Felizmente os alunos de todo o país regressam às aulas presenciais, algo fundamental para uma geração que não pode ver a sua aprendizagem interrompida, suspensa ou adiada. Apesar de todas as regras anunciadas pelos Ministérios da Educação e da Saúde, a verdade é que muitas delas são impossíveis de concretizar, quer pelas condições e realidade de cada escola quer pelos meios que lhes foram, ou não foram, disponibilizados. Depois de um atraso monumental na definição das regras, o que chegou às escolas é por vezes exagerado e contraditório.
A confiança da comunidade escolar deverá assentar na capacidade que as direções das escolas tiverem para se adaptar, para minimizar riscos e levar os alunos e professores a cumprir o mais possível as regras, sabendo de antemão que não têm à sua disposição nem meios nem condições para cumprir aquilo que o Governo e que o Primeiro-Ministro anunciam.
É uma perfeita tolice tentar fazer crer aos pais e alunos que há condições para garantir o distanciamento social, que há mesas individuais, salas exclusivas e meios de transporte suficientes que permitam a separação de alunos. Não há, nem vai haver.
Se a primeira fase da pandemia nos deu pouco tempo para necessária adaptação, este regresso às aulas já ocorre com demasiado tempo para se aceitarem tantos atrasos ou falhas.
Seja como for, o que importa nesta fase é garantir que tudo será feito para garantir a manutenção das aulas presenciais e impedir o aumento de contágios dentro da comunidade escolar. Importa reconhecer que o risco existe e mesmo que todas as regras fossem cumpridas e os meios necessários colocados à disposição esse risco continuaria a existir. Ao Estado compete fazer tudo o que está ao seu alcance para reduzir esse risco, e neste caso o Governo não fez.
É por estas razões que o Governo reconhece, e bem, a possibilidade de um Plano B (regime misto) e terrivelmente um Plano C (ensino à distância). Se isso vier a acontecer, as escolas e os alunos precisam imediatamente de condições e meios tecnológicos para o fazer, mas esse processo está demasiado atrasado para os riscos que existem.
Espero estar enganado e que as piores previsões não se confirmem, mas nesta como noutras situações cujo rumo não controlamos totalmente, ao poder político exige-se que faça tudo o que está ao seu alcance. Assim, resta-nos, mais uma vez confiar nos directores e professores que ultrapassam em muito as suas responsabilidades, fazendo omeletes com muito poucos ovos.

