Foto: mediotejo.net

A edição de 2017 das festas de Sardoal arrancou oficialmente na tarde de sexta-feira, Feriado Municipal, dia em que se comemoraram 486 anos da Elevação do Sardoal à categoria de Vila, com uma visita pela zona histórica da vila, notando alguns dos projetos de requalificação e conservação do património. Destaque para o projeto de implementação do Centro de Interpretação da Semana Santa na Capela de Nossa Senhora do Carmo, junto à Casa dos Almeidas, e para a obra de introdução de passadeiras centrais nas ruas do centro histórico.

O palco principal continuará junto ao Pelourinho até este domingo, ao lado do edifício dos Paços do Concelho, e as tasquinhas surgem aqui e acolá, quer pela mão das coletividades, quer dos estabelecimentos comerciais.

Após receção da comitiva de convidados, entre os quais Pedro Machado, presidente da Turismo do Centro, e Isabel Damasceno, em representação da CCDR Centro, o autarca Miguel Borges liderou a volta pelo centro histórico, mostrando os resultados da instalação de passadeiras centrais nas ruas, que visam facilitar a mobilidade, recordando que “era algo há muito desejado pela população”.

Com recurso a fundos comunitários, esta obra representou um investimento total de, aproximadamente, 300 mil euros financiado a 85%, para a colocação de corredores pedonais na zona histórica da vila de Sardoal, processo que será feito em duas fases.

Passagem ainda pela Capela de Nossa Senhora do Carmo, propriedade do município, e que tem instalada a exposição de da Semana Santa, o primeiro passo de um projeto que “deu ontem [quinta-feira] entrada” para tentar que a Semana Santa de Sardoal “seja classificada como Património Cultural Imaterial, um trabalho feito em parceria com o Instituto Politécnico de Tomar”, indicou Miguel Borges, presidente da CM Sardoal.

Na Capela de N. Senhora do Carmo, propriedade do município, que albergará o futuro Centro de Interpretação da Semana Santa, já pode ser visitada a exposição alusiva a este património cultural e religioso de Sardoal. Foto: mediotejo.net

Este projeto que representa uma estratégia do município para salvaguarda do património material e imaterial, bem como manutenção da memória coletiva da comunidade e história sardoalenses, garantindo a passagem para gerações futuras.

O projeto, cofinanciado pelo FEDER em cerca de 143 mil euros, pretende preservar a Capela datada do século XVIII, de estilo rocaille, e visa uma intervenção de conservação e restauro, pretendendo restabelecer a sua integridade física e estética, tendo por base os princípios de intervenção mínima, reversibilidade e compatibilidade nas várias componentes da intervenção.

Para Miguel Borges, o lema mantém-se: “interioridade não é sinónimo de inferioridade”. O autarca referiu que a obrigação de todos os decisores políticos tem passado por aproveitar essa interioridade enquanto “sinónimo de qualidade”, reconhecendo “o potencial enorme” do concelho na área do turismo e da cultura, motivos de potencial desenvolvimento económico e manutenção da qualidade de vida das populações, ao passo que se frisou novamente o “microclima cultural” sardoalense.

Pedro Machado, presidente do Turismo do Centro, disse ter encontrado no Sardoal “uma resposta para uma procura crescente com motivações claramente culturais”. Segundo o responsável é de salientar a “diversidade cultural tão grande e tão rica”, enumerando o adornar de capelas e igrejas com tapetes de flores durante a Semana Santa, bem como o Centro cultural com diversas exposições à disposição dos visitantes, com uma “boa sala de espetáculos”, referindo que “a visitação, a animação, o património e a cultura são elementos-chave para se fazer promoção turística”.

Pedro Machado reforçou ainda a necessidade de “criação de uma estrutura que permita a dormida. Ou temos turistas, se ficarem pelo menos uma noite, ou temos excursionistas ou visitantes, por isso é fundamental a criação de estruturas que estão na esfera dos privados”, disse, defendendo que não devem ser as Câmaras Municipais e as Juntas de Freguesia a criar unidades de alojamento, “não é, nem deve ser essa sua vocação, pertence ao privado como a restauração, comércio e serviços”.

A Câmara deve, segundo o responsável, “ser dinâmica, facilitar, conseguir captar esse investimento, para ele verdadeiramente se instale e possa florescer, mas é dessa articulação entre uma Câmara que tem preocupações de animação cultural e o empresário que deve beneficiar dessa programação, que acreditamos que podem resultar bons investimentos. E uma unidade hoteleira tem tudo a ver quando pretendemos captar, fixar e fazer com que as pessoas permaneçam mais tempo”, afirmou.

Foto: mediotejo.net

Em termos das dinâmicas do turismo, o presidente da ERT – Turismo do Centro reconhece o paradigma está diferente, uma vez que Portugal e a Europa estiveram cerca de 50 anos influenciados pela procura turística de “sol e praia e às vezes com o golfe e pouco mais”, notando que a tendência mudou, e Portugal “é muito mais do que isso”, notando que além do Algarve, Lisboa e Porto são destinos turísticos muito procurados nos últimos anos.

A zona centro está também a dinamizar nesse sentido, estando em “contra-ciclo”, com oferta de turismo de natureza, turismo ativo, gastronómico, religioso, entre outros, e está a “dar os seus resultados”, sendo que o Turismo do Centro notou que “em junho houve praticamente o dobro do crescimento da média nacional, e em julho o triplo, mesmo comparado com destinos como Algarve, Lisboa ou Porto”.

No caso de Sardoal, o responsável notou ser importante que se faça “boa promoção turística” e “que tenha os lugares e património disponíveis para serem visitados, e se possível que possam ficar a dormir”.

A visita terminou no Centro Cultural Gil Vicente, onde estão patentes as exposições do II Concurso de Pintura “À Descoberta do Mestre” e as Árvores Emblemáticas do Concelho de Sardoal, no Espaço Cá da Terra.

As festas continuam até este domingo, com programação diversa, estando patente a Mostra de Sabores e Saberes com expositores de vários produtores regionais, artesanato e empreendedores locais. O palco principal, numa lotada Praça da República, recebeu no sábado à noite o cabeça de cartaz, Miguel Araújo.

Saiba como viver as Festas do Concelho até domingo

 

 

Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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