Samora Correia venceu a Supertaça Dr. Alves Vieira. Foto: mediotejo.net

SPORT CLUB FERREIRA DO ZÊZERE 1 GRUPO DESPORTIVO DE SAMORA CORREIA 2

Supertaça Dr. Alves Vieira – 07-06-2025 (17H00)

Estádio Municipal Dr. Alves Vieira – Torres Novas

Embate entre as duas melhores equipas da época prometia emoção.

Depois de no pretérito fim de semana o Ferreira do Zêzere lhe ter arrebatado a Taça do Ribatejo juntando-a ao Campeonato Distrital, o Samora tinha agora, na Supertaça Dr. Alves Vieira, a oportunidade de vencer um troféu ao seu adversário maior nesta época desportiva 2024-2025.

Vencendo minimizava os “estragos”, perdendo, veria a equipa de Mário Nélson transformar-se na “besta negra”, arrecadando todos os troféus da Associação de Futebol de Santarém (AFS) relativos à época 2024/25.

Ao samorenses competia contrariar a hegemonia do Ferreira do Zêzere.

Num estádio com muita história, disputa-se anualmente este troféu entre o vencedor da Taça do Ribatejo, ou finalista vencido, no caso e o Campeão Distrital. Ostenta o nome do patrono da Supertaça, o médico torrejano Dr. António Alves Vieira, nascido em Outeiro Grande, freguesia de Assentiz em 1913. Figura grada da sociedade torrejana, liderou o Clube Desportivo de Torres Novas por mais de uma vez, pertencendo-lhe o recorde de permanência à frente dos destinos do Clube.

Emprestou o seu nome a um dos maiores estádios ribatejanos, o municipal de Torres Novas, inaugurado em 7 de dezembro de 1969, apetrechado com um relvado natural, pista de atletismo e bancadas para cerca de 11 500 espetadores, num complexo desportivo de autoria do arquiteto Branco Ló.

Era de festa o ambiente nas bancadas.

Com a bancada central a abarrotar de adeptos de ambos os clubes, antes do início da partida o recém eleito presidente da AFS, Joaquim Martinho dos Santos Dias, fez a entrega ao jogador do Torres Novas, Miguel Miguel, do troféu de melhor marcador da 1ª Divisão Distrital.

Com um relvado em bom estado, bancadas preenchidas com adeptos entusiastas e duas das melhores equipas do distrito, estavam reunidas as condições para um jogo de nível elevado. Quando o árbitro João Silva apitou para que o esférico rolasse era nítida a vontade de vencer nos dois emblemas.

Miguel Miguel reconhecido como o melhor marcador do Distrital.

Entraram melhor os samorenses, a pressionarem alto, não permitindo que a equipa de Mário Nélson iniciasse o processo de construção.

Apesar disso, o Ferreira do Zêzere não pareceu incomodado em demasia, antes a procurar tirar partido do adiantamento dos contrários para lançar rápidos contra golpes, protagonizados, na maior parte das vezes, por Ivan Alves, a jogar em casa, já que é natural de Torres Novas.

Ivan Alves foi importante na estratégia ferreirense.

O primeiro sinal de perigo pertenceu à equipa do sul do distrito, com Rodrigo Fradique a entrar pela direita e a rematar rasteiro ao poste mais próximo para defesa atenta de Francisco Silva. O cronómetro assinalava cinco minutos de jogo.

Insistiram os “axadrezados” e Fred, de fora da área, tentou surpreender mas apanhou mal a bola. Ainda assim a “rosca” colocou problemas a Francisco Silva que, com dificuldade em agarrar, cedeu canto. Após a conversão os ferreirenses encetaram o contra golpe com David Ribeiro a isolar-se a caminho da área. Valeu um corte precioso de Vasco Djú, com o guarda redes Nélson Pinhão a completar.

Maior pressão do Samora encontrava resposta no contra golpe.

À passagem do quarto de hora uma rápida reposição lateral de David Ribeiro apanhou a defensiva samorense desposicionada e Ivan Alves, já na área com muito perigo, permitiu o desarme.

No minuto seguinte, Rodrigo Fradique cabeceou na área mas fraco para defesa fácil de Francisco Silva. Na segunda vaga novo remate de baixa intensidade acabou nas luvas do guarda redes. O Samora Correia estava mais pressionante adotando o Ferreira uma atitude expectante, com muita segurança defensiva, com o foco no contra golpe.

Segurança defensiva permitindo o contra ataque.

Aos 23 minutos o Ferreira do Zêzere beneficiou dum livre descaído pelo lado esquerdo, ainda longe da baliza de Nélson Pinhão. O capitão Filipe Cotovio, em boa posição para cabecear, permitiu o corte da defensiva para canto. A equipa de Mário Nélson insistia no contra ataque como forma de “desmontar” o esquema gizado por Mário Ruas.

Aos 26 minutos David Ribeiro entrou na área em velocidade e quando a bola se encaminhava para a linha de fundo é rasteirado pelo seu marcador direto. O árbitro não teve dúvidas e apontou a marca da grande penalidade. Tiago Mateus não vacilou e inaugurou o marcador para o Ferreira do Zêzere.

