Patricia Rei, Miguel Borges e Isabel Pereira (da esquerda para a direita)

Dois meses depois de ter sido apresentada publicamente a Estratégia Integrada de Desenvolvimento do concelho de Sardoal, a Câmara Municipal realizou uma sessão de esclarecimento específicamente para empresários. A ideia passou por explicar em que assenta o plano, onde podem investir, quais os benefícios fiscais e outros. No dia 17, na sala do Centro Cultural Gil Vicente, cerca de 20 empresários, ouviram, colocaram questões e ficaram a saber que a grande aposta do Município vai para o turismo religioso, que se quer também durante o verão, e para a regeneração do Centro Histórico da vila.

O presidente da Câmara Municipal de Sardoal, Miguel Borges, acompanhado da sua chefe de gabinete, Patrícia Rei, e pela coordenadora do gabinete de apoio ao empresário, Isabel Pereira, começou por explicar que Sardoal é “um território com uma identidade própria, que apresenta um conjunto de potencialidades e, naturalmente, algumas fragilidades”. Saber potenciar as qualidades e colmatar as fraquezas, respeitando o que torna aquele território único e genuíno, e, simultaneamente, sabendo encontrar formas para o diferenciar no panorama regional e nacional, é a aposta do Município, “fundamental para a construção de um futuro de sucesso a todos os níveis”.

O plano tem como objetivo definir linhas de orientação estratégicas para o desenvolvimento do turismo no Sardoal, com o intuito de tornar o concelho numa referência nacional na área do turismo. Pretende também um modelo sustentável, que contribua para o desenvolvimento económico e para a qualidade de vida dos sardoalenses e de quem os visita, alicerçado nos recursos existentes e alinhado com as estratégias nacionais e regionais.

Recordou serem quatro as intervenções estratégicas: garantir qualidade de vida e atratividade; afirmar o turismo religioso, “como se pode potenciar a Semana Santa em julho ou Agosto”, referiu; estruturar o ecossistema criativo de produção artistica; e valorizar a dimensão rural.

“Não há nenhuma vila no País que tenha seis capelas e três igrejas em 1500 metros de distância, e isso é diferenciador” observou.

Apresentação da Estratégia Integrada de Desenvolvimento do concelho de Sardoal

Na valorização do turismo religioso e patrimonial os empresários ficaram a saber que haverá apoio à recuperação do património religioso edificado, apoio ao alargamento das condições de visibilidade do património religioso, na criação de oferta turística para os diferentes públicos do turismo religioso. Que está prevista a realização de eventos culturais em edifícios religiosos, que será criado um Centro de Estudo e Interpretação do património e do arquivo de memória, que haverá incentivo à criação de Núcleos Museológicos nas Aldeias e a concertação de roteiros de visitação com outros municípios do Médio Tejo como Ourém e Tomar.

Miguel Borges lançou a questão de como é possível “levar um empresário a escolher Sardoal?” em detrimento de cidades próximas como Abrantes, Entroncamento ou Tomar. A resposta centra-se na visão cultural para o concelho que seja diferenciadora, como contributo para a decisão, uma vez que “incentivos económicos e fiscais, e zonas industriais todos os municípios oferecem”, diz. No Sardoal importa haver “uma consciência social, cultural e qualidade de vida” que os concelhos vizinhos não oferecem.

Assim, foram criados e apresentados aos empresários “um conjunto de documentos que são estratégicos para o futuro do concelho”, referiu Miguel Borges, acrescentando possuírem uma dupla função ao “serem uma mais-valia para detetarem as fragilidades e fraquezas” que possam contribuir para a criação de um produto “gerador de riqueza”.

A Estratégia Integrada de Desenvolvimento do Sardoal (EIDS) surge como forma de direcionar as iniciativas a dinamizar no âmbito dos fatores diferenciadores do município no contexto supramunicipal do Médio Tejo, articulando estratégias e dando continuidade à visão definida no Médio Tejo 2020 – Estratégia Integrada de Desenvolvimento Territorial (EIDT).

Reconhecendo as especificidades de cada território, a EIDT valoriza as suas valências e características, dando-lhes dimensão através do desenvolvimento articulado dos diferentes territórios e projetando a região.

A estratégia é então “criar produtos atrativos” que possam “vender o interior de forma positiva e não como um território deprimido como muitas vezes se teima em fazer chegar fora desse mesmo interior”, referiu o autarca.

