SPORT ABRANTES E BENFICA 1 – SPORT CLUB FERREIRA DO ZÊZERE 2
Campeonato Distrital da 1ª Divisão da AFS – 5ª jornada
Estádio Municipal de Abrantes – 13-10-2024
Apesar das nuvens ameaçadoras a tarde foi agradável para quem jogou e para quem se deslocou para as bancadas do Estádio Municipal de Abrantes. Não choveu e o campo aguentou-se bem, apesar da chuva dos últimos dias. Temperatura agradável e duas equipas disposta a vencer.
O Benfica abrantino, com um início algo atribulado, não queria perder mais pontos para se manter perto do topo da classificação e os ferreirenses, invictos, queriam preservar a liderança, mantendo os perseguidores à distância.

Para um jogo com duas boas equipas a Associação nomeou um dos melhores árbitros do distrito, com larga experiência do futebol nacional ao mais alto nível. João Mendes e sua equipa acrescentaram valor a um espetáculo que se previa de elevada qualidade.
Quando o esférico começou a rolar cedo se percebeu que ambos os técnicos haviam feito o trabalho de casa. As equipas rapidamente encaixaram, jogando-se muito a meio campo, longe das balizas.

Com ambas as equipas a terem dificuldade de progressão até ao último reduto adversário a meia distância era uma hipótese a considerar. Foi o que fez Ivan à passagem dos sete minutos com a bola a ganhar altura e a perder-se para lá da linha de fundo.
Na reposição o Ferreira do Zêzere ganhou o esférico a meio campo, lançou a velocidade de Caio que cruzou “in-extremis”. A bola embateu num defensor encarnado e ganhou altura. O guarda redes do Abrantes saltou e, apesar de pressionado, agarrou sem dificuldade.

Na resposta, aos 11 minutos, João Marchão cruzou da direita mas o esférico saiu sobre a trave da baliza de Rodrigo Neves. No minuto treze os abrantinos procuraram a sorte…
Na sequência dum canto Martim “penteou” para trás onde surgiu Zé Pedro a rematar em jeito fora do alvo. À passagem do quarto de hora Miguel Séninho entrou na área e ganhou um pontapé de canto. Na conversão a cabeçada de Diogo Rosado podia ter aberto a contagem mas Rodrigo Neves não consentiu.

Em toada de equilíbrio, com escassas hipótese de golo, se passaram os primeiros 15 minutos. Os nulo era explicado pela eficácia das estruturas defensivas a anularem os lances dos atacantes. Aos 18 minutos Ricardo Simões descobriu caminho para a área dos da casa e rematou de pronto. João Horta defendeu com facilidade. Pouco depois Zé Maria caiu na área quando tentava chegar a um cruzamento de Caio.
João Mendes mandou jogar e Ivan rematou para defesa incompleta de João Horta. Na segunda vaga Ivan voltou a tentar desfeitear o guarda redes abrantino, sem sucesso.

Numa fase em que a equipa de Mário Nélson tentava “pegar” no jogo, uma iniciativa individual de Zé Pedro foi travada de forma faltosa. O livre, batido tenso ao segundo poste, apanhou o mesmo Zé Pedro em boa posição para marcar mas o esférico escapou pela linha de fundo.
Na resposta Rodrigo Antunes rematou e a bola passou muito perto do poste da baliza da equipa da casa. À meia hora na conversão dum canto muito largo Rodrigo Antunes voltou a visar a baliza benfiquista para boa defesa de Horta.
Dois minutos depois, num lance aparentemente inofensivo, Martim viu Rodrigo Neves adiantado, tirou as medidas à baliza e com um remate colocado abriu a contagem.

Este belo momento de futebol, protagonizado por este jovem de imenso valor, produto da “cantera” abrantina, veio trazer alguma emoção a um jogo morno, de muita parra e pouca uva, leia-se golos.
Esperava-se resposta pronta do líder do campeonato, desconfortável na situação de perdedor. Mas, aos 34 minutos, foi João Marchão que se isolou na cara do guarda redes da “Capital do Ovo” e rematou para defesa por instinto. O auxiliar Nélson Andrade já tinha subido a bandeirola por posição irregular do abrantino.

