Foto: DR

Ao contrário do que tem sido apregoado, a verdadeira instabilidade que se vive não é a dos casos e casinhos, esses são apenas sintomas duma doença com raízes muito mais profundas.

Podíamos não estar em vésperas de eleições legislativas antecipadas e a instabilidade permanecia. A AD podia governar com maioria absoluta e a instabilidade seria muito mais grave. A instabilidade é provocada pelas políticas de direita, muito bem afinadas para favorecerem os grandes grupos económicos. Políticas que provocam a real e dramática instabilidade na vida das pessoas. Instabilidade bem sentida quando o salário não chega ao fim do mês, quando vemos os preços a aumentarem, quando cada vez mais trabalhadores não têm acesso a habitação, quando alunos não têm professores.

É esta instabilidade sentida na pele de cada um de nós que nos antecipa um terceiro acto eleitoral no espaço de quatro anos. As políticas de direita, tanto do PSD como do PS, não dão resposta às necessidades reais das pessoas – ficam-se pela névoa retórica que ilude em brisas mansas.

Quando as propostas do PCP, de, por exemplo, aumentar salários e pensões vão a votação, na Assembleia da República, aqueles que, com muito paleio, enchem a boca com a vida das pessoas (PS, PSD, CDS, CH, IL) chumbam esses caminhos para a melhoria das vidas de todos nós.

A promiscuidade entre o poder político e o poder económico alimenta a raiz da instabilidade que cresce. As políticas são feitas em função dos interesses que quem as faz está lá para defender. Só existe uma solução à vista, eleger quem defende os interesses da maioria. Eleger representantes dos trabalhadores e do povo. Esses é que são os nossos melhores.

Os melhores não são medidos pelo valor que recebem ao fim do mês. Os melhores para decidir o destino dum povo são aqueles que conhecem as dificuldades e a realidade concreta que a maioria enfrenta. Um estado bem gerido não é gerido como uma empresa, que visa o lucro dos seus accionistas, custe o que custar – e assim tem funcionado, com os governantes a retirarem dividendos da coisa pública.

Porém, os políticos não são todos iguais, e por muitos esforços que sejam empenhados para descredibilizar as instituições e a democracia, haverá sempre quem defenda as causas justas e aquilo que é público.

A CDU, que coliga o PCP, com o PEV, que conta com membros da Associação Intervenção Democrática e muitos outros democratas, é a força credível, em tempos de descrédito. Está nas mãos de todos nós dar força a um projecto que visa a solução dos problemas dos baixos salários, da desigualdade, do agravamento das condições do SNS, da falta de professores, da disparidade do acesso à cultura.

Uma força que enfrenta, com propriedade e conhecimento de causa, as dificuldades das vidas comuns. Contra uma democracia avençada, uma democracia avançada!

Natural de Torres Novas (n. 1989), onde vive, é artista visual e doutorando em História da Arte. Licenciado em Filosofia e mestre em Mercados da Arte, é membro da Comissão Concelhia de Torres Novas do PCP e membro dos organismos executivos da Direcção da Organização Regional de Santarém do PCP.

Deixe um comentário

Leave a Reply