Para o primeiro-ministro, é preciso que o país esteja preparado “de diversas formas para enfrentar esse risco”. António Costa lembrou que, de manhã, contactou, no concelho de Mação, com diversas formas de prevenir os incêndios rurais, dando os exemplos dos programas de alteração da paisagem e das faixas de contenção.
À tarde, depois de uma ação de sensibilização do programa “A Raposa Chama”, com alunos dos 3.º e 4º anos e do ensino secundário, na Escola Básica e Secundária Judite Andrade, António Costa assistiu a um simulacro do plano de evacuação em Santa Clara, no âmbito do programa Aldeia Segura, com alerta e concentração da população na sede da Junta de Freguesia, e a uma ação de fiscalização à limpeza de terrenos por parte da GNR.
“Para além do combate direto às chamas, a prioridade tem de ser a proteção das pessoas. Isso é absolutamente fundamental e é por isso que o programa Aldeia Segura é essencial”, afirmou.

ÁUDIO | ANTÓNIO COSTA, PRIMEIRO-MINISTRO:
Segundo o ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, que acompanhou António Costa, existem no país mais de 2.300 Aldeias Seguras, tendo o distrito de Santarém 246 e o Sardoal 38.
Para o presidente da Câmara do Sardoal, Miguel Borges (PSD), estes programas “são muito importantes para a proteção das pessoas, para que tudo se faça com tempo e segurança”.
MAI salienta “ganhos muito significativos” na prevenção e combate desde 2017
O ministro da Administração Interna salientou hoje, no Sardoal, os “ganhos muito significativos” na prevenção e combate aos incêndios rurais desde 2017, o que atribuiu a uma “alteração de paradigma” resultante de uma “visão estratégica de médio e longo prazo”.
José Luís Carneiro falava no Centro Cultural Gil Vicente, no Sardoal, no final de uma visita a uma escola e a uma aldeia do concelho, em que acompanhou o Primeiro-Ministro, António Costa, numa tarde dedicada a observar no terreno ações que decorrem junto das populações no âmbito da prevenção e da segurança.
O ministro deu como exemplo “a alteração de paradigma” no investimento, que passou de 80% para o combate e 20% para a prevenção, em 2017, para 54% para o combate e 46% para a prevenção, em 2022, havendo, este ano, uma inversão, com 62% (329 milhões de euros) para prevenção e 38% para o combate (200 milhões de euros).
“Esta é uma demonstração de que o percurso feito desde 2017 corresponde a uma visão estratégica de médio e longo prazo e consubstancia uma alteração do paradigma na abordagem à questão dos incêndios florestais no que tem que ver com a prevenção estrutural de médio e de longo prazo e na mais imediata, confiada ao combate”, afirmou.

ÁUDIO | JOSÉ LUÍS CARNEIRO, MINISTRO ADMINISTRAÇÃO INTERNA:
António Costa veio hoje verificar no distrito de Santarém, em dois concelhos atingidos pelos incêndios de 2017, o trabalho feito tanto na reforma da floresta, como na prevenção e sensibilização das populações.
Para ilustrar o que o trouxe hoje ao norte do distrito de Santarém, António Costa, no discurso que encerrou a visita ao Sardoal, recorreu a uma imagem futebolística, comparando o combate aos incêndios ao guarda-redes que, num penálti, defende sozinho a bola, mas que nos 90 minutos do jogo conta com o trabalho da equipa.
“Hoje tivemos oportunidade de ver [em Mação] um dos elementos mais importantes da reforma da floresta que está em curso, que é a criação das áreas integradas de gestão da paisagem”, disse, salientando dois exemplos dados pelo presidente da Câmara do Sardoal, Miguel Borges, de um incêndio que foi travado por um olival e de outro que parou “quando encontrou uma vinha”, como prova da importância de uma paisagem diversa, com diferentes tipos de ocupação do solo.
José Luís Carneiro salientou que, mesmo com um sistema de combate “eficaz” e capacitado, “há momentos extremos” em que nem sequer é possível usar os meios, e defendeu a importância do trabalho de prevenção, sensibilização e proteção das populações, como o que foi observado durante a tarde no Sardoal.

Apontando os dados que mostram que, do passado dia 01 de janeiro até ao fim de abril, 64% dos incêndios se deveram a negligência no uso do fogo, de máquinas agrícolas ou florestais, o ministro considerou crítico o “trabalho de informação, de sensibilização, de capacitação” das populações.
