para milhares de cristãos ao longo de séculos.
Informação sobre S. Sebastião retirada do site www. http://cruzterrasanta.com.br