Mário Nélson, técnico dos ferreirenses, não gostava do que via e mexeu no xadrez da sua equipa. Lançou David Ribeiro no lugar de Tomás Antunes refrescando a ala esquerda do seu ataque ainda antes do intervalo.
A cinco minutos do descanso um canto favorável aos ferreirenses transformou num veloz contra golpe protagonizado por João Marchão que foi derrubado de forma dura. Do banco abrantino pediu-se a amostragem da cartolina mas João Mendes assim não entendeu.

Ao atingir o tempo regulamentar Miguel Séninho executou uma das suas diagonais para dentro, a partir da ala, levou o pânico às hostes ferreirenses. A sequência de remates e a dificuldade em afastar podia ter sido fatal mas finalmente houve alguém que afastou a bola para longe.
Responderam os de Ferreira do Zêzere com uma bem desenhada transição ofensiva a solicitar a corrida de Rodrigo Antunes. Chegou tarde e Gonçalo Lelé esconjurou o perigo, afastando para canto. Do canto nada resultou e João Mendes apitou, mandando toda a gente para o descanso.

O empate ao intervalo talvez fosse o desfecho mais aceitável mas no futebol os golos definem os vencedores e o Abrantes estava na frente com mérito, fruto dum belo golo de Martim Amaro.
Quem não estava pelos ajustes era Mário Nélson e apostamos que os seus pupilos regressaram ao relvado do Municipal abrantino com as orelhas a arder e com vontade de dar a volta ao texto, leia-se resultado.
E assim foi, ainda o ponteiro dos segundos não tinha dado a volta ao mostrador… Numa entrada de rompante, um cruzamento da esquerda do ataque do Ferreira encontrou a cabeça de Rodrigo Antunes e o empate estava reposto.

Um golo aos 46 minutos tem o condão de puxar animicamente para cima quem marca e o inverso para quem sofre. E o que se assistiu a seguir foi um autentico vendaval de futebol ofensivo dos ferreirenses, obrigando a equipa comandada por Séninho a fazer das “tripas coração” para defender o seu último reduto. E foi competente na forma como o fez.
Logo após o golo David Ribeiro entrou na área abrantina e obrigou João Horta a “abrir o livro”, dando início a uma exibição que o guindou para o jogador mais valioso da sua equipa nesta partida. Enorme defesa para canto.

Horta voltaria a brilhar a grande altura à passagem do 49º minuto. Um cruzamento da esquerda encontrou de novo David Ribeiro em boa posição para marcar mas a oposição do guarda redes abrantino não o permitiu. Outra defesa de elevado grau de dificuldade a remate fortíssimo a curta distância.
Aos 54 minutos, sem que os abrantinos encontrassem antídoto para a pressão ferreirense, David Ribeiro, a justificar a sua chamada ao jogo logo aos 36 minutos, entrou em drible sobre Miguel Catarino e em boa posição rematou por cima.
No minuto seguinte foi a vez de Ricardo Simões ir à linha de fundo cruzar para a cabeça de Rodrigo Antunes, em jogada semelhante à do golo ferreirense. Desta vez saiu por cima da trave.

Finalmente, aos 57 minutos, o Abrantes saiu do espartilho e ganhou um canto do qual gerou uma sequência de remates. O último foi o central Lelé a rematar por cima. Alguns minutos depois, aos 63, Diogo Rosado foi forçado a cometer falta dura à entrada da área que lhe valeu a amostragem da cartolina amarela.
Ricardo Simões encarregou-se da cobrança do livre e fê-lo com classe, obrigando João Horta a “puxar dos galões” mais uma vez. Grande defesa para canto. Na cobrança foi marcada uma falta ao ataque ferreirense.

