Dulce Figueiredo à entrada a Biblioteca Municipal de Sardoal. Créditos: mediotejo.net

Posto isto, a biblioteca pública ficou para deliberar “oportunamente”, ou seja, não avançou, conta a bibliotecária responsável pela Biblioteca Municipal de Sardoal, Dulce Figueiredo, que conjuntamente com o presidente da Câmara, Miguel Borges, conversou com o nosso jornal sobre o significado de “semear leituras” durante 25 anos, “numa casa onde toda a gente cabe”.

Inaugurada a 6 de dezembro de 1997 com a presença de Vasco Graça Moura, Armando Fernandes e Ana Gaiaz, quadros superiores da Fundação Calouste Gulbenkian, a Biblioteca Fixa Calouste Gulbenkian n.º 176 funcionou até dezembro de 2002, data em que a Fundação encerrou o Serviço de Bibliotecas e Apoio à Leitura e com isso extinguiu as bibliotecas fixas. Nessa mesma ocasião a Fundação doou todo o espólio da então Biblioteca Fixa n.º 176 à Câmara Municipal de Sardoal, dando início ao funcionamento da Biblioteca Municipal de Sardoal.

De 1997 ao início de 2007 o serviço de biblioteca ocupou parte do antigo Externato Rainha Santa Isabel. Em 12 de março de 2007, a Biblioteca abriu as portas nas atuais instalações, parte da Casa Grande ou dos Almeidas, onde permanecerá até ao retorno à sua primeira casa, após o restauro e adaptação do antigo externato, que terá obra de construção civil concluída no primeiro trimestre de 2023.

“Acho que será uma boa prenda de aniversário”, começou por dizer o presidente da Câmara Municipal de Sardoal, Miguel Borges, sobre a “casa nova” da Biblioteca Municipal. “Há muito esperada e desejada. Por várias razões. Onde hoje está instalada, o edifício é bonito, mas em termos de funcionalidade e acessibilidade não é o que mais desejamos”.

Por isso, o executivo municipal “juntando o útil ao agradável” ou seja, o requalificação do Externato Rainha Santa Isabel , “a Biblioteca volta ao local de origem. O Externato foi escola e depois biblioteca e depois houve a deslocalização para o centro da vila. Com o tempo também se vão criando novas centralidades. Ficará perto da escola e dará apoio à escola, perto do centro cultural que poderá servir de apoio à Biblioteca. E a nossa vila é tão pequena que ficamos sempre perto de tudo”, refere Miguel Borges.

A nova Biblioteca de Sardoal vai nascer no antigo edifício do Externato Rainha Santa Isabel. Créditos: mediotejo.net

A intervenção no Externato tem como objetivo criar todas as valências necessárias ao funcionamento de uma biblioteca municipal, quer de funcionamento geral, quer administrativas e quer de apoio a eventos a realizar.

Assim, a “nova casa” terá dois pisos que se interligam através da escada existente e um elevador. No piso zero os espaços que anteriormente albergavam as salas de aula e entrada, passarão a funcionar os espaços dedicados à zona de entrada, receção e administração, sala polivalente e sala juvenil. A zona da ampliação albergará espaços como sala infantil, sala de apoio à sala polivalente, núcleo de instalações sanitárias, depósito, manutenção e sala do pessoal.

No piso 1, opta-se pela implantação de espaços amplos, sendo este piso dedicado quase por inteiro à sala de leitura e literatura e zona de periódicos. Neste piso também localizar-se-á num espaço próprio e encerrado a sala de reuniões, zona de instalações sanitárias e acesso ao espaço exterior. No exterior haverá um pequeno auditório ao ar livre, onde hoje está a cisterna, avança o presidente.

A obra pretende “dar à Biblioteca as condições de uma biblioteca do século XXI”, acrescenta Miguel Borges. O presidente refere que “estrategicamente uma biblioteca é fundamental para a valorização de uma comunidade. O acesso ao livro, mas neste momento não é só acesso ao livro. Há várias formas de aceder à informação. Sou um apaixonado pelo livro mas não rejeito as novas tecnologias nem nenhuma outra fonte de informação, mais virada para o século XXI. Sem contudo descuidar aquilo que é a essência de uma biblioteca e esse é o grande desafio”, considera o presidente.

Ou seja, a estratégia não passa apenas pela “animação através do livro, a pessoa ler apenas pelo prazer de ler, como quem vê um filme, para ter contacto com uma história. Porque ler é muito bom e é bom que as pessoas ganhem hábitos de leitura, nem que seja através dos jornais”.

