O presidente do conselho de administração da Unidade Local de Saúde (ULS) do Médio Tejo, Casimiro Ramos, compareceu, esta sexta-feira 18 de outubro, na reunião de Câmara Municipal de Sardoal para prestar alguns esclarecimentos sobre a situação da Saúde no Médio Tejo, debruçando-se essencialmente sobre a Saúde Oral e respetivos gabinetes nos Centro de Saúde locais, em cada concelho.
Isto porque, no início de setembro, o executivo da Câmara de Sardoal manifestou preocupação com a falta de atendimentos no gabinete de Saúde Oral do Centro de Saúde da vila, por falta de recursos humanos. Mas atualmente, garantiu Casimiro Ramos, todos os gabinetes estão a funcionar à exceção de Ferreira do Zêzere e Torres Novas.
Lembrou que os médicos dentistas “não têm categoria profissional reconhecida” referindo-se ao enquadramento nos “quadros” do Ministério da Saúde. Ou seja, não existem concursos públicos para médicos dentistas. O que transitou para a ULS, segundo o presidente do concelho de administração, foi “um contrato de prestação de serviço” realizado entre a ARS e uma empresa para prestação de cuidados, dispondo de seis dentistas, “funcionários de uma empresa de trabalho temporário”, a receber o dentista 11,5 euros por hora e o assistente de dentista a ganhar 6 euros à hora.
Esse contrato termina a 31 de dezembro de 2024. “A partir de janeiro queremos criar condições para melhorar a remuneração quer dos médicos quer dos assistentes para cativar e retê-los a prestar o serviço”, declarou o gestor da ULS Médio Tejo, Casimiro Ramos.
Porém, foi o alerta do executivo municipal que levou o responsável até Sardoal. No dia 2 de setembro, a vereadora eleita pelo PS, Patrícia Silva, questionou o que poderia o executivo fazer para garantir que o Gabinete de Saúde Oral do Centro de Saúde de Sardoal estivesse em funcionamento, uma vez que apesar de ter médico dentista, não estariam a ser efetuados atendimentos por não ter assistente auxiliar.
Casimiro Ramos explicou que “uma das assistentes desistiu” tendo já sido contratada outra técnica, embora “não tenha sido fácil”, tendo obrigado ao adiamento de consultas, admitiu.
“Para além disso e para além de um período de férias que a médica teve, enquanto esteve a trabalhar [a médica] nunca interrompeu as suas consultas. De facto, terá efetuado menos consultas do que teria se tivesse a assistente, porque a assistente agiliza o trabalho”.
No entanto, Casimiro Ramos contrariou a expressão “vários meses” sem cuidados de saúde oral, e que Pedro Duque terá utilizado para definir o tempo em falta no Centro de Saúde do Sardoal e que terá sido rejeitada pela médica dentista. Expressão negada, esta sexta-feira, pelo vereador socialista, que assegurou ter falado em “algum tempo”, admitindo desconhecer o tempo exato sem consultas de saúde oral.
“De forma alguma quisemos colocar em causa a honorabilidade da senhora”, frisou Pedro Duque, referindo-se à médica dentista.
Na época, perante o exposto, o presidente da Câmara de Sardoal, Miguel Borges (PSD), deixou claro que devia ser o Estado, no caso a ULS do Médio Tejo, a resolver o problema, e não o poder local, por falta de competência. O que acabou por acontecer.
Casimiro Ramos esclareceu ainda que a sua presença em Sardoal, na reunião de Câmara de hoje, pretendeu ir no sentido de “dar apoio à nossa profissional. Não foi uma questão de suscetibilidade mas uma questão de dignidade. A pessoa sente-se ferida na sua dignidade e quando alguém, independentemente da sua sensibilidade, se sente ferido na sua dignidade, é defendê-lo e pôr os pontos nos is”, afirmou, apelando à união: “quando se trata da questão da Saúde, que nos coloquemos no lugar dos profissionais”.
Casimiro Ramos deu ainda conta que a sub-região do Médio Tejo tem “dificuldades na captação e fixação de médicos” de família, enumerando as cinco urgências abertas e mais 42 “portas abertas” de unidades de cuidados de saúde primários, referindo que “os profissionais excedem-se” nas horas de trabalho em “esforço e espírito de missão”.
Sublinhou igualmente as “dificuldades acrescidas” em reter profissionais no que toca aos cuidados de saúde primários, indicando que no último concurso para médicos de saúde geral e familiar foram abertas 26 vagas tendo havido nove candidatos e apenas quatro assinaram contrato com a ULS Médio Tejo.
“Duas médicas em Abrantes, um em Tomar e outro no Entroncamento”, detalhou o responsável.
Por seu lado, Miguel Borges voltou a referir que o problema do Serviço Nacional de Saúde é “estrutural” afirmando mesmo que “as políticas públicas para a Saúde têm sido miseráveis” em Portugal.
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