A Europa não aprendeu a lição. Não é filosofia, é a História que o demonstra, o Projeto Europeu nasceu dos valores da paz, da solidariedade e da igualdade entre os povos. Nasceu no contexto de uma Europa que quis aprender com os erros da II Guerra Mundial.
As declarações do Sr. Wolfgang Schäuble, Ministro das Finanças Alemão são de uma verdadeira falta de sentido de oportunidade e de quem não gosta dos países mais pobres e do sul da Europa. Depois das eleições em Espanha, já todos na Europa conservadora se sentem à vontade para sancionar os países da península ibérica, colocando mais problemas em cima do problema Europeu.
Não vou analisar aqui o caso Espanhol, limito-me ao português. As sanções têm como base os números orçamentais do anterior Governo, o Governo do PSD-CDS e que sempre aplicou o modelo definido pela Europa. Agora querem sancionar as suas próprias políticas? Não faz sentido e é um erro em toda a linha. Castigar com multas e retirar apoios aos países mais pobres serve apenas para continuar a construir uma Europa cega e sem visão.
O Brexit é a prova que a Europa está doente. Sou um daqueles que acredita que o processo vai ser catastrófico para o futuro do Reino Unido, em especial para a Escócia e Irlanda do Norte, mas a verdade é que será igualmente trágico par a Europa. Os líderes europeus deviam pensar na mensagem dos votos dos ingleses.
Uma Europa que não aprendeu a lição, é uma Europa que num clima de incerteza mundial, continua apenas vidrada na cegueira orçamental e monetária, esquecendo os princípios da solidariedade, da paz, do crescimento económico e do desenvolvimento.
Sancionar Portugal e Espanha é um dos atos mais cruéis de uma tecnocracia Europeia que se julga dona de toda a verdade. A forma de fazer política económica na Europa deve mudar. Os objetivos do emprego e crescimento devem ser mais importantes que as décimas orçamentais.
Mas, isso só é possível numa Europa com decisores verdadeiramente eleitos. A Europa não pode continuar cega.
