Miguel Borges, presidente da CM Sardoal. Foto: mediotejo.net

O presidente da Câmara de Sardoal deu conta que algumas atividades do programa de Natal podem ser adiadas ou canceladas. A decisão está dependente da evolução da pandemia. O anúncio teve lugar esta quinta-feira, 2 de dezembro, durante a reunião de executivo municipal.

A crescente evolução do número de infetados por SARS- Cov-2 obriga o executivo municipal de Sardoal a pensar em ajustes no que toca à programação de Natal.

Sardoal apresenta três casos de infetados nos últimos 10 dias e seis casos nos últimos 14 dias – números do dia 30 de novembro. “Estamos com uma tendência crescente, sei que hoje aparecerão mais casos, se não aparecerem hoje aparecem amanhã porque sei de situações em que há casos positivos”, afirma o presidente da Câmara Municipal de Sardoal, Miguel Borges (PSD), ao mediotejo.net, à margem da reunião de Câmara.

Quanto às medidas que virão a ser tomadas estão dependentes da evolução da pandemia. Atividades não relacionadas com o Natal “será facilmente adiável; tanto pode ser agora como noutra altura. Mas estamos a avaliar as nossas iniciativas e perceber qual é a tendência”, refere.

Se o número de infetados continuar crescente “teremos de tomar medidas que pode ser de cancelamento de algumas atividades em que não tenhamos a certeza que conseguimos proteger as pessoas. As que for possível adiar, serão adiadas”, assegura Miguel Borges.

O Conselho de Ministros aprovou no dia 25 de novembro uma resolução que declarou a situação de calamidade em todo o território nacional continental a partir do dia 1 de dezembro.

Quanto ao agravamento das medidas, nomeadamente no que toca à obrigatoriedade de apresentação do certificado de vacinação Miguel Borges concorda com a decisão do Governo e considera até que algumas medidas “já vêm tarde”. Para o autarca “a exigência do certificado Covid deveria ter sido maior […] é a garantia que a pessoa está com algum grau de imunidade e é importante que possamos contribuir para essa imunidade e não sejamos um veículo transmissor de doença, numa altura em que não sabemos o grau de imunidade que cada um tem”.

Admitindo ser “incómodo” para os cidadãos, considera que “este esforço é visto como um investimento na saúde”. Para Miguel Borges será pior um novo confinamento. “É-nos pedido maior liberdade mas também maior responsabilidade, de termos o certificado Covid ou o teste”.

Desde ontem passou a ser novamente obrigatório o uso de máscara em: Espaços, equipamentos e estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços, independentemente da respetiva área; Edifícios públicos ou de uso público onde se prestem serviços ou ocorram atos que envolvam público Estádios (esclarecendo que se inclui no conceito de recintos para eventos e celebrações desportivas); Edifícios em que se localizem as portas de entrada ou os cais de embarque, acesso ou saída no âmbito da utilização de transportes coletivos de passageiros e transporte aéreo.

No dia 13 de setembro, o uso de máscara no exterior deixou de ser obrigatório, após 318 dias, ou seja desde a aprovação da lei, em 28 de outubro de 2020, em plena pandemia de covid-19, que foi sendo sucessivamente renovada pelo parlamento. Contudo Miguel Borges não toma tal decisão como uma “precipitação” dos decisores políticos.

“Não me parece que a Lei ou as normas tenham falhado. Acho que as pessoas é que estão a falhar. Tomaram uma ‘liberdade’ que deveria ser contida, começaram logo à boa maneira portuguesa com grandes almoços e jantares, grandes festas, grandes convívios como se nada tivesse acontecido ou por despacho as coisas tivessem terminado […] tem de haver uma consciencialização de que estamos em pandemia”, vinca.

Embora reconheça que Portugal é um dos países do mundo com maior taxa de vacinação lembra que “há muita coisa por descobrir nesta doença. Estamos perante um novo vírus, uma situação nova e devemos ter todos os cuidados e perceber que há muitas coisas na nossa vida que não vão voltar a ser como eram antigamente”, diz.

ÁUDIO | MIGUEL BORGES, PRESIDENTE DA CÂMARA DE SARDOAL:

Por outro lado, entende que na base da decisão política está o egoísmo, nomeadamente no que toca à vacinação global. Afinal “de que nos vale a nós europeus termos 80% de vacinação se depois temos outros países onde as pessoas têm uma taxa de vacinação reduzida a entrar pelo nosso território – e têm de entrar é mesmo assim! – e não estão vacinados?”, interroga defendendo uma concertação global no sentido de apoiar esses países também na vacinação como já tem sido feito com outro tipo de doenças.

E se atualmente “temos mais instrumentos” para combater o coronavírus do que tínhamos há um ano, como a vacinação e os testes, para Miguel Borges “testar, testar, testar” continua a ser a solução não de combate direto ao vírus mas para conter as cadeias de contágio.

“É muito importante para não acontecer o que aconteceu há um ano […] é bom que ninguém se esqueça do que foram os meses de janeiro e fevereiro de 2021 com dias em que houve 230 mortes, ou seja o equivalente à queda de um avião cheio, um Boeing por dia”.

Atualmente “estas 10 ou 15 pessoas que morrem, por dia, merecem-nos o mesmo respeito e o mesmo combate à doença para que tal não aconteça, sendo um número bastante reduzido”, concluiu Miguel Borges, também presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil de Santarém.

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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