Um trabalho de investigação da jornalista Paula Mourato, publicado no mediotejo.net em 2024, recebeu o 2º prémio atribuído pela Comissão Executiva das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, promovido em parceria com a ANIR – Associação Nacional de Imprensa Regional. A cerimónia de entrega deste prémio de jornalismo, criado com o objetivo de “valorizar a liberdade de imprensa, reforçar a visibilidade do jornalismo regional e sublinhar o contributo essencial da comunicação social para a consolidação da democracia portuguesa”, decorreu no Teatro-Cine de Pombal, no dia 29 de novembro.
A professora de História contemporânea Maria Inácia Rezola, Comissária Executiva da Comissão para as Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, explicou que, além de “destacar e reconhecer o melhor jornalismo” produzido na imprensa regional, o júri deste prémio esteve atento, “com especial atenção, à forma como se refletem nele os valores de Abril”. São “valores que, como sabemos, continuam a constituir a espinha dorsal da nossa vida democrática: liberdade, participação cívica, direitos fundamentais e responsabilidade pública”, frisou.
“O que hoje celebramos não é apenas a excelência profissional, é a vitalidade da democracia portuguesa, é a continuidade do espírito de Abril nas redações, que diariamente constroem espaço público, criam comunidades e asseguram que a liberdade de informar e de ser informado permanece viva”
– Maria Inácia Rezola, Comissária Executiva das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril
O júri, composto por dois representantes da ANIR e por um membro da Comissão Comemorativa (o professor João Figueira, com experiência acumulada como jornalista e académico), analisou mais de 60 candidaturas, provenientes de todas as regiões do país, decidindo premiar 5 meios de comunicação:
- 1.º Prémio – Jornal do Centro (Viseu): “Desde as primeiras notícias… em Viseu, não se viu ninguém com medo”;
- 2.º Prémio – Jornal do Médio Tejo (Santarém): “À terceira foi de vez; as ‘Abriladas’ para depor Salazar, com Marques Godinho preso na primeira falha”, da jornalista Paula Mourato:
- 3.º Prémio ex-aequo: Praça Alta (Guarda): “Enquanto a maioria de Portugal dormia…” e Notícias de Aguiar: “Fernando Giesteira foi uma das quatro vítimas da PIDE no dia 25 de abril de 1974”;
- Menção Honrosa – Notícias de Fafe: “Parcídio de Matos Summavielle Soares, 84 anos, recorda os primeiros passos da democracia em Fafe”.
Para a Comissão Comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril, “os trabalhos distinguidos demonstram a importância da memória local na construção do conhecimento histórico e no reforço da cultura democrática”.
Maria Inácia Rezola reforçou que “o que hoje celebramos não é apenas a excelência profissional, é a vitalidade da democracia portuguesa, é a continuidade do espírito de Abril nas redações, que diariamente constroem espaço público, criam comunidades e asseguram que a liberdade de informar e de ser informado permanece viva.”
Considerou ainda que, “num tempo em que a desinformação e a erosão da confiança pública se tornam desafios reais, o bom jornalismo, o jornalismo rigoroso, ético e plural, é indispensável”. A democracia, disse, “precisa de jornalismo forte e independente. E precisa, de forma muito particular, de jornalismo regional e local, que acompanha as comunidades e recolhe as vozes que tantas vezes ficam à margem”.
Frisou ainda que “não há poder local forte sem uma imprensa local forte. Não há democracia sólida sem jornalismo que investigue, que questione, que dê voz e que responsabilize. A vigilância cívica, a transparência e o escrutínio dependem em larga medida da qualidade do trabalho que é feito nas redações”.

Honrados pela distinção e pelo reconhecimento do seu trabalho, os diretores dos jornais premiados sublinharam que só com o “sentido de missão” associado ao jornalismo local é possível fazer reportagens com esta qualidade, que exigem um grande investimento de tempo e de recursos, num contexto há muitos anos difícil, mas com dificuldades financeiras crescentes.
A reportagem do mediotejo.net agora premiada reconstitui a história do general Marques Godinho, nascido em Galveias, Ponte de Sor, que tentou depor a ditadura 30 anos antes do 25 de Abril, e a luta da sua mulher, pertencente a uma família fidalga de Abrantes, para responsabilizar o governo de Salazar pela sua morte.
Este foi um dos trabalhos realizados no âmbito da série de reportagens e entrevistas que temos vindo a publicar na secção especial “50 anos do 25 de Abril”, desde 2023. À semelhança do previsto no calendário oficial da Comissão das Comemorações, serão publicadas reportagens especiais até ao final de 2026, data em que se considera ficar concluído o período de instauração da democracia portuguesa, com a eleição dos órgãos do poder local.
