Foto ilustrativa: retirada de Google Maps.

O presidente da Junta de Freguesia de Riachos, António Pereira Jorge, interveio na reunião de Câmara de Torres Novas de 13 de julho, onde apontou um conjunto de multas de estacionamento que a GNR tem passado aos moradores de Riachos, naquilo que considera uma ação “pouco digna”, exigindo a Junta de Freguesia a resolução dos problemas de estacionamento em Riachos.

Referindo que a grande maioria das multas são referentes a estacionamentos nas ruas, durante a noite, “quando as pessoas estão a descansar e a dormir para ir trabalhar no outro dia e têm o carro parado à porta”, António Pereira Jorge afirmou que já houve moradores a pagarem várias multas por terem os seus veículos estacionados “à porta de casa”, sendo que nem estavam à frente de portões.

“Tenho recebido muitos fregueses na junta lesados com multas que considero que não fazem sentido absolutamente nenhum, multas às 2h01 da manhã, às três, quatro e cinco da manhã, para mim, não fazem sentido absolutamente nenhum”, disse o presidente de junta de Riachos.

António Pereira Jorge, presidente da Junta de Freguesia de Riachos.

Afirmando que é sabido que não se pode estacionar em ruas onde não caibam três carros – ou seja um estacionado e dois a circular em sentidos contrários – “o facto é que em Riachos não existe rua nenhuma onde isso aconteça, e penso que nas outras terras, do concelho pelo menos, não temos ruas tão largas onde possam ser criadas três faixas de rodagem. Obviamente que quem não tem garagem tem de deixar o carro na rua. Obviamente que quem vai a Riachos, quem se serve do comércio, dos serviços e das instituições em Riachos tem de deixar o carro estacionado na rua porque também não temos parque de estacionamento por todo o lado. Aliás temos um parque de estacionamento a rebentar pelas costuras, insuficiente para o centro de Riachos”, apontou António Pereira Jorge.

Pereira Jorge afirmou assim que a Junta de Freguesia “exige” a resolução do problema de estacionamento, seja através da colocação de sentidos únicos – nomeando algumas como as rua da Pátria, 1º de maio, rua da Filarmónica ou rua de Sargaço – até porque o comércio e os serviços “estão a ser prejudicados por causa das multas”:

“Isto fica dispendioso à Câmara com certeza, mas eu exijo, a junta exige que o problema seja resolvido, tanto a nível de parques de estacionamento como a nível de sentidos únicos, de forma a que as pessoas não estejam constantemente a ser autuadas”, defendeu.

“Eu de facto gosto de ver a Guarda Nacional Republicana, gosto, para controlar as velocidades, para patrulhar Riachos durante a noite ou mesmo durante o dia, para tentar ‘apanhar’ quem coloca cabos descarnados dentro do rio (…) agora não chamo mais a GNR para Riachos, porque de facto eu entendo que aquele não é o papel da GNR, devia ter um papel mais de conversar com as pessoas, por exemplo, abordar as pessoas se entendem que o carro está mal estacionado”, apontou ainda o presidente da Junta de Riachos.

Em resposta, Pedro Ferreira (PS), presidente da Câmara Municipal de Torres Novas, disse que não se pronunciava em relação à forma de atuar da GNR:

“Riachos tem uma particularidades especial como outras aldeias no nosso concelho têm, a vila de Riachos tem ruas estreitas, com um movimento diferente do resto do concelho porque tem muita população, tem muita gente com carros, tem moradores que não têm perto realmente zonas de estacionamento nem garagens, e o melhor exemplo, como foi dado é realmente os bairros da Só Povo e a forma como os carros lá aparecem estacionados, também me disseram que alguns estacionam em cima do passeio, em cima do passeio se calhar já é um bocado abusivo, mas enfim, eu não me quero nem devo pronunciar sobre isso, porque a GNR é que faz o seu papel, de qualquer forma o alerta fica aqui. Eventualmente promovermos uma reunião conjunta com a GNR para percebermos melhor tudo o que está a acontecer em relação a isso”, disse o líder do município torrejano.

Pedro Ferreira (PS), presidente da Câmara Municipal de Torres Novas.

Por seu turno, o vereador António Rodrigues (Movimento P’la Nossa Terra) afirmou que se percebe que há problemas em Riachos e que efetivamente não se deve interferir na vida de outras entidades, mas que este é um “alerta importante”, referindo que “a melhor forma” de tratar a situação é desenvolver uma estratégia de novo ordenamento de trânsito em Riachos e, através dele, “passar a ser permitido estacionar onde já hoje se estaciona”. António Rodrigues defende que a Câmara deve imediatamente constituir uma equipa de trabalho que trabalhe nesse sentido.

Vereador António Rodrigues (Movimento P’la Nossa Terra).

Igualmente concordante que não se deve interferir nas competências da GNR, Tiago Ferreira, vereador eleito pelo PSD, defendeu que “é preciso ter algum cuidado com a forma como se expõem estas situações publicamente porque se não qualquer dia estamos a tirar aqui também a legitimidade, e estamos a criticar a atuação da GNR e da PSP, eles que têm um papel fundamental na garantia da segurança das pessoas e também no cumprimento das regras, porque as regras foram feitas são para se cumprir”, afirmando que não se pode cair no erro de estar publicamente a criticar uma autoridade “por fazer o papel dela” e que há lugares próprios para se discutir isso.

“Outra questão é que é preciso ordenar o trânsito e as pessoas têm de ter condições para estacionar os seus carros e as suas viaturas em Riachos”, defendeu o edil, afirmando que é preciso trabalhar esse ponto e mostrando-se disponível para constituir uma comissão de trabalho nesse sentido.

Vereador Tiago Ferreira (PSD).

Já o vereador João Trindade (PS) disse que já foi feita e entregue à Junta de Freguesia de Riachos uma proposta de alteração em várias das ruas referidas, tendo deixado à consideração de Pereira Jorge para este levar à Assembleia de Freguesia para aprovação das mesmas.

“Para além destas se houver outras ruas estamos na disposição, como é óbvio, de estudar e de ajudar tecnicamente a alteração das mesmas, mas desde fevereiro que esta questão também já está na junta de freguesia, por isso isto é uma questão de articulação entre entidades que nós temos o trabalho feito e e é só avançarem para a frente quando quiserem”, disse João Trindade.

Vereador João Trindade (PS).

Por parte do público interveio também Fernando Gorjão, um morador de Riachos, apresentando-se como um “testemunho vivo” da situação de Riachos, e dizendo que “não é só dizermos mal nem falarmos sobre a atividade da GNR – se é digno, estão a cumprir a missão, se não estão – é a economia das pessoas, porque são multadas, as pessoas sofrem”, referindo a existência de moradores que já foram multados cinco vezes este ano, o que “mexe com a economia das pessoas”.

Fernando Gorjão, habitante de Riachos.

“Temos de criar empatia para falar com eles e dizer que eles estão a trabalhar mal”, defendeu ainda o morador riachense.

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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