Por isso, a visão de futuro para Sardoal centra-se num território equilibrado, ligado aos seus recursos endógenos, polarizado pela vila histórica, sede de cultura religiosa e produção artística, articulado em redes de complementaridades. Com a missão de assegurar o equilíbrio social e económico, e com tónica na qualidade de vida.

Apresentação da Estratégia Integrada de Desenvolvimento do concelho de Sardoal

Em 2015, o Programa Estratégico de Reabilitação Urbana (PERU) delimitou a ARU (Área de Reabilitação Urbana), e o Município aposta agora na ORU (Operação de Reabilitação Urbana) com uma expetativa de investimento na ordem dos 8 milhões de euros, durante os próximos 15 anos.

Para tal avança com benefícios fiscais da reabilitação de edifícios na ARU com redução ou isenção de taxas municipais, isenção de Imposto Municipal sobre Imóveis até sete anos, isenção de IMT, dedução à coleta de 30% num máximo de 500 euros, rendimentos prediais tributados a 5%, 6% de IVA na empreitada de reabilitação e mais-valias tributadas a 5%.

O presidente referiu ainda como “bom” exemplo a Loja do Cidadão “procurada por muitos empresários, uma vez que em Sardoal “não há dificuldade para estacionar”.

Como pontos fracos foram identificados a falta de alojamento (44 camas) e de outros agentes turísticos; património religioso degradado e de acesso condicionado; fraca sinalética de interesse turístico; inexistência de um museu/centro interpretativo de relevo; pouco comércio e animação no Centro Histórico e baixa notoriedade da marca Sardoal.

Sardoal terá “um centro interpretativo de turismo religioso na Capela da Nossa Senhora do Carmo. Para tal, o Município vai recuperar a capela num investimento no valor de 150 mil euros”, uma obra de construção civil, avançou.

O mercado de arrendamento igualmente, segundo Miguel Borges, precisa ser “desmistificado” em Sardoal. “Temos muitas casas vazias, os sardoalenses têm receio de arrendar e temos muitas pessoas a quererem arrendar casa no concelho”, garantiu.

Perante a plateia de empresários, Miguel Borges avançou com a novidade do regulamento de incentivos à criação de postos e trabalho. “Quem criar um posto de trabalho pode ter um apoio monetário municipal durante um período de tempo”, explicou. Tal iniciativa avança em parceria com o Instituto do Emprego e Formação Profissional. “Não só para os novos empresários que se instalam, mas também para os empresários que já cá estão”. Aliás, “garantir e melhorar as condições de todos aqueles que investiram e trabalham no concelho”, assegurou o autarca, insere-se dentro da primeira estratégia municipal. Além disso, “se for uma empresa diferenciadora pode haver lugar a uma majoração”, acrescentou.

Apresentação da Estratégia Integrada de Desenvolvimento do concelho de Sardoal

Pela plateia foram apontados “problemas” para o comércio local como a deslocação da Feira da rua principal da vila, ou a necessidade das gentes das localidades do concelho deslocarem-se à vila para fazer compras, realidades contrariadas pelo presidente com a “boa adesão do transporte a pedido”.

Também sugestões, como a valorização das zonas de lazer e a necessidade de uma praia fluvial no concelho. E questionaram se Sardoal sempre terá um Hotel. Miguel Borges disse que “da parte da Câmara Municipal foi feito o que poderia ter sido” e que agora a construção do Hotel, que rondará um investimento na ordem dos quatro milhões de euros, “está nas mãos do investidor e dos fundos comunitários”. Reconhece, no entanto, que Sardoal necessita de uma unidade hoteleira “com 40 quartos no mínimo. Sem isso não conseguimos ser competitivos”.

Foi ainda apresentada a nova identidade visual do Município. A identidade Sardoal é composta por dois elementos, o símbolo representado pelo ‘S’ e pelo nome ‘Sardoal’. Os dois elementos vivem em conjunto e como identidade, demonstram a grande diversidade existente no concelho.

A identidade centrou-se na pureza patente, na cultura, na fé, na natureza, no património, na gastronomia e naturalmente no lagarto. Tal Identidade foi colocada pelo Município à disponibilidade dos empresários para que a possam usar nas suas comunicações.

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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