Foto: mediotejo.net

Este novo equipamento implicou um investimento na ordem de um milhão de euros. O presidente da Câmara Municipal do Sardoal, Miguel Borges, começou por sublinhar um dia “muito importante” para a comunidade sardoalense que passa, a partir de hoje, a contar com um novo espaço, “que tem uma história incrível”.

“É recuperar o nosso património, recuperar o espaço que já foi colégio e depois escola, (…) foi ensaio da Filarmónica… No fundo foi, durante muito tempo, um grande centro cultural da nossa comunidade”, afirmou.

“Também foi biblioteca durante muito tempo e entretanto, com o tempo, o edifício foi-se degradando, deixou de cumprir a sua função. Hoje, com muita alegria, estamos aqui, não só recuperando este edifício histórico que diz muito a uma boa geração de sardoalenses, mas também dando um equipamento fundamental, uma biblioteca”, acrescentou o edil.

Embora o concelho nunca tivesse ficado sem uma biblioteca ao serviço da comunidade, o recém-inaugurado edifício é “completamente diferente, com todas as condições que o anterior não tinha”, sublinhou o autarca.

A obra de requalificação arrancou em 2022 e ficou concluída no final de 2024. Foi depois necessário equipar a infraestrutura. A empreitada custou cerca de 925 mil euros, com uma taxa de cofinanciamento europeu de 100%, e os equipamentos tiveram um custo de cerca de 100 mil euros, suportados pelo município.

ÁUDIO | Miguel Borges, presidente da Câmara Municipal do Sardoal

Para Dalila Rodrigues, ministra da Cultura, trata-se de “uma honra” inaugurar este novo equipamento e ver o seu “nome gravado na vila de Sardoal”, acrescentando que “tem muito significado para mim”, tendo recordado a sua ligação ao concelho sardoalense.

“Em 2000 fui destacada para a Biblioteca Municipal de Sardoal para dar um curso de História de Arte. Foi uma relação muito harmoniosa, eu adorei a vila de Sardoal e os meus alunos. A Biblioteca voltou depois a requisitar os meus serviços, ao serviço de Bibliotecas e Apoio à Leitura da Fundação Calouste Gulbenkian, e aqui regressei para dar outro curso”, explicou.

“Como cada curso tinha a duração de uma semana, fui residente no Sardoal durante quinze dias”, acrescentou a governante, tendo ainda recordado o pedido feito pelo padre Francisco Valente para o “estudo mais aprofundado dos Mestres de Sardoal. Também aqui vim com o meu orientador e com investigadores estrageiros, reconhecer os Mestres de Sardoal, estudar essas pinturas e trabalhá-las do ponto de vista da sua historiografia”.

Referindo-se ao autarca de Sardoal, a governante afirmou ser “um presidente de Câmara excecional que faz toda a diferença”. Quando às bibliotecas municipais, estas são, para Dalila Rodrigues, “um dos nossos tesouros”, manifestando a vontade de que estas sejam “centros ativos da vida cultural das comunidades”.

Durante a sua intervenção, a Ministra da Cultura anunciou que o recém-inaugurado equipamento vai beneficiar, a par com as restantes bibliotecas da região do Médio Tejo, de seis medidas do Governo.

Para além de um reforço e atualização dos catálogos, Dalila Rodrigues indicou que irá continuar o programa “Um escritor por mês na minha biblioteca”, bem como a implementação de um conjunto de atividades, a pedido do Ministério da Cultura, no âmbito das Comemorações dos 500 anos do nascimento de Camões.

Para implementação nas bibliotecas estão ainda planeadas “residências artísticas de várias áreas”, tendo Dalila Rodrigues manifestado a vontade de concretizar um programa de Estudos da Paisagem.

ÁUDIO | Dalila Rodrigues, ministra da Cultura, durante a inauguração da Biblioteca Municipal do Sardoal

“Atrevo-me a dizer que não é só um espaço para o concelho, é um espaço que pretende ter também aqui uma dinâmica regional, um polo cultural também a par de outros que nós temos na nossa região”, afirmou Miguel Borges.

O autarca sublinhou ainda a articulação do espaço com as bibliotecas da região, bem como com as escolas e com a população, com atividades como “O livro vai a casa”, em que podem ser solicitados livros através da internet ou por telefone e que a biblioteca fará chegar até casa dos cidadãos.

“Vai ser um espaço que vai ter um horário de funcionamento diferente, vai estar encerrado à segunda-feira, não porque os nossos funcionários não vão trabalhar, mas porque a segunda-feira é o dia virado para a comunidade, um dia onde vão às escolas, às IPSS… um dia onde a Biblioteca sai deste espaço e vai para a rua, ao encontro dos leitores”.

Quanto aos agradecimentos, Miguel Borges não esqueceu os funcionários do município, toda a equipa da Biblioteca Municipal do Sardoal, o arquiteto responsável e todos os envolvidos no processo, desde o momento da candidatura até à inauguração.

“Este espaço é de todos, aproveitem, é um espaço fundamental, um espaço que faz tanta falta nos dias de hoje. E porque é que este espaço existe no Sardoal? Porque interioridade não é sinónimo de inferioridade e nós temos que ter esta ambição de termos aquilo que os grandes centros têm”, concluiu.

Foto: mediotejo.net

Com “áreas amplas e bastante luz natural”, a nova biblioteca dispõe de sala infantil, sala juvenil e uma de literatura em geral, e estão disponíveis no edifício diversos computadores com acesso à Internet para usufruto dos utilizadores.

Já em 1997 o edifício do antigo externato havia sido objeto de obras de recuperação, tendo sido ocupado então pela Biblioteca Fixa n.º 176 da Calouste Gulbenkian, serviço que aí funcionou até 2007, juntamente com a Escola de Música da Filarmónica União Sardoalense e uma delegação do Instituto Português da Juventude, entre outros.

Devido à contínua “degradação” do imóvel e às “deficiências estruturais e de conforto da antiga biblioteca”, o espaço cultural foi transferido para a Casa Grande (ou dos Almeidas), junto à Câmara Municipal, onde funcionou nos últimos anos.

Outra novidade é que a Biblioteca Municipal de Sardoal passará a estar aberta ao sábado. Assim, funcionará de terça-feira a sábado. À terça-feira das 11h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00 e nos restantes dias das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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