Aos 66 minutos, os abrantinos voltaram a dar um ar da sua graça numa bem desenhada transição ofensiva que culminou com Miguel Séninho a cabecear por cima. Se aos 72 minutos Rodrigo Antunes rematou forte, por cima, no minuto seguinte foi Marchão a rematar forte no frente a frente com Rodrigo Neves.
Com uma enorme defesa, o guarda redes evitou que as “águias” voltassem para a frente do marcador.

Numa alternância de ações ofensivas as ameaças surgiam agora a espaços e com menos intensidade, parecendo o empate servir aos dois conjuntos. Com o passar dos minutos num terreno húmido e pesado as pernas iam começando a pesar…
Aos 78 minutos um cruzamento em jeito de remate obrigou João Horta a nova defesa apertada. No minuto seguinte Rodrigo Antunes tentou ser feliz numa trivela que não levou o melhor destino.

Faltavam três minutos para se esgotarem os 90 regulamentares quando João Marchão conseguiu ir à linha, pelo lado direito e cruzar com boa conta, solicitando Zé Pedro no segundo poste. O avançado chegou um pouco atrasado e o lance perdeu-se pela linha de fundo.
A resposta, em moldes semelhantes mas do outro lado do campo, levou Rodrigo Antunes a cabecear ao lado. O juiz da partida fez subir a placa com o algarismo “sete”, os minutos a jogar a título de compensação.

No primeiro desses minutos Toni, em esforço foi obrigado a fazer falta em “zona proibida”, junto à sua área, descaído sobre a direita do ataque dos visitante. A defesa abrantina afastou.
Aos 93 minutos num cruzamento do lado esquerdo, igual a tantos vistos neste jogo, a bola sobrou para Tiago Mateus que solto de marcação rematou forte e fixou o resultado.

Carimbada a vitória tardia, de difícil digestão para as hostes abrantinas, o Ferreira do Zêzere mantém a liderança isolada enquanto a equipa encarnada caiu na tabela para o décimo posto mas deixa boas indicações e não deverá tardar a “entrar nos eixos”. Vitória ajustada face ao que se viu na globalidade do jogo onde a estrela maior foi o guarda redes abrantino João Horta.
Arbitragem sóbria de João Mendes, não deixando espaço para dúvidas ou contestação. Deixou jogar e evitou os cartões, tendo sempre muita segurança num jogo em que os jogadores só se preocuparam em jogar a bola. Ganhou o futebol…

FICHA DO JOGO:
SPORT ABRANTES E BENFICA:
João Horta, Miguel Catarino, Toni, Gonçalo Lelé, Pedro Damas, Miguel Séninho, Diogo Rosado, Diogo Barrocas, Zé Pedro (Diogo Mateus), João Marchão e Martim Amaro (João Nogueira).
Suplentes não utilizados: Leandro, Guilherme Oliveira, Guilherme Salgueiro, Luís Costa e Cláudio Louro.
Treinador: Paulo Seninho.

SPORT CLUB FERREIRA DO ZÊZERE:
Rodrigo Neves, Filipe Cotovio, Zé Maria, Ricardo Simões, Tiago Mateus, salvador Coutinho (Vasco Catatão), Ivan Alves (Rachide), Miguel Mateus, Caio Pinho, Rodrigo Antunes e Tomás Antunes (David Ribeiro).
Suplentes não utilizados: Francisco Silva, Renato Cruz, Anderson Filho e Simão Gonçalves.
Treinador: Mário Nélson.

GOLOS: Martim Amaro (Abrantes), Rodrigo Antunes e Tiago Mateus (F. Zêzere).
EQUIPA DE ARBITRAGEM: João Mendes, Nélson Andrade e Pedro Sousa.

Como é hábito fomos escutar os técnicos de ambas as equipas:
PAULO SÉNINHO, Treinador do Sport Abrantes e Benfica:

MÁRIO NÉLSON, Treinador do Sport Club Ferreira do Zêzere:

C/DAVID PEREIRA (Fotos e multimédia)
