Antigo Centro de Saúde de Sardoal será espaço de cowork. Foto ilustrativa: Pixabay

A Assembleia Municipal aprovou uma alteração orçamental para levar a cabo um projeto de cowork, num investimento de 500 mil euros, que o executivo propõe para Sardoal, um espaço “para instalação de pequenas empresas, um espaço multisserviços em que podemos dar alguma dinâmica à nossa economia local”, começou por o presidente da Câmara aos deputados municipais.

O projeto surge no âmbito do Programa de Revitalização do Pinhal Interior (PRPI) que desenvolve um conjunto de medidas e ações, de forte cariz territorial, capitalizando complementaridades e sinergias locais e coordenando as diversas políticas setoriais em prol de uma estratégia de desenvolvimento para a área em causa.

Assembleia Municipal de Sardoal. Foto: mediotejo.net

Um diploma aprovado em setembro de 2021 alargou o âmbito territorial do PRPI, que passou a incluir o concelho do Sardoal e 15 outras freguesias dos concelhos de Castelo Branco, Fundão, Penacova e Vila Velha de Rodão. Recorde-se que o Programa abrangia inicialmente os concelhos de Alvaiázere, Ansião, Arganil, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Góis, Lousã, Mação, Miranda do Corvo, Oleiros, Oliveira do Hospital, Pampilhosa da Serra, Pedrogão Grande, Penela, Proença-a-Nova, Sertã, Tábua, Vila de Rei e Vila Nova de Poiares.

São financiados projetos em quatro domínios temáticos:

  1. Pessoas, Inovação Social, Demografia e Habitação: com cerca de 20% do total dos apoios para, por exemplo, ações de integração e acompanhamento de novos residentes e imigrantes, respostas sociais para os mais idosos ou requalificação urbanística;
  2. Economia, Competitividade e Internacionalização: destina 25% dos apoios para qualificar e criar áreas de localização empresarial, para apoiar investimento empresarial, nomeadamente em projetos de inovação e digitalização;
  3. Ambiente, Florestas, Agricultura e Ordenamento: reserva metade dos apoios para dinamizar a gestão da paisagem no Pinhal Interior, tornando a floresta mais resiliente, e fomenta modelos de gestão mais rentáveis; financiará ainda a implementação do Centro de Competências Geospacial;
  4. Turismo e Marketing Territorial – que disponibilizará 5% do total para a promoção da região, bem como a criação de estruturas de animação, recreio, lazer e espaços públicos associados à atividade turística.

As propostas apresentadas no Programa resultaram do contributo dos municípios, das várias áreas
de governação e do processo de consulta pública realizado. No total são 20 projetos, de várias áreas que vão desde a valorização das aldeias à habitação. Sardoal e Mação repartem um milhão de euros “com as devidas proporcionalidades”, explicou Miguel Borges.

Apesar do Espaço Empreende, um investimento aplicado na Loja do Cidadão de Sardoal com o objetivo de dotar os empresários de ferramentas que lhes permitam dinamizar a sua atividade, Miguel Borges nota ser “muito reduzido” sendo que o espaço que estava pensado para cowork no Parque de Negócios de Andreus “irá ser ocupado por uma nova empresa”, explica.

Para aquele que nascerá com financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência – estando a ser gerido pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo – a partir desta quinta-feira, o executivo municipal estará “em condições de avançar para o projeto” de arquitetura. Sem saber o número de empresas ou empresários que poderá acolher, o autarca quer que seja “um espaço multifuncional e articulável”, disse ao nosso jornal.

A ideia passa por “requalificar um edifício, o antigo Centro de Saúde, perto da Junta de Freguesia de Sardoal. Será construído um edifício novo com essa finalidade”, referiu Miguel Borges em Assembleia Municipal.

Agora a Câmara Municipal de Sardoal tem dois meses para apresentar o projeto. Contando com financiamento do PRR terá de estar pronto obrigatoriamente até 2026.

Assembleia Municipal de Sardoal. Foto: mediotejo.net

O PRPI, programa originalmente criado em 2018 para uma região particularmente afetada pelos incêndios, mobilizou até ao momento da sua atualização – em setembro de 2021 – um investimento de quase 314 milhões de euros, dos quais 192 milhões de euros são fundos europeus.

O Conselho de Ministros, para a atualização do PRPI, aprovou 208 milhões de euros provenientes de várias fontes de financiamento, entre as quais o Portugal 2030 (PT2030) e o PRR.

O objetivo passa por tornar aqueles territórios mais resilientes, capacitando pessoas e empresas já instaladas, conciliando atividades tradicionais com novas atividades económicas e diversificando a base económica da região, tornando-a mais atrativa para famílias e empresas.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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