Há mais de duas décadas que o Projeto Capela surge no âmbito do programa complementar da Semana Santa de Sardoal. Mais uma vez o espaço Cá da Terra acolhe, até dia 19 de maio, a exposição com os trabalhos desenhados pelos Alunos do Agrupamento de Escolas de Sardoal, alusivos aos tapetes de flores da Semana Santa.
O trabalho vencedor tem como recompensa ver o desenho materializado com pétalas de flores e verduras na Capela do Senhor dos Remédios e integrar o programa da Semana Santa, estando todos os trabalhos em exposição no espaço Cá da Terra, no Centro Cultural Gil Vicente.
Realizado há 21 anos, o Projeto Capela tem o objetivo de valorizar o património imaterial e herança cultural local, estimular a criatividade e sensibilizar para a importância de se manterem vivas as tradições no Concelho, envolvendo os alunos na Semana Santa e numa tradição secular.
Por isso integra o projeto Cultural de Escola do Agrupamento, possibilitando o desenvolvimento de uma cidadania participativa e a valorização da expressão de diferentes linguagens artísticas, que refletem a realização pessoal de todos os que nele se envolvem: alunos, professores, funcionários, pessoal não docente, técnicos, pais e encarregados de educação e entidades parceiras.
O desenvolvimento do projeto consiste na elaboração de estudos gráficos e na concretização de um tapete de flores, na época da Páscoa.


Envolve a participação de todos os alunos dos 2º e 3º ciclos e desenvolve-se inicialmente em sala de aula, nas disciplinas de Educação Visual, Educação Tecnológica ou Complemento à Educação Artística. Todos os alunos elaboram um projeto gráfico para um tapete de flores, com motivos simbólicos alusivos à Páscoa.
Numa segunda fase, é feita a seleção, de entre os trabalhos apresentados, daquele que se vai materializar, com flores campestres e materiais naturais (pedras, folhas, etc) no chão da Capela do Senhor dos Remédios, em Sardoal, durante a Semana Santa.
Em 2024 a vitória chegou no feminino, com quatro vencedoras. Obteve o segundo lugar a aluna Mariana Martins, em terceiro lugar ficou o trabalho de Joana Anastácio e em quarto o desenho de Alessandra Calabrese. Laura Sousa, com um desenho que sugere a Procissão dos Fogaréus, ficou em primeiro lugar.





Tendo em conta os mais de 100 trabalhos realizados, a diretora do Agrupamento, Ana Paula Sardinha, considerou na sexta-feira, 22 de março, no dia da inauguração, ser a “exposição uma celebração da arte, da cultura e da colaboração que existe entre o Agrupamento de Escolas e a comunidade sardoalense. Os tapetes de flores são uma das tradições que têm mais relevo na época pascal, no Sardoal, fazendo com que as igrejas e capelas ganhem uma nova vida e atraiam centenas de visitantes”, indicou.
Garantindo que o Agrupamento “tudo fará” para continuar a perpetuar no tempo esta tradição, “que nos permite desenvolver competências académicas, sociais, culturais e simultaneamente valores de cidadania” deu conta que este ano ganha “um novo relevo e uma nova importância”, não só pelo facto da Semana Santa do Sardoal ser agora Património Cultural Imaterial mas pela novidade do Eco-Tapete, um projeto em concurso nacional.
Para Ana Paula Sardinha a exposição reflete “não apenas a criatividade e o talento dos nossos alunos mas também o espírito acolhedor e vibrante da nossa comunidade”. Em declarações ao nosso jornal, a diretora do Agrupamento de Escolas de Sardoal explicou tratar-se de um projeto lançado no âmbito do Eco-Escolas.
“Lançaram este concurso este ano para a criação de um tapete de flores com materiais reciclados, muito inspirado nos nossos tapetes. Quando vimos este concurso pensámos logo em concorrer. O tapete foi executado no âmbito do nosso atelier de artes, com materiais, tecidos, reciclados”, explicou.


O tapete em concurso, de autoria de Joana Anastácio, aluna do 6º A da Escola de Sardoal, num projeto desenvolvido pela professora Carma Maia, concorre agora com outros trabalhos a nível nacional, e pode ser votado por todos.
“No inicio de janeiro os professores com os docentes de História começam a fazer a articulação, a viver as tradições, a fazer uma contextualização do meio. Depois passam à parte da execução aplicando as técnicas de Educação Visual e Educação Tecnológica, a seguir selecionamos, os professores de Educação Visual e o chefe de gabinete, os projetos vencedores”, detalha Ana Paula Sardinha.
O Eco-Tapete encontra-se a votação na página digital do Agrupamento, com divulgação também nas redes sociais.
A diretora manifesta-se “otimista” quanto à boa classificação do trabalho. “Ficou muito bonito e diferente. Estamos habituados a ver estes tapetes só com as flores naturais, já fizemos outros anos com flores secas, também ficaram bonitos, mas com materiais reciclados nunca tínhamos executado e ficou muito bem”.
Por seu lado, Miguel Borges, presidente da Câmara Municipal de Sardoal, considerou “um momento muito importante para todos nós”, salientando, igualmente, que este ano a Semana Santa encontra-se inscrita no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, candidatura que mereceu tal classificação em dezembro de 2023.
“A Direção-Geral do Património reconheceu o trabalho que temos estado a fazer desde 2017. É muito importante. Esta classificação é fruto daquilo que os sardoalenses tão bem têm sabido preservar durante décadas e até séculos, esta tradição muito antiga; a Semana Santa”, disse.

Este projeto, frisa o presidente, “visa transmitir aos nossos jovens a importância da tradição, da cultura, desta cultura tão popular, tão nossa, tão genuína. É importante que estas crianças, estes jovens sintam isto tão deles como os pais sentem e como os avós e bisavós sentiram”.
Miguel Borges sublinhou o papel “importante” da Escola e este desafio “foi lançado há 22 anos e continuaremos para o ano, e para o outro porque há trabalhos fantásticos. E tão importante como o que está aqui foi o processo para cá chegar”.
O Projeto Capela decorre, também, no âmbito do Plano Nacional das Artes, que visa refletir e disseminar o lugar das expressões e das linguagens artísticas na educação, formal e não formal, através de uma programação cultural integrada e diversa.
Com os trabalhos expostos, foram também entregues os diplomas de participação, quer aos quatro vencedores, quer aos demais participantes. A mostra é aberta a toda a comunidade, com entrada livre. Pode ser visitada no espaço Cá da Terra de terça a sexta-feira das 9h30 às 12h30 e das 14h00 às 18h00. Aos sábados das 10h30 às 12h30 e das 14h00 às 18h30. Encerra aos domingos e segunda-feira.
Na Semana Santa o horário de visita amplia-se, ficando aberta no dia 28 de março até às 21h30, na sexta-feira santa e no sábado santo até às 20h00, e no domingo de Páscoa estará aberta ao público das 15h00 às 19h00.
Até domingo de Páscoa, 19 igrejas e capelas do concelho vão estar enfeitadas com pétalas de flores e haverá recreações teatrais, música e exposições alusivas à época, ao mesmo tempo que decorrem várias procissões, como a dos Fogaréus, na noite de Quinta Feira Santa, em 28 de março, que costuma ser a mais participada.