Dulce Figueiredo e Miguel Borges. Créditos. mediotejo.net

A Biblioteca Municipal, através dos seus serviços, valências e espaços funcionais, prossegue a estratégia definida no Manifesto da Unesco, de promoção e incentivo à leitura, à literacia e à cultura, assente numa relação dinâmica com a população.

Atualmente a Biblioteca dispõe de uma sala infantil, uma sala juvenil, uma sala de temáticas generalistas, uma sala com literatura portuguesa e estrangeira e um Espaço Internet. Na receção os utilizadores podem aceder à Internet e consultar de forma gratuita a imprensa diária e semanal de âmbito local e nacional.

O acervo da Biblioteca possui cerca de 20 mil obras, repartidas por temáticas e géneros diversos, acessíveis à consulta no local ou através do empréstimo domiciliário.

Miguel Borges dá conta da estratégia municipal para a Biblioteca passar também pela oferta “de temáticas estratégicas para o nosso concelho”, falando da fé e da religiosidade e também de Gil Vicente.

“É muito importante que possamos ter uma especialização em termos de documentos, de conteúdos, seja qual for o suporte. Queremos contribuir para além dos objetivos de uma biblioteca normal que faz parte da Rede Nacional de Bibliotecas, ainda por cima com a articulação que temos com as bibliotecas da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo. É fundamental uma biblioteca atualizada e um espaço onde as pessoas se sintam bem e é isso que procuramos no novo espaço: que a pessoa possa beber um café, ler um jornal, ler um livro, consultar os documentos que são reservados e não podem sair da biblioteca, que seja realmente um espaço apelativo”.

Ao longo do ano são promovidas diversas atividades, destinadas a todos os tipos de público, tendo como principais objetivos o incentivo à leitura, a partilha de ideias e de saberes, a aprendizagem ao longo da vida e a ocupação de tempos livres, nomeadamente através da criação de um Clube de Leitura e de uma estreita relação com o Agrupamento de Escolas de Sardoal, a Universidade Sénior e os Centros de Dia concelhios.

Biblioteca Municipal de Sardoal. Créditos: mediotejo.net

De momento o Espaço Internet e a Sala Infantil encontram-se encerrados ao público mas o digital já faz parte da vida diária da Biblioteca. O utilizador pode, através do seu número de leitor e credencial de acesso, fazer reservas no catálogo e aceder gratuitamente à imprensa periódica disponibilizada pela plataforma PressReader.

“O PressReader foi uma aposta ganha, uma infraestrutura que tivemos acesso através da CIMT, todas as bibliotecas do Médio Tejo, e curiosamente à primeira pensámos que municípios pequenos como o nosso, e envelhecidos, que não teria um grande eco. Pelo contrário! Não só em termos absolutos mas principalmente em termos relativos. Somos o município que mais adesão teve dos 13 do Médio Tejo. Ganhamos leitores que inclusivamente nunca tinham entrado à nossa porta para dentro. A imprensa é uma coisa que as pessoas apreciam, nem que seja para ler as gordas. E o PressReader oferece um grande leque de temas, nacionais e internacionais”, disse Dulce Figueiredo.

Nestes 25 anos a “semear leituras”, e agora com a realidade dos livros digitais, Miguel Borges sublinha que “é importante que a pessoa leia, seja em que plataforma for”. Mas a procura da informação num livro em papel, contrariamente ao digital que nos dá a informação rapidamente, “também pode ser um caminho, uma nova forma de conhecimento, porque até lá chegar vamos descobrindo outras coisas que nos podem despertar interesse”.

Além disso, nos conteúdos digitais “não há uma triagem da informação como há nos livros”, critica. Por isso “é preciso perceber onde se consulta, há muita informação boa e outra informação menos boa que aparece diretamente aos nossos olhos quando fazemos uma consulta digital”. Ainda assim, “o digital é fundamental porque nos dá acesso a conteúdos que o livro não tem, por exemplo uma enciclopédia de música – em livro – é ler, mas se for em digital podemos estar a ler, a ouvir e a ver até os próprios concertos. E também já há os áudio-livros”, observa o autarca.

