Culturas destruídas, terrenos devastados e avistamento de javalis dentro das povoações são acontecimentos cada vez mais recorrentes na região do Médio Tejo, sendo que em Sardoal o assunto tem merecido cada vez mais preocupação por parte dos responsáveis, tendo em conta a quantidade de relatos de hortas destruídas pelos animais em busca de comida.
O assunto foi debatido na reunião de Câmara de Sardoal de 7 de setembro, tema levantado pelo vereador Pedro Duque (PS), que, tendo em conta as queixas dos agricultores, sugeriu que a Câmara Municipal promovesse um encontro para sensibilizar, essencialmente as associações de caçadores, para a necessidade de controlar a densidade populacional de javalis.
O associativismo cinegético é considerado, na questão da correção da densidade populacional do javali, de particular importância para a conservação dos recursos naturais e para o seu reflexo no desenvolvimento rural.
Contudo, os incidentes com javalis aumentam em todo o País e é desconhecido o número exato de animais que existem em Portugal, apesar dessa quantificação ter sido solicitado ao Governo que, em 2019, encarregou o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) da realização de um estudo para o efeito, em colaboração com o Instituto de Investigação Agrária e Veterinária. O Plano Estratégico e de Ação do Javali em Portugal foi, então, entregue à Universidade de Aveiro.
O presidente da Associação de Agricultores de Abrantes, Constância, Sardoal e Mação, Luís Damas, reconhece que o problema existe “em toda a região” particularmente na devastação dos milheirais na lezíria.
“Em Sardoal o estrago verifica-se mais nas hortas das pessoas. Um problema que é da responsabilidade do concecionário das zonas de caça”, explica ao nosso jornal. “As entidades cinegéticas têm de fazer esperas e tentar controlar a espécie. Como está tudo seco, os animais vão para as hortas, que estão regadas, e estragam” as culturas, acrescenta o engenheiro.
Por seu lado, o presidente da Câmara, Miguel Borges (PSD), lembrou que “a questão dos javalis não é recente”, dando conta que o Conselho Municipal Cinegético – composto pelas associações de caçadores do concelho – já reuniu para debater o assunto, admitindo “um problema de regularização da espécie”.
O autarca salientou que, para o abate, “é necessário que as entidades competentes permitam, porque não basta as associações de caçadores dizerem: vamos fazer uma batida aos javalis”, nota.
Também a vereadora Patrícia Rei deu conta de ter chegado à Câmara relatos desses estragos e ter contactado a Associação de Caçadores de Sardoal – responsável pela área de Sardoal e de Santiago de Montalegre. Outras associações são responsáveis por Alcaravela e Valhascos –, que lhe garantiu “estar a fazer o máximo que lhes é permitido pelo ICNF nesta situação e estão em cima do acontecimento. Efetivamente têm noção que o problema é muito grande e não têm condição de resolvê-lo da forma efetiva como todos gostaríamos”.
Ao nosso jornal, Luís Corda, presidente da direção da Associação de Caçadores de Sardoal, garantiu que os caçadores têm utilizado o selo vermelho, uma autorização dada pelo ICNF para correção da densidade populacional do javali e “há vários sócios a candidatar-se para fazer espera”, assegura, mas o número de caçadores, no entanto, “não abrange a área toda”, disse indicando que estão previstas batidas em dezembro de janeiro próximos.
Explicou também que “devido aos incêndios no Norte do País os animais têm descido na procura de comida”.
Confirma que os proprietários dos terrenos com culturas devastadas têm contactado a Associação de Caçadores mas “não é fácil! Temos tentado ajudar, temos tentado resolver, mas os animais são em grande número. E às vezes estamos três ou quatro noites em espera e os javalis não aparecem. Têm um faro muito apurado”, explica Luís Corda.
Tendo em conta o calendário venatório da época venatória de 2022-2023, publicado pelo ICNF, a caça ao javali foi autorizada de 1 de junho a 31 de maio do próximo ano, sendo o limite máximo de abate de acordo com os planos de ordenamento e exploração cinegética e planos de gestão.

Se estiverem à espera do ICNF bem podem esperar. Vejam bem cimo ekes ao longo dos anos trataram o Pinhal de Leiria que deu o resultado que deu. Será que eles nos últimos 5 anos já limparam o que resta do Pinhal? E quanto a javalis só farão alguma coisa quando eles chegarem ao Parque Eduardo VII ou à Avenida da Liberdade onde terão muito para esgravatar.