Rita Santos. Créditos: DR

Quais são as tuas habilitações literárias, curso ou percurso académico?
Estudei Artes Visuais na escola secundária Dr. Solano de Abreu, em Abrantes, e depois entrei na Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha, onde estou a concluir a minha licenciatura em Design de Produto – Cerâmica e Vidro. Esta licenciatura proporcionou-me diversas formações ligadas à área, no CENCAL (Centro de Formação Profissional para a Indústria Cerâmica), onde tive Formação Modelação ao torno I, Formação de Técnicas de Produção de Vidro Soprado e Acabamentos e Formação de Iniciação à Roda de Oleiro. Correntemente, estou em estágio curricular na empresa Dedal, nas Caldas da Rainha.

Já fizeste exposições ou participastes em eventos artísticos?
Participei em exposições coletivas com os meus colegas de atelier, quando era aluna do Massimo, e expus a solo, também com a ajuda do Massimo, no Entroncamento, em 2019. Fiz alguns trabalhos de Body Painting com a Academia Criativa BI-DOM, não são bem exposições, mas tiveram a sua exposição fotográfica e acho que vale a pena mencionar. 

Peças em vidro criadas por Rita Santos. Créditos: Instagram @santiiart_

Qual a tua área artística? Podes falar um pouco da tua arte e do que gostas de fazer?
Não sinto que tenha uma área, gosto de ir fazendo de tudo um pouco, não me quero prender a uma área em específico. Claro que hei de ter mais jeito para umas coisas do que para outras, mas ainda ando a descobrir e a experimentar. Tanto que antes não fazia outra coisa senão desenhar e pintar, depois descobri o body painting e adorei a experiência e vou fazendo quando tenho a oportunidade, mas não é algo a que me agarre e seja só aquilo que vejo à frente. A minha ida para a faculdade e para este curso em específico foi mesmo para isso, “ir à procura de algo novo”, e este “algo novo” foi cerâmica e vidro. O que inspira a minha veia artística é maioritariamente a natureza e o que me rodeia: o local, as pessoas, a nossa cultura. E é isso que tento manter vivo nas minhas obras e projetos.

O que achas que na nossa região poderia ser feito para ajudar os artistas locais?Acho que se podia promover mais os artistas da cidade nas galerias, ou fazer algum tipo de evento artístico, não só de pintura, mas de todas as áreas artísticas, dando a oportunidade a todos de partilhar e promover a sua paixão e o seu trabalho. E é importante, também, melhorar a comunicação dos eventos e projetos artísticos que há, pois muitas vezes só se sabe do evento quando ele já acabou. Trazer mais arte à cidade, por exemplo aquelas paredes brancas do mercado: eu olho e só vejo telas gigantes à espera duma intervenção artística. A cidade poderia ter esse tipo de iniciativas, para também atrair mais pessoas ao centro histórico, que está cada vez mais parado. 

Qual a tua mensagem artística?
É difícil responder a esta pergunta, pois não é algo que se possa generalizar, não há uma mensagem geral que esteja presente em todas as coisas que faço. Muitas vezes é apenas o que estou a sentir, a fase que estou a passar. Mas sinto que antes procurava mais ter essa “mensagem”, hoje em dia é algo mais espontâneo, mais sentido do que pensado.

Que conselhos dás a teus futuros colegas?
Saiam da caixa, explorem materiais, explorem outras áreas e valorizem-se. Digo isto porque muitas vezes não valorizo o meu trabalho e devemos sempre respeitar-nos e respeitar o que nos faz feliz. 

Qual a advertência ou sugestão que davas a quem deveria ajudar os artistas e a quem deveria ser entregue (presidente da Câmara, vereador da Cultura, presidente de associação artística, outros…)
Sinceramente acho que a base de tudo é a comunicação, e isso é algo que precisa de ser melhorado entre os responsáveis da Câmara e os artistas locais. Invés de irem buscar artistas de fora (por exemplo), fazerem uma pesquisa sobre quem têm na cidade, pois há por aí uns tesouros artísticos que só são reconhecidos fora. A cidade precisa de se ligar e despertar a veia artística, promover workshops, eventos, etc… A arte é cultura e não a podemos perder, senão perdemos a nossa identidade enquanto comunidade. 

Se quiseres podes divulgar os teus contactos.
Tenho uma pequena página de Instagram onde vou partilhando alguns trabalhos, servindo quase como um portfolio digital: @santiiart_

Massimo Esposito

Pintor Italiano, licenciado em Arte e com bacharelato em Artes Gráficas em Urbino (Itália), vive em Portugal desde 1986. Em 1996 iniciou um protejo de ensino alternativo de desenho e pintura nas autarquias do Médio Tejo que, após 20 anos, ainda continua ativo. Neste projeto estão incluídas exposições coletivas e pessoais, eventos culturais, dias de pintura ao ar livre, body painting, pintura com vinho ou azeite, e outras colaborações com autarquias e instituições. Neste momento dirige quatro laboratórios: Abrantes, Entroncamento, Santarém e Torres Novas.

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