Entre Torres Novas e Golegã deparamo-nos com um paraíso de biodiversidade alimentado pelas dinâmicas do rio Almonda que ali próximo abraça o Tejo.
Nas terras encharcadas do Paúl do Boquilobo encontram guarida milhares de aves que ali garantem a necessária segurança e abundante alimentação para perpetuarem a vida das suas espécies.
Esta área foi classificada como Reserva Natural no âmbito da Rede Nacional de Áreas Classificadas desde 24 de Junho de 1980.
Desde 15 de Dezembro de 1981 que a Reserva Natural do Paul do Boquilobo é considerada pela UNESCO como Reserva da Biosfera.
As reservas da biosfera são definidas pela UNESCO “como laboratórios vivos, onde se desenvolvem como funções principais a conservação de paisagens, ecossistemas e espécies, o desenvolvimento sustentável a nível social, económico, cultural e ecológico; atuam como plataformas de investigação, monitorização, educação e sensibilização, visando sempre a partilha de informação e de experiência adquirida”.
Esta foi a primeira área portuguesa a integrar esta Rede Biosfera e única durante largos anos, sendo reconhecida “como uma amostra representativa de um ecossistema terrestre onde se procuram formas de conciliar a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento sustentável”.
Foi também classificada em 1996 como uma Zona Húmida de Importância Internacional ao abrigo da Convenção de Ramsar e desde 1999, está classificada como uma Zona de Proteção Especial no âmbito acordo da Diretiva n.º 2009/147/CE,devido à sua importância para a conservação da avifauna.
O simples elencar de estatutos de classificação ilustra bem a enorme riqueza natural que esta área natural representa para o mundo tal como um seu vizinho ilustre que ali nasceu na Azinhaga, representa na literatura. Motivos de orgulho!
Esta reserva resulta de condições naturais especiais e também da forma como o homem foi gerindo esse espaço e as suas atividades na envolvente, tendo-se conseguido até ao momento uma relativa harmonia pese embora a existência de alguns problemas ambientais associados à poluição das águas, quer por esgotos quer por agroquímicos e também da pressão colocada na sua utilização para fins de agricultura intensiva.
A avifauna é o ex-libris desta reserva com registos de observação de mais de duas centenas de espécies com destaque para as diversas espécies de garças, o colhereiro,o íbis-negro e diversos anatídeos sendo um território de importância nas rotas migratórias sazonais.
Muitas outras jóias da biodiversidade de zonas húmidas ali se podem encontrar variando ao longo das estações, dos peixes, aos anfíbios, répteis e mamíferos, como a lontra.
Registe-se o facto de estarem inventariadas mais de três centenas de espécies vegetais como motivo para se perceber o valor que este espaço natural representa para a biodiversidade e que passa quase desconhecido, mesmo das pessoas que vivem nos seus arredores e que normalmente se ficam pelo registo dos salgueiros na paisagem.
Esta jóia da coroa ribatejana, e do mundo, oferece-nos cenários e protagonistas a descobrir, com a recomendação de não os importunar, sendo isso possível através da utilização dos trilhos e do observatório de aves, respeitando as regras do turismo de natureza e da sustentabilidade.
Em Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento, a descoberta e a valorização do Paúl do Boquilobo é sem dúvida um desafio muito interessante!
