A Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT), organizou recentemente a Conferência “Médio Tejo – sustentabilidade do rio”, tendo como parceiro a Associação “Tagus Vivan”, a qual contou com a presença de vários especialistas e entidades que têm dado voz de alerta e preocupação sobre o estado a que chegou o nosso grande rio Ibérico.
O rio Tejo afirma-se como eixo natural estruturante num território que encerra uma interessante diversidade de valores patrimoniais e caraterísticas únicas para o desenvolvimento e coesão territorial.
Esta visão assume especial relevância neste tempo de grandes transformações conseguidas com a investigação e as novas nas tecnologias, mas que sofre profundas alterações no ambiente com o efeito das alterações climáticas a condicionar de forma percetível a nossa envolvente.
Os espaços naturais ligados ao rio Tejo são de uma enorme riqueza em biodiversidade, mas também nas outras componentes do território, enquanto conceito dinâmico que envolve as suas vertentes física, social, cultural e económica.
A biodiversidade está ameaçada com inúmeras espécies de plantas e animais a correrem risco iminente num futuro próximo e as práticas agrícolas e a sua sazonalidade sofrem um grau de turbulência preocupante.
Somos confrontados com problemas ambientais como a descaraterização paisagística, a qualidade da água afetada por recorrentes descargas poluentes, a regularidade de caudais ecológicos comprometida pela gestão das Barragens, as dificuldades colocadas à desova de espécies de peixes migradores e a tipologia da exploração florestal e de mobilização dos solos.
A integração na União Europeia fez definhar inúmeras práticas tradicionais, mas multiplicou um conjunto significativo de investimentos na região conferindo melhor aptidão para receber turistas e oportunidades diferentes de ocupação dos tempos livres para a comunidade residente.
Os recursos do rio Tejo que marcaram profundamente a atitude das populações ribeirinhas e a sua identidade cultural são agora vistos pela perspetiva de potencial turístico e até as cheias de outrora já são domesticadas a montante pelo sistema de controlo das Barragens.
Uma atitude de alerta cívico é necessária para alterar comportamentos em harmonia com a necessidade de preservar os valores identitários e criar valor acrescentado através das oportunidades que as novas dinâmicas sociais e económicas nos oferecem, nomeadamente no turismo.
O sucesso e o futuro desta região depende da capacidade de integrar uma visão estratégica de conjunto nas diversas políticas sectoriais e também da sua capacidade em se afirmar e envolver os diversos agentes da sociedade nos seus objetivos.
É imperioso estabelecer um modelo de sustentabilidade assente na valorização do património natural e cultural, na investigação e conhecimento, no potencial das pessoas e na afirmação dum equilibrado desenvolvimento social e económico.


É tudo verdade o que o autor descreve. Mas, mesmo assim, há muito a fazer pela melhoria e recuperação das condições naturais do Tejo. As autarquias, e muitas estiveram presentes na referida Conferência, deveriam pôr as mãos na consciência e resolverem de uma vez por todas o problema dos esgotos domésticos que em vários locais vão directamente para o Tejo. Seria uma boa forma de mostrarem o seu interesse público e prático na defesa do Tejo e simultaneamente seria um bom exemplo para que os poluidores conhecidos começassem, finalmente, a ter outras práticas. Quanto aos caudais ecológicos, esse problema terá que ser resolvido a nível governamental, porque o privado, a quem foram dadas as barragens, acima de tudo quer defender os seus interesses que não exactamente os interesses da comunidade. Depois, há o assoreamento que dificulta a navegabilidade e a promoção turística de toda esta região alargada que, se fosse bem explorada poderia vir a ser um concorrente do turismo do Douro que tantos benefícios proporciona ao desenvolvimento e sustentabilidade daquela região alargada. Portanto, como se vê, há muito para fazer pela defesa e valorização do Tejo. E os bons exemplos, mesmo que sejam pequenos, têm que começar pelas entidades que dizem defender o Tejo.