Contudo, o espaço que a Biblioteca Municipal de Sardoal tem na Casa Grande torna-se cada vez mais apertado, “sem hipótese de crescimento”, refere Dulce. Até porque a Biblioteca recebe consideráveis ofertas de livros, dá conta o edil. Problema que será inexistente num futuro próximo aquando da mudança para o edifício do antigo Externato Rainha Santa Isabel, sua primeira casa, agora em fase de recuperação.

“Estamos a apoiar uma biblioteca em Cabo Verde (Ribeira Brava na ilha de Santo Antão) e alguns livros – inclusive repetidos –, quando alguém nos oferece, enviamos para essa biblioteca” neste momento estão prontos a partir 1500 livros, refere Miguel Borges que considera a biblioteca “um espaço fundamental para o desenvolvimento de uma comunidade”.

E “para o bem estar”, acrescenta, por seu lado, Dulce Figueiredo. “Temos uma comunidade envelhecida e é o nosso maior público, para já”. A bibliotecária mantém a “esperança” de chegar aos mais jovens quando a Biblioteca mudar para a nova casa, junto à escola de Sardoal.

Entre os mais velhos, “notamos que as pessoas estão muito sozinhas e a biblioteca acaba por ter um lado social, também muito importante” que passa por “vir dar o bom dia, conversar um bocadinho, é uma porta aberta! Sentimo-nos quase no papel do farmacêutico, não com medicamentos químicos mas com medicamentos livros: tentar dar alguma coisa que puxe um bocadinho o ânimo. No inicio do mês – quando surgem as novidades – vêm espreitar e depois começamos a conhecer os leitores e há também o pedido de aconselhamento, e resulta muito bem. É uma casa onde toda a gente cabe!”.

Sendo que o “silêncio” na Biblioteca de Sardoal também não é uma regra rígida, principalmente com os mais pequenos. “Quero que sejam felizes. Queremos uma biblioteca que seja vista com um sorriso e não como uma coisa muito séria”, afirma Dulce.

A bibliotecária Dulce Figueiredo responsável pela Biblioteca Municipal de Sardoal. Créditos: mediotejo.net

Para Dulce, a biblioteca tem de ser um local “para tudo! Para quem vem à procura de um livro, para quem não está habituado a ler, a lidar com um computador ou com a Internet e chegar lá ter à vontade, temos a função de ajudar. E temos a função de promover a leitura, mais novos e mais velhos, receber a Universidade Sénior para atividades que podem ir desde a culinária ao debater um livro como aconteceu com as sessões do Clube de Filosofia de Abrantes. Estamos na comunidade para servir essa mesma comunidade”.

Ou seja, “a biblioteca é muito mais do que as quatro paredes. É a biblioteca quem tem o serviço de levar o livro a casa da pessoa que já não pode vir, de telefonar para saber se está tudo bem, que tenta trazer atividades que não é só sobre o livro ou uma cultura que não está acessível para todos. Temos de fazer o esforço de nos adaptarmos às necessidades, senão as bibliotecas morrem. A biblioteca enquanto repositório de livros, dvd, o que seja , morrem porque as pessoas têm, cada vez mais, um acesso móvel às coisas”.

Outra estratégia municipal passa pelo apoio na publicação de autores locais. Durante as Festas do Concelho, que decorreram no final de setembro, mais um autor de Sardoal viu o seu livro lançado. “Claro que sim, há sempre essa disponibilidade”, garante o presidente. A autarquia apoia “não só a publicação, a edição, mas também no lançamento, na apresentação e no trabalho em si”, designadamente na recolha de material, que muitas vezes se encontra na biblioteca.

Aliás, muitos dos “clientes” da Biblioteca de Sardoal chegam pelos equipamentos e acessos tecnológicos como aconteceu com os refugiados da Ucrânia que se encontram na vila. “Aquela necessidade de produzir documentos, de utilizar a Internet – em telemóvel não é a mesma coisa do que ter um computador -, aquela barreira de língua – muitas vezes as plataformas que utilizamos em Portugal não disponibilizam a escolha do inglês. Ajudamos em vários vetores e é muito interessante ver depois o retorno”, refere a responsável que recorda a Biblioteca Fixa Calouste Gulbenkian e José Diniz como “um criador de leitores” porque esse é “o eco que oiço hoje das pessoas com mais de 50 anos, que usufruíram da visita da carrinha. Ele sabia o que aconselhar”.

Miguel Borges reforça: “Temos de dar continuidade a esse excelente trabalho da Biblioteca Fixa Calouste Gulbenkian modernizando-o, atualizando-o”.

