Achados arqueológicos (imagem ilustrativa). Foto: DR

O presidente da Câmara Municipal de Sardoal, Miguel Borges, já tinha dado conta em reunião de executivo municipal que materiais cerâmicos de cronologia romana foram encontrados durante a empreitada de construção da ETAR de Valhascos. Tal suspendeu os trabalhos de escavação mecânica na área onde surgiram os achados arqueológicos.

No inicio do mês de fevereiro, o presidente informou a oposição que no decurso da construção da ETAR de Valhascos foram encontrados “vestígios arqueológicos, materiais de arqueologia romana” contudo “a obra não parou! Parou a escavação mecânica no local”, explicou, dando conta que, naquela área não haverá intervenção “até serem validados e até serem feitas as escavações técnicas arqueológicas”, acrescentou o autarca.

Agora na sessão de Assembleia Municipal, o deputado do Partido Socialista, Adérito Garcia, considerou “estranho” que o executivo tenha tido conhecimento de uma obra parada no concelho “passados quatro dias” após a suspensão dos trabalhos.

A obra está a ser executada pela Ambiágua, SA, não sendo da responsabilidade da autarquia. A Águas do Vale do Tejo informa na sua página online que “a Empreitada de Conceção-Construção da ETAR de Valhascos (Sardoal) e da ETAR do Carvoeiro (Mação) ” foi consignada em novembro de 2022, numa intervenção que abarca os municípios de Mação e Sardoal. A obra tem um prazo de execução de 480 dias e um investimento de cerca de 1,5 milhões de euros.

Em resposta, Miguel Borges disse o que já tinha explicado aos vereadores da oposição: no decurso da construção da ETAR de Valhascos constatou-se a presença de estruturas e materiais cerâmicos de cronologia romana e os trabalhos foram suspensos “na área onde apareceram os vestígios arqueológicos para que possam ser realizados trabalhos de escavação arqueológica para caracterização e contextualização dos achados”.

No entanto, o deputado socialista Rui Valente afirmou ter estado presente na obra, garantindo que “está parada”. Segundo afirmou, os trabalhadores “estão a trabalhar para a ETAR do Carvoeiro” e que “as obras só irão continuar quando a ETAR do Carvoeiro estiver concluída”.

Questionado sobre a forma como tinha obtido tais informações, Rui Valente referiu terem sido os próprios trabalhadores da Ambiágua a confirmar a paragem.

No entanto, Miguel Borges afirmou ter em sua posse “a ata” da reunião que foi realizada com a arqueóloga, na qual é confirmado que os trabalhos de escavação mecânica foram suspensos na área onde surgiram os vestígios arqueológicos. Além disso, considerou que tal suspensão “não pode ser considerado algo de negativo”, no sentido de preservar “a nossa história e a nossa arqueologia”.

Refere ter também em sua posse uma carta enviada pela Águas do Vale do Tejo que segundo o presidente da Câmara “diz precisamente a mesma coisa. Tenho de me basear nas comunicações oficiais das duas entidades”, justificou acrescentando que o técnico de Arte e Restauro da Câmara Municipal de Sardoal “está a fazer o acompanhamento da obra e é o que podemos fazer”.

A empreitada contempla a construção da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Valhascos, situada no concelho de Sardoal, visando garantir o tratamento eficiente das águas residuais destas povoações, protegendo o ambiente e a saúde pública.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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