A reunião descentralizada da Câmara Municipal de Tomar, realizada na freguesia da Sabacheira, ficou marcada pela intervenção de vários munícipes, que aproveitaram a ocasião para expor preocupações relacionadas com os serviços públicos e as acessibilidades. Entre os temas em destaque estiveram a escassez de médicos de família no polo de saúde local e a redução da oferta ferroviária na estação de Chão de Maçãs/Fátima.
Uma das intervenções foi feita por Ana Cristina Subtil, que começou por alertar para as dificuldades sentidas pelos habitantes da freguesia no acesso aos cuidados de saúde. A munícipe lamentou que o Polo de Saúde da Sabacheira disponha apenas de um médico em regime de tempo parcial, situação que, segundo referiu, está a comprometer o atendimento da população. Como exemplo, apontou o facto de as consultas atualmente disponíveis estarem a ser marcadas apenas para o mês de setembro.
Sobre esta matéria, o presidente da Câmara de Tomar, Tiago Carrão, garantiu que o município tem vindo a insistir junto da Unidade Local de Saúde do Médio Tejo para encontrar soluções que permitam reforçar a cobertura médica nas freguesias mais afetadas.
“Nós temos já por diversas vezes feito aqui algumas reuniões com a ULS (…) Convidámos os presidentes de junta das freguesias mais críticas (…). Temos também freguesias com situações ainda mais críticas (…), Madalena, Beselga, Olalhas (…). Conseguimos colmatar um pouco a situação em Santa Cita, na freguesia de Asseiceira, mas continua a haver no território várias situações, bem mais do que desejávamos, de falta de médico de família. (…) Temos cerca de 800 utentes inscritos aqui na freguesia da Sabacheira (…). Também há a questão da eventual aposentação da médica que poderá estar no horizonte e, se nada for feito preventivamente, poderemos passar de meio tempo para nenhum tempo.”

Além da saúde, Ana Cristina Subtil chamou a atenção para o que considera ser uma crescente perda de importância da estação ferroviária de Chão de Maçãs/Fátima, sobretudo no que respeita às ligações Intercidades com destino ao Porto.
A munícipe criticou o facto de esses comboios terem deixado de efetuar paragem naquela estação, passando a servir apenas Caxarias, apesar da reduzida distância temporal entre ambas.
“A opção que eu tenho era entrar em Caxarias e eu recuso-me (…) porque deixaram de circular os Intercidades que tinham destino ao Porto em Fátima, para passarem a parar exclusivamente em Caxarias. Neste momento, Fátima é a única estação que o município de Tomar detém, na Linha do Norte, onde não param Intercidades com destino ao Porto. (…) Posso-lhe dizer que neste momento param em Caxarias, por dia, sete Intercidades para o Porto; em Fátima, zero. Mas se eu quiser ir para a Guarda, param seis em Fátima e seis em Caxarias”, referiu.
Na resposta, Tiago Carrão reconheceu que a estação de Chão de Maçãs/Fátima está muito aquém do potencial que poderia ter, classificando a atual situação como um caso de “subaproveitamento”.
O autarca considerou que esta infraestrutura representa um ativo estratégico não apenas para a freguesia, mas para todo o concelho, lamentando que o Plano Nacional Ferroviário não contemple aquele eixo ferroviário.

“Subaproveitamento, porque é disso que se trata. É um ativo estratégico para a freguesia e para o concelho. (…) Há aqui um potencial realmente subaproveitado, mas que infelizmente não está nas nossas mãos diretamente. (…) O Plano Nacional Ferroviário, apesar dos contributos apresentados pelo município de Tomar e da deliberação da Assembleia Municipal, não contempla Fátima/Chão de Maçãs, o que é de lamentar.”
Durante a reunião, o presidente da Câmara reiterou que o município continuará a defender junto das entidades competentes tanto o reforço da resposta nos cuidados de saúde primários como uma maior valorização da estação ferroviária de Chão de Maçãs/Fátima, considerando ambas as questões fundamentais para melhorar a qualidade de vida da população da Sabacheira e potenciar o desenvolvimento daquela freguesia.
