Sensivelmente a meio da Festa da Bênção do Gado, que animou a vila de Riachos entre os dias 22 de julho e 1 de agosto, já Carlos Graça, presidente da Bênção do Gado Associação Cultural, revelava ao nosso jornal que a festividade estava a ultrapassar as melhores expectativas da organização relativamente a um evento que se realiza de quatro em quatro anos e que não se realizou em 2020 devido à pandemia.

Seis anos depois da última edição do evento, e para marcar o regresso da tradição, em termos de entradas permanentes a organização já havia vendido cerca de 75% mais em relação ao último ano de festa. No primeiro dia estiveram mais de 4.500 pessoas no recinto, segundo as contas da organização, num evento que decorreu de forma ininterrupta durante 11 dias.

Segundo Carlos Graças, o sucesso do evento deve-se essencialmente a uma forte adesão das pessoas de Riachos, sendo também percetível que as pessoas que vêm de fora gostam do que encontram, como as ruas engalanadas, a gastronomia, e o bom acolhimentos dos riachenses, tendo o responsável destacado os elogios ao recinto da festa, um espaço “amplo, aberto e convidativo a que as pessoas tenham o seu momento para conviver com os amigos e além disso assistir aos espetáculos no novo palco”.

Quanto ao Cortejo da Bênção do Gado, momento alto da festa, Carlos Graça disse que é uma tradição em Riachos manter-se o segredo até à própria da hora mas que a organização fez alguma pressão para tentar perceber a ideia das pessoas da modo a melhor organizar o cortejo, que este ano foi “muito maior”.

Tradição rural em honra de S. Silvestre, patrono dos lavradores, dos campos e protetor dos animais, “cuja origem se perde na memória”, a festa tem o seu “momento mais alto” no “grandioso Cortejo da Bênção do Gado”, sua “imagem de marca”, e que decorreu no domingo, dia 31 de julho.

Pelo que Carlos Graça antecipou nas vésperas do cortejo, as participações populares este ano “não são apenas o participar por participar mas sim com fundamento, com razão de ser da sua presença, onde foram realçar a sua família ou algo que os antigos faziam” em Riachos.

“É isso é o que nós estamos a sentir, que a qualidade está a subir, está a aumentar, e isso é que é o importante, porque há muitos jovens que não conheciam as raízes rurais de Riachos e vão começar a conhecer muito mais e melhor”, concluiu, num brinde a uma festa e tradição que une os riachenses em torno de uma identidade moldada em berço comum.

Texto: Mário Rui Fonseca

Fotos: Luís Ribeiro

Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Luis Ribeiro

Natural e residente em Tomar, tem como profissão Distribuidor, mas é com a fotografia que se identifica. É amante desta arte em geral, mas a sua verdadeira paixão é a Natureza e Vida Selvagem e os Retratos. É autor do livro de fotografia “Alma Nabantina” e fundador/administrador dos grupos do Facebook “Amigos da Fotografia de Tomar” e "Fauna de Tomar”. Colabora na área de fotografia na imprensa regional e local e já em 2018 foi júri convidado de dois concursos de fotografia. Neste ano conta também com duas exposições de fotografia coletivas, preparando atualmente a terceira.

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