Entrou em obra o edifício do Externato Rainha Santa Isabel, em Sardoal, para albergar a Biblioteca Municipal. Créditos: CMS

Os adolescentes são, no entanto, a faixa etária mais “difícil” de conquistar. “O ler exige um momento de concentração, é quase como se o tempo parasse, de facto não é instantâneo nem tem logo a resposta, mas começam a achar interessante o prazer de ver que se pode dizer a mesma ideia de milhares de formas diferentes, com palavras que nem usaríamos. Mas, de facto, os adolescentes são o público mais difícil a partir dos 12 ou 13 anos”.

Dulce Figueiredo admite que atualmente “há menos hábitos de leitura” apesar do trabalho da escola de Sardoal que classifica de “muito bom”. Explica que a Biblioteca tem uma rede com a escola, podendo os livros ser requisitados na Biblioteca ou na escola. “Queremos ser pontes” tal como acontece com a Rede de Bibliotecas do Médio Tejo, também “muito bom, porque concelhos mais pequenos como o nosso – nem tanto a ver com tamanho mas com os recursos que temos porque não são infinitos – tem empréstimos de livros, emprestamos uns aos outros”.

Falando de preferências assegura que “as pessoas gostam muito de romance histórico”. Já a atualidade dos temas mais escolares, “filosofia, matemática, não tem sido uma prioridade porque não são pedidos. E como temos de fazer a gestão, prefiro ter recursos para dar aos leitores aquilo que pedem. Mas estamos sempre recetivos embora não possamos comprar uma obra para um leitor”.

Os focos principais da Biblioteca são a ficção, a biografia, as viagens, a literatura de lazer e a literatura infantil e juvenil. “Se o juvenil não tem muita saída porque utilizam muito a biblioteca da escola, e nós servimos quase como reforço à biblioteca da escola, há essa preocupação. A outra grande preocupação é os livros para os mais pequenos que são vorazes a ler, nunca há um número limite de livros que queiram levar, querem sempre levar mais. Tentamos que seja um limite de cinco livros por cada empréstimo”, avança Dulce que rejeita a escolha “elitista” dos livros para uma biblioteca de comunidade.

Biblioteca Municipal de Sardoal. Créditos: mediotejo.net

Para assinalar os 25 anos da Biblioteca “tentámos dar continuidade àquilo que já fazemos” ou seja, “atividades para um público geral, atividades pensadas para a escola, tentando sempre trazer assuntos importantes e dar um ênfase local, a personalidades ou entidades locais. Continuar com a ideia da newsletter para as nossas forças vivas nos próximos tempos. Não mudámos drasticamente o tipo de iniciativas porque já temos aquilo que é importante. Por exemplo no dia 27 de janeiro assinalámos o dia em memória das vítimas do holocausto. Um papel que as bibliotecas também devem ter. Não vamos mudar o mundo mas podemos chamar a atenção das pessoas para coisas muito importantes que, num mundo de corre corre, por vezes passam um bocadinho ao lado”, defende Dulce.

Também no Boletim Municipal, na rubrica “Arquivo de Memória” a Biblioteca chamou a si essas páginas. “Teremos no próximo ano mais artigos sobre pessoas que foram fundamentais para que esta casa existisse, crescesse e se desenvolvesse, nomeadamente o sr. José Diniz porque, realmente, a sementinha foi ele quem lançou. Nas exposições tivemos também no 25 de Abril a ‘Palavras de Abril’. Fomos recolher alguma literatura e poemas antes do 25 de Abril e depois do 25 de Abril e juntámos música. Temos pensado – e porque vamos ter o congresso de Gil Vicente – uma mostra sobre o Gil Vicente e o teatro em Portugal, com os nossos recursos”.

Em novembro, a Biblioteca comemora os 100 anos do Prémio Nobel da literatura, José Saramago. “Vamos ter uma companhia de teatro e uma exposição, escrito por ele ou sobre ele. Conseguimos fazer uma aquisição de uma licença do Prisma, do nosso sistema de gestão, que também era vital. Pudemos abrilhantar com Sérgio Godinho que veio cá apresentar o seu novo livro, evento que foi transmitido por streaming, lançamos o projeto literário Estrada Nacional 2 e tivemos Afonso Reis Cabral e Paulo Moura. E vamos lançar o prémio literário no âmbito da EN2. Este ano será sobre Contos, para quem percorre a EN2 poder partilhar connosco, concurso de âmbito nacional. Um projeto para três anos, partindo do Sardoal, que se deslocar-se-á para outro município da EN2, e outras artes”, desvenda.

