ArtOf, espaço partilhado de artes e ofícios em Sardoal. Foto arquivo: mediotejo.net

Numa iniciativa da TAGUS – Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior, artesãos e produtores de Abrantes, Constância e Sardoal foram convidados a visitar dois espaços existentes em Sardoal dedicados aos ofícios tradicionais: ArtOf – Espaço Partilhado para Artes e Ofícios e ao espaço de comercialização e promoção de produtos locais, o Cá da Terra.

Artesãos, artistas e artífices do Médio Tejo ficaram a conhecer, este sábado 14 de abril, o ArtOf, um espaço partilhado para as artes e ofícios, em Sardoal. Uma “parte da estratégia” do Município para o seu “desenvolvimento económico, criação de emprego e desenvolvimento cultural” explicou o presidente da Câmara Municipal de Sardoal, Miguel Borges, no Centro Cultural Gil Vicente.

Para a estratégia, desenvolveu-se o chamado “triângulo dourado, que agora já não tem três pontas” explicou o presidente, e que o Município pretende que evolua para “um círculo integrado”. Passa então pela colaboração com o Instituto Politécnico de Tomar através do TESP – Curso Técnico Superior Profissional, de Produção Artística para a Conservação e Restauro, “a oportunidade de aprender”, depois “um espaço partilhado para artes e ofícios” hoje ArtOf, para o desenvolvimento do conhecimento e “criação de um local de trabalho”. Miguel Borges acrescentou ainda o espaço Cá da Terra dedicado à promoção e comercialização de produtos locais, no Centro Cultural.

Miguel Borges, com Patricia Rei e João Soares, durante a apresentação do ArtOf, o cluster criativo de Sardoal

Trata-se de um conceito ainda futuro, num espaço já existente, criado para apoiar a produção artística, o artesanato e os produtos locais. Naquele que foi o Lagar dos Paulinos, situado na parte traseira do Centro Cultural Gil Vicente, encontramos uma oficina equipada para cerâmica, madeira e metal. Dois ateliers prontos para entregar a dois artesãos que se candidataram àquele espaço. E uma zona do antigo lagar, para recuperar, numa obra integrada no Plano de Ação para a Regeneração Urbana (PARU) de Sardoal.

Segundo Miguel Borges, o projeto de arquitetura para ampliação do ArtOf e criar mais ateliers está feito, falta a verba que chegará através de financiamento comunitário. “Sabemos que é uma estratégia lenta mas não temos pressa porque desta forma é mais sustentável” defendeu.

O ArtOf apresenta seis valências começando pelo espaço partilhado, com o Município do Sardoal a investir nos equipamentos, onde os artesãos podem desenvolver as suas produções a custos controlados. No futuro terá uma zona expositiva para quem trabalhar em Sardoal, uma espaço para exposições coletivas e individuais. A segunda é o Cá da Terra. Os workshops até agora realizados naquele espaço, no futuro serão integrados na parte formativa do ArtOf.

Como terceira valência as Lojas com Arte, uma ideia que pretende ocupar espaços abandonados no centros histórico e espalhar ateliers deslocalizados pela Vila convocando os proprietários a ser parceiros neste projeto. O Município prevê a criação de bolsas de apoio ao arrendamento com financiamento durante um ano, com o duplo objetivo de trazer dinâmica a Sardoal, criando um circuito de visitação ao mesmo tempo que permite a interação entre a população. Miguel Borges admite ainda que a solução passe por apoiar igualmente o posto de trabalho.

A quarta valência apresenta-se como Formar-te, tratando-se de ofertas formativas já levadas a efeito em Sardoal. E a quinta o Kick-Art para ajudar a colocar de pé a ideia de negócio, dar apoio formal e formação, incentivando os artesão ou artistas que se queiram instalar na Vila. Por ultimo as Residências Criativas com o objetivo de trazer artistas criativos de fora do concelho para trabalhar e desenvolver ideias em Sardoal.

Patrícia Rei durante a apresentação do ArtOf

Os interessados ficaram então a conhecer, através da visita guiada e das explicações do técnico de Conservação e Restauro da Câmara Municipal, João Soares, as instalações do ArtOf com uma oficina equipada para a cerâmica, madeira e metal, uma sala multiusos, ateliers, espaços expositivos, e serviços, como o escritório virtual, em que é possível a domiciliação do negócio, impressões de documentos e receção de correspondência com acesso ao Gabinete de Apoio ao Empresário.

Patrícia Rei, chefe de Gabinete do presidente da Câmara Municipal de Sardoal e responsável pelas questões do desenvolvimento dos produtos locais, na oportunidade, explicou a importância futura dos produtos autênticos, com um valor acrescentado, e a relevância da indústria criativa.

Um dos ateliers ainda por ocupar, a atribuir a um artesão

Por seu lado, o Instituto Politécnico de Tomar, representado por Ricardo Triães, apresentou o TESP, curso alicerçado num conjunto de competências e técnicas de produção artística, permitindo desenvolver trabalhos de produção tradicional e contribuir para a preservação e recuperação do património cultural e demarcando o carácter único e diferenciador da herança cultural de cada região.

A funcionar no Centro Cultural Gil Vicente, o curso apresenta vários apoios sociais como bolsas de estudo, acesso a alojamento sem encargos para o aluno, bolsas municipais, apoio à criação da própria empresa, apoio aos transportes, acesso a unidades alimentares a preços sociais, estágios profissionais, entre outros. Para se candidatar ao TESP basta possuir o 12º ano ou equivalente, ou ter aprovação em provas destinadas a avaliar a capacidade para frequência do ensino superior dos maiores de 23 anos.

Antigo Largar dos Paulinos, sala ainda por recuperar, onde funciona o espaço partilhado artes e ofícios em Sardoal. A obra está integrada no Plano de Ação para a Regeneração Urbana.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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