Tiago Mateus bateu a grande penalidade com sucesso.

A equipa da “Capital do Ovo”, a ganhar a partir dos 28 minutos, com o adversário com mais posse de bola mas sem criar grandes situações de golo, ficou ainda mais cómoda no jogo, sendo o seu adversário obrigado a “correr atrás do prejuízo”…

Porfiava a equipa de Samora Correia e à passagem da meia hora de jogo Vasco Catatão, com tudo para executar um cruzamento bem medido, enviou o esférico para lá da linha de fundo. Pouco depois, aos 36 minutos, David Ribeiro rematou cruzado para defesa fácil de Nélson Pinhão que lançou o rápido contra golpe do qual resultou um pontapé do quarto de círculo.

Na conversão, o australiano do Samora Correia, Deniz Sen, cabeceou para defesa, aparentemente fácil de Francisco Silva que , de forma realmente surreal, agarrou o esférico já para lá da linha de golo!

Lance surreal permitiu o empate a Deniz Sen.

Merecidamente, mas fruto dum erro individual, a equipa de Mário Ruas chegou ao empate e prometia não ficar por aqui…

Volvidos dois minutos, numa jogada de insistência, Kelton Garcia obliquou da ala direita para o meio, sem marcação enquadrou-se e rematou. A bola só parou nas malhas da baliza à guarda de Francisco Silva, dando corpo à “remontada” que, em apenas dois minutos, colocou o Samora Correia na liderança.

Kelton Garcia (80) adiantou a sua equipa.

Motivados e aproveitando algum desnorte do adversário, os samorenses tentaram consolidar a vitória tentando chegar a um resultado mais robusto. Aos 42 minutos Vasco Catatão rematou para defesa muito díficil de Francisco Silva, com o pé, enviando a bola pela linha de fundo, cedendo canto.

Já nos descontos um cruzamento da ala esquerda do ataque dos campeões distritais encontrou Salvador Coutinho em boa posição para cabecear. Não chegou e deu origem a novo cruzamento que, muito largo, se perdeu pela lateral.

Esgotado o tempo regulamentar o árbitro João Silva decretou tempo de intervalo no Dr. Alves Vieira.

Claque “Achigãs do Zêzere” acreditava na vitória da sua equipa.

O resultado ao intervalo, ajustado à produção das equipas, deixava antever uma segunda parte emotiva, com as equipas a procurarem mais golos. O recomeço trouxe um Ferreira do Zêzere mais acutilante e mais perto de marcar.

Logo aos 2 minutos beneficiou dum livre a meio campo que, na cobrança, levou o esférico a embater na barreira, sobrando para Salvador Coutinho que rematou para defesa de Nélson Pinhão. Dois minutos volvidos , em nova investida ferreirense, Ricardo Simões recebeu um passe longo e cruzou para a área onde não surgiu a emenda.

Segundo tempo trouxe um Ferreira mais acutilante.

Os novos campeões e vencedores da Taça do Ribatejo estavam melhor no terreno e os cruzamentos para a área contrária sucediam-se. Aos 52 minutos, Vasco Catatão não dominou o esférico permitindo a defesa de Nelsón Pinhão. O choque entre ambos foi inevitável ficando o guarda redes a necessitar de assistência.

Logo a seguir, Deniz Sen tem um corte providencial mas a bola sobrou para David Ribeiro que, em corrida, rematou na passada para enorme defesa de Nélson Pinhão.

Ferreira do Zêzere na busca do golo esbarrou sempre na bem escalonada defesa samorense.

Entretanto, aos 55 minutos, o cartão amarelo fez a sua aparição…Uma entrada dura de David Ribeiro sobre Pedro Pato levou o árbitro à sanção disciplinar. Entrou-se num período de alguma acalmia e Mário Nélson tentou “agitar as águas” lançando na partida Rodrigo Antunes para o lugar de Vasco Catatão.

Após largos minutos a jogar-se sobre o meio campo, longe das áreas, o Ferreira do Zêzere esteve perto do golo em cima do minuto 68. Uma mão dum defensor samorense, muito perto da área, pela direita do ataque “encarnado”, levou o esférico até Miguel Mateus que permitiu o corte para a zona de tiro onde surgiu David Ribeiro a rematar muito perto dos ferros da baliza de Nélson Pinhão.

Muitas faltas no segundo tempo.

Mário Nélson queria alargar a frente de ataque e, aos 76 minutos, lançou o veloz Rachide, aumentando o potencial atacante do Ferreira do Zêzere. Com o jogo a caminhar para o seu final os ferreirenses acentuavam a pressão ganhando livres atrás de livres…

As bolas paradas eram agora a prioridade para chegar à baliza de Pinhão. Aos 77 minutos, uma falta junto à linha lateral pela esquerda acabou convertida para as luvas do guarda redes. Logo no minuto seguinte uma transição muito rápida da equipa do sul do distrito foi parada de forma irregular e do livre, junto à bandeirola de canto, nada resultou.

Bolas paradas iam levando algum perigo.