Ou seja, “não há uma programação extraordinária para os 25 anos. É o continuar daquilo que foi o trabalho anterior e será o continuar dos próximos anos. Poderá haver uma atividade ou outra que nasceu este ano mas é para continuar”, esclarece Miguel Borges.

Ainda assim, a programação da Biblioteca Municipal de Sardoal conta com a apresentação do livro de Francisco Sousa, na semana anterior à do Natal decorrerá uma Feira do Livro solidária com a verba conseguida a reverter a favor de uma instituição. E no dia do aniversário (em dezembro) virá de Beja o humorista e contador de histórias Jorge Serafim.

Para 2023 “continuar esta corrente”, assegura a bibliotecária. “Há outras obras que gostaríamos de colocar cá fora. Alguns atelieres… no fundo, a celebração dos 25 anos vai ser os anos 2022 e 2023. Porque se agora estamos a querer comemorar a data, para o ano vamos ter os 25 anos feitos e uma Biblioteca Nova e queremos que tenha logo um conjunto de atividades que chame estes públicos, de Sardoal e, eventualmente, dos nossos municípios vizinhos. Um projeto muito sonhado e que as pessoas acalentam há muito tempo”, reforça Dulce.

Relativamente ao perfil do leitor revela que “alguns senhores, com mais de 60 anos, procuram a imprensa, algumas senhoras, da mesma faixa etária, procuram bordados, artes e ideias. Houve uma diminuição drástica aquando da pandemia, porque deixámos de ter imprensa – e ainda não temos o que tínhamos, porque há o PressReader e os leitores da imprensa deixaram de vir, decidimos aplicar essa verba a outras coisas. O grosso dos nossos leitores têm mais de 40/50 anos e a leitura é acima de tudo evasão; ficção, biografia. Depois os mais novos, desde os bebés até às crianças com 11 ou 12 anos, querem aventuras… mas há ondas de popularidade”, revela Dulce Figueiredo.

Quanto ao número de leitores, a Biblioteca Municipal de Sardoal conta com cerca de 1400 inscritos.

Biblioteca Municipal de Sardoal. Créditos: mediotejo.net

ATIVIDADES DA BIBLIOTECA MUNICIPAL EM 2022

  • Newsletter da Biblioteca – janeiro a dezembro – Escolha do Autor do Mês a partir de personalidades ou entidades sardoalenses relevantes para a comunidade, segundo o mês de aniversário.
  • Arquivo de Memória do boletim “O Sardoal” – elaboração de artigos sobre factos e pessoas ligadas à Biblioteca.
  • Mostras bibliográficas / Exposições
  • a. janeiro – “Autores Judeus na Biblioteca do Sardoal”.
  • b. abril, 23 – Exposição fotográfica “Acordo fotográfico”
  • c. abril, 25 – “Palavras de Abril” impressão de poemas antes, durante e depois da revolução e algumas imagens de abril, a partir do acervo do Centro de Documentação do 25 de Abril e uma playlist de músicas da época;
  • d. outubro – mostra “Gil Vicente e o Teatro em Portugal”
  • e. novembro – mostra “José Saramago na Biblioteca Municipal de Sardoal” e peça de teatro a Maior flor do Mundo com a Atrapalharte – 26 novembro
  • Aquisição de mais uma licença de catalogação do PORBASE/ PRISMA.
  • Visita do Sérgio Godinho – Apresentação do Livro – “As palavras são imagens são palavras”
  • Lançamento do Festival Artes na N2, com lançamento ainda este ano do concurso literário “Contos N2”
  • Atividades comuns a outros anos a. Fase Municipal e Intermunicipal do CNL b. Semana da Leitura – com várias companhias de teatro e escritores
  • Lançamento do livro do Francisco Sousa “Lendas Cá da Terra” – 25/09/2022 – Festas do Concelho
  • Aniversário (terça-feira 6/12/2022), distribuição de lápis e marcadores com frases positivas e/ou relativas à leitura, espetáculos do Jorge Serafim
  • Feira do Livro solidária entre 12 e 17 de dezembro.

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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2 Comentários

  1. Trabalho exemplar que contempla espirito de missão em prole da cultura, da comunidade e da interioridade.

  2. Parabéns Dulce, pelo excelente trabalho desenvolvido e também pelo programa a desenvolver no futuro. Força.

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