O Clube de Caçadores de Valhascos e Cabeça da Mós vai promover uma sessão de esclarecimento sobre as doenças que afectam o javali e que se transmitem aos humanos, quer por contacto, quer por consumo, no próximo dia 7 de julho, pelas 11h00, em Valhascos, Sardoal.

Para a realização deste encontro, o Clube de Caçadores convidou alguns especialistas, nomeadamente André Grácio (Advogado), Yolanda Vaz (DGAV), Vítor Grácio, (veterinário municipal de Abrantes, Sardoal e Constância), Esmeralda Almeida (veterinária municipal de Gavião, Nisa e Crato), Bruno Ribeiro, André Raposo e Gonçalo Mariano.

As temáticas a abordar serão: Indicação e descrição das zoonoses mais graves e peste suína, regras de manuseamento das carcaças; inspecção sumária do estado sanitário das carcaças; protocolo de envio de amostra de animais infectados; protocolo de criação de base de dados estatísticos; protocolos de interacção com os veterinários municipais; e regras de comercialização e consumo de carne de javali.

Esta “preocupação pela saúde pública” cresce face à quantidade de animais que é abatida todos os meses nos chamados períodos “lunares”, em que o caçador, pelo processo de espera e durante dez dias por mês (período da lua cheia) tenta abater o javali.

Numa nota informativa o Clube de Caçadores esclarece que “quando o javali é abatido, raramente o caçador sujeita o animal a qualquer controlo sanitário e confia apenas na sua experiência para detectar eventuais doenças. Mas os caçadores responsáveis têm vindo a acompanhar com muita preocupação as várias circulares e despachos normativos da DGAV (direção geral de veterinária) sobre as zoonoses de que padecem os javalis e a peste suína e querem estar preparados e devidamente informados para melhor identificar e encaminhar os animais afectados pela doenças”.

Segundo o Clube dos Caçadores, “tem-se verificado que alguns caçadores sem escrúpulos e de forma furtiva têm vindo a oferecer com mais frequência esta carne para venda, a preços irrisórios, e por isso de fácil aquisição. E é conhecida na nossa região (Ribatejo, Beira Baixa, Alto Alentejo) a procura e oferta gastronómica desta carne e a sua comercialização e venda ao público, quer em restaurantes, quer em festas populares, todo o ano, sem que haja qualquer controlo sanitário”, denunciam.

O Clube dos Caçadores sublinha que “só nas regiões do Ribatejo, Beira Baixa, Alto Alentejo serão abatidos, por período lunar, no mínimo e por defeito, de 500 a 1500 javalis (um a três javalis, por lua e por zona de caça), o que perfaz, anualmente, entre 6.000 a 18.000 javalis que são consumidos, em público ou privado, sem praticamente qualquer controlo sanitário”.

O Clube garante que “a região de Abrantes, Sardoal, Mação, Gavião e Constância ainda não foi afectada e que todos os caçadores que irão estar presentes têm muitos anos e muita prática cinegética, mas todos carecem de formação contínua e é isso que iremos proporcionar de forma gratuita, pensando na saúde pública e no controlo de doenças”, reforçam.

Este evento é aberto a todos, destinando-se, principalmente, a todas as 75 zonas de caça dos concelhos de Abrantes, Sardoal, Mação, Gavião e Constância e, dentro dessas, os caçadores que se dedicam a este tipo de caça.

Gisela Oliveira

Jornalista profissional há mais de 30 anos, passou por vários jornais diários nacionais, nomeadamente pelo 'Diário de Lisboa', 'Diário de Notícias' e 'A Capital'. Apaixonada pela profissão desde a adolescência, abraçou o jornalismo nas suas diversas áreas, desde o Desporto às Artes e Espetáculos, passando pela Política e pelos temas Internacionais. O jornalismo de proximidade surge agora no seu percurso.

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