O jogo “arrastava-se”, com uma parte final muito faltosa e de pouco futebol, com as equipas a procurarem os seus objetivos de forma pouco eficaz. A dez minutos do tempo regulamentar, nova falta junto à lateral direita levou o remate de David Ribeiro a não surtir efeito, com o esférico a sobrevoar a baliza samorense.

Aos 83 minutos, um lance de ataque do Smaora causou algum “frisson” no Estádio. Aproveitando o vento forte que soprava, Kelton Garcia tentou o “canto direto” e a bola não passou longe dos ferros…

Kelton Garcia (80) adiantou a sua equipa.

O Ferreira do Zêzere “queimava os últimos cartuchos” com o tempo a esgotar-se. Aos 86 minutos, um lance confuso na área dos samorenses permitiu a cabeçada de Tiago Mateus que não passou longe da baliza.

Já em tempo de desconto os ferreirenses dispuseram de novo canto com o esférico a sair para lá da linha de fundo. Foi o “canto do cisne” para o Ferreira do Zêzere…

O árbitro apitou para o final da partida e a festa foi do Samora Correia que levou a Supertaça Dr. Alves Vieira, vencendo o campeão em título e detentor da Taça do Ribatejo: o Sport Club Ferreira do Zêzere.

E a festa foi da equipa de Samora Correia.

Foi uma partida interessante de seguir no primeiro tempo, mau grado o calor e o vento forte. O relvado bem tratado e regado amenizou um pouco as dificuldades. Com as equipas esforçadas, foi o Samora que tomou as rédeas do jogo, ficando a equipa de Mário Nélson na expectativa de lançar o contra golpe. Foi num desses lances que chegou ao golo, de grande penalidade.

Uma resposta robusta dos samorenses valeu-lhe a obtenção de dois golos no curto espaço de dois minutos! No segundo tempo o futebol esteve ausente pelo que se aceita o resultado construído no primeiro tempo. Boa arbitragem.

Boa arbitragem.

FICHA DO JOGO:

SPORT CLUB FERREIRA DO ZÊZERE:

Francisco Silva, Ricardo Simões (Tomás Antunes), Filipe Cotovio (Rachide), Tiago Mateus, Salvador Coutinho (Kim Kyung-rok), Vasco Catatão (Rodrigo Antunes), Ivan Alves, Zé Maria, Miguel Mateus (Sandro Moço), David Ribeiro e Simão Gonçalves.

Suplente não utilizado: Rodrigo Neves.

Treinador: Mário Nélson.

Sport Club Ferreira do Zêzere. Foto: Arquivo mediotejo.net

GRUPO DESPORTIVO DE SAMORA CORREIA:

Nélson Pinhão, Lucas Dias, Deniz Sen, Tomás Cardoso (Dede), Pedro Ganhão, Fred, Pedro Pato, Rodrigo Fradique (Gonçalo Macieira), Vasco Djú, Mathew Okoro (Fábio Freire), Kelton Garcia (Miguel Granada).

Suplentes não utilizados: Miguel Rato, Pier Mendes e Márcio Semeano.

Treinador: Mário Ruas.

Grupo Desportivo Samora Correia. Foto: Arquivo mediotejo.net

GOLOS: Tiago Mateus g.p., Deniz Sen e Kelton Garcia (S. Correia).

EQUIPA DE ARBITRAGEM: João Silva, Tiago Duarte e João Fonseca. Leonardo Dias (4º árbitro).

Equipa de Arbitragem: João Silva, Tiago Duarte e João Fonseca. Leonardo Dias (4º árbitro).

No final fomos ouvir os técnicos de ambas as equipas que, obviamente, apresentavam estados de espírito antagónicos. Apesar das dificuldades ambientais, com muito vento, fica o registo:

MÁRIO NÉLSON, treinador do Ferreira do Zêzere:

Mário Nélson, treinador do Ferreira do Zêzere

MÁRIO RUAS, treinador do Samora Correia:

Mário Ruas, treinador do Samora Correia.

FOTOGALERIA:

C/ DAVID PEREIRA (Fotos e multimédia)

Nasceu a 30 de Janeiro de 1961 em Lisboa e cresceu no Alentejo, em Santiago do Cacém. Dali partiu em 1980 para ingressar no Exército e no Curso de Enfermagem. Foi colocado em Santa Margarida e por aqui fez carreira acabando por fixar-se no Tramagal em 2000. A sua primeira ligação à Vila "metalúrgica" surge em 1988 como Enfermeiro do TSU. Munido da sua primeira câmera digital, em 2009 e com a passagem à situação de reserva, começou a registar a fauna do Vale do Tejo, a natureza e o património edificado da região, as ruas, as pessoas... Com colaborações regulares em jornais da região e nacionais este autodidata acaba por conseguir o reconhecimento público, materializado em alguns prémios. Foi galardoado na 8ª Gala de Cultura e Desporto de Tramagal na categoria de Artes Plásticas (Fotografia) em 2013. Fez parte da equipa desportiva da Rádio Hertz que ganhou o prémio Artur Agostinho (CNID) em